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Educação

Tema do Torneio de Robótica First Lego League, este ano, é educação em suas múltiplas formas.

28/11/2014 | 12h04

 

Estudantes do grupo de robótica do Liceu Franco-Brasileiro (LFB) disputam esta semana, em Curitiba (PR), a etapa Regional Sul do concurso internacional Torneio de Robótica First Lego League, cujo tema, este ano, é educação em suas múltiplas formas. Saindo vencedor, o grupo disputará a fase nacional, em março de 2015, com possibilidade de competir no exterior, em um país que será ainda definido pela Lego.

 

Como não há mais campeonato no Rio de Janeiro (as etapas das regionais Sudeste são disputadas em São Paulo, no Espírito Santo e em Minas Gerais), as equipes fluminenses têm que se inscrever em uma seletiva regional para concorrer à classificação para a fase seguinte, informou a coordenadora do Núcleo de Robótica do LFB, Kátia Abrantes. O colégio escolheu participar de uma das etapas da Regional Sul, que terá as competições nos dias 28 e 29 de novembro. O torneio também tem disputas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

 

O Torneio de Robótica First Lego League é um programa internacional voltado para crianças de 9 a 16 anos, criado para despertar o interesse dos alunos em temas como ciência e tecnologia dentro do ambiente escolar. Segundo o site do torneio, que no Brasil tem parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi), a disputa ocorre no Brasil desde 1998.

 

A First Lego League de Robótica tem quatro categorias: pesquisa, robô, trabalho em equipe e o desafio da mesa. Neste, o robô tem que cumprir várias missões no menor tempo possível, cujo limite são dois minutos e 30 segundos. Os desafios são comuns a todos os participantes e têm de estar ligados, este ano, ao tema da educação. Os robôs são construídos com peças de Lego e devem usar na programação tecnologia Lego Mindstorms NXT.

 

Um dos trabalhos desenvolvidos pelo grupo para o concurso é voltado para crianças autistas, com o intuito de promover a inclusão deles nas escolas. Os alunos criaram maletas com kits de atividades que facilitam o aprendizado das cores pelas crianças que sofrem dessa síndrome. Complementando o kit, foi feito um brinquedo com cano de PVC, dotado de um chocalho que acende uma luz. “Essa luz, por meio da música, vai estimular também o aprendizado das cores”, disse à Agência Brasil a professora de robótica e informática do liceu, Rosangela Nezi. “É uma solução inovadora, não precisa de pilha nem bateria, e não traz risco para a criança”, disse.

 

Estudantes do Liceu Franco Brasileiro, no Rio, disputarão em Curitiba, etapa regional do certame internacional First Lego League de Robótica, cujo tema, este ano, é educação (Tomaz Silva/Agência Brasil)

A First Lego League de Robótica tem quatro categorias: pesquisa, robô, trabalho em equipe e o desafio da mesa Tomaz Silva/Agência Brasil

João Pedro Porto Campos, Júlia Lago, Henrique Soares, todos do 1º ano do ensino médio, e Isabela Batista, do 9º ano do ensino fundamental, participam da equipe que criou o kit para autistas. Eles não escondem a empolgação com o trabalho. Júlia gosta tanto da parte do robô como da pesquisa. “Na pesquisa, é muito interessante a gente poder criar uma solução que ajude a alguém. E no robô, é incrível você poder construir, programar e ver que ele está fazendo tudo que você trabalhou para isso”. Nova no grupo, no qual começou a participar este ano, Isabela contou ter sido muito bem acolhida por todos. “Eu estou muito feliz por poder participar de uma equipe”. Já Henrique Soares, veterano em competições nacionais Lego, disse ser compensador o campeonato. “Cada minuto que a gente passa aqui é um minuto ganho”.

 

Outro projeto que será apresentado pelo grupo ensina as crianças a fazer programação de robôs utilizando variável matemática, “que é um mecanismo difícil de ser aprendido”, segundo a professora. A partir do uso de peças de Lego, os estudantes aprendem a usar a variável na programação, com raciocínio lógico. “A variável é um local em que você guarda determinada informação, que será usada posteriormente somando ou diminuindo com outro valor e, depois, ela mesma dá o resultado final”, explicou.

 

No ano passado, o grupo de robótica do colégio desenvolveu um sinalizador de deslizamento, cuja finalidade é avisar quando o solo está com uma umidade saturada e começa a apresentar riscos. “O nosso sinalizador avisa em tempo real qualquer tipo de movimentação no solo e se este está com uma saturação de umidade suficiente para o deslizamento”. Rosangela avaliou que para os protótipos criados pelos estudantes transformarem-se em realidade para auxiliar a população, “faltam investimentos da indústria”.

 

O projeto do sinalizador foi levado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para que pesquisadores possam aprofundar a parte científica. “Os especialistas dessa área acreditam muito nesse projeto e acham que tem tudo para dar certo. Falta à indústria viabilizar sua construção em série”. Outro projeto elaborado pelos alunos em 2013 é o asfalto permeável multiuso. Ele objetiva reduzir danos em caso de enchentes, também compreocupação com o meio ambiente. “A gente elaborou um asfalto que fosse mais poroso do que é hoje em dia. Com essa porosidade, a água seria descartada pelo asfalto e a gente criaria por ele um sistema de calhas que pegaria a água que foi absorvida e ela seria reutilizada”, relatou a professora.

 

O grupo de robótica do colégio tem entre seus patrocinadores a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Ele é formado por duas equipes de oito alunos cada a partir do 8º ano do ensino fundamental (FrancoStorms) e do ensino médio (FrancoDroid), que tenham entre 15 e 16 anos de idade. Nos cinco anos em que disputaram o certame, as equipes do escola já foram para as etapas internacionais duas vezes: uma na Holanda, em 2010, e outra na Austrália, em 2013.



Fonte: Redação/Agência Brasil
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