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Petroquímica

Qualidade de ativos da Quattor "freia" avanços da Braskem

24/08/2010 | 11h05
Um pouco mais de seis meses depois de assumir o controle da Quattor, a petroquímica Braskem ainda está "digerindo" o negócio. A companhia está investindo R$ 350 milhões este ano apenas para poder melhorar a qualidade dos ativos da empresa recém-adquirida - a fábrica da Riopol, no Rio de Janeiro, deverá receber boa parte desses aportes.
 

A incorporação da petroquímica nacional no fim de janeiro, em parceria com a Petrobras, o que permitiu a criação da "Nova Braskem", forçou uma freada no apetite da companhia, que se tornou este ano a maior das Américas, após a compra, em fevereiro, dos ativos da Sunoco nos Estados Unidos, mas não tirou o ânimo do grupo. A empresa planejava concluir sua segunda aquisição em território americano ainda este ano, mas a expectativa é de que nada saia até dezembro.
 
 
"A boa surpresa [sobre a aquisição da Quattor] são as pessoas. As notícias não tão boas são a qualidade dos ativos", disse ao Valor Bernardo Gradin, presidente da petroquímica que tem como principal acionista o grupo Odebrecht, após fazer um rápido balanço sobre os últimos seis meses à frente da "nova Braskem".
 

Em 2009, auge da crise financeira global, a Braskem traçava planos ambiciosos para fincar seus pés nos EUA. Nesse meio tempo, a Quattor atravessou o caminho - e como não poderia deixar de ser, a empresa teve de reavaliar os planos de expansão no mercado americano. A compra da Sunoco foi só o primeiro passo dado pela companhia para intensificar sua internacionalização. "Continuamos avaliando ativos nos EUA, mas sem pressa", disse o executivo. A intenção é comprar uma fábrica em operação (o chamado projeto 'brownfield'). "Se acontecer esse ano [a aquisição], será uma surpresa", afirmou.
 

O pacote de ativos da Quattor precisa de "recauchutagem" para ganhar competitividade e garantir as sinergias com as unidades da Braskem. Seu parque industrial inclui fábricas de resinas no Rio de Janeiro (Riopol), única do Brasil à base de gás natural, em Mauá (SP) - uma unidade de polipropileno (PP), considerada a maior e mais moderna do país, de polietileno (PE) de Mauá, com a recém inaugurada tecnologia Chevron Phillips, além da central de matérias-primas de Mauá, a PQU, que utiliza nafta e gás de refinaria.
 

A situação real desses ativos não chegou a ser nenhuma surpresa para a Braskem. O governo federal, inclusive, se empenhou fortemente para a criação da nova companhia. A Quattor, empresa criada em 2008 com o aval da Petrobras, enfrentava dificuldades financeiras, operacionais e de gestão, além de uma delicada disputa familiar pelo controle da da companhia. As negociações para a compra da Quattor, cujo controle estava nas mãos da família Geyer, dona da holding Unipar (que recebeu cerca de R$ 700 milhões), foram recheadas de tensão até os últimos momentos antes da assinatura do contrato.
 

Com a Quattor muito alavancada - seu endividamento era estimado em R$ 6,6 bilhões antes da incorporação - , os primeiros meses de nova gestão foram marcados por negociações para alongar seu passivo. Com a aquisição, a relação dívida líquida sobre resultado operacional (lajida) passou para 4,5 vezes. Em 30 de junho baixou para 2,84 e a meta é ficar até 2,5, margem que tinha antes da operação. Vale lembrar que a companhia recebeu um aporte de cerca de R$ 3,7 bilhões dos controladores (Odebrecht e Petrobras), além do BNDES.
 

Segundo Gradin, as fábricas da Quattor estavam operando no fim do primeiro semestre entre 76% e 78% de sua capacidade - ante um média mundial entre 79% e 90% -, enquanto as unidades da Braskem operavam acima de 90%, incluindo a unidade americana. "A meta é que elas ultrapassem 90%", afirmou. A unidade da Riopol tem apresentado, no momento, irregularidade de recebimento de etano e propano, sua matéria-prima, a qual é fornecida pela Petrobras.
 

Paralelamente ao programa de investimentos nos ativos da Quattor, a Braskem ainda segue debruçada nos dois novos projetos herdados no novo arranjo societário com a Petrobras: Comperj e Suape. Durante o anúncio da incorporação da Quattor, as duas empresas afirmaram que revisariam os planos para um novo formato desses dois negócios em quatro meses. Esse tempo expirou e Gradin afirmou que serão necessários mais seis meses para o novo desenho dos negócios.
 

Para a Braskem, interessa apenas operações petroquímicas do Comperj, projeto que deverá entrar em operação nos próximos cinco anos e que ainda está em definição de engenharia. Localizado em Itaboraí (RJ), prevê uma refinaria de óleo pesado. Estimativas de mercado indicam que a fase petroquímica pode custar de US$ 2,5 bilhões a US$ 3 bilhões, com fábrica de eteno de mais de 1 milhão de toneladas e unidades de resinas PE e PP de 850 mil toneladas cada uma.
 

Em Suape (PE), projeto estimado em US$ 2 bilhões, o negócio é estratégico para a Braskem, uma vez que retorna à produção de PET. Estão previstas três unidades industriais - fabricação de PTA (700 mil toneladas), matéria-prima que o Brasil é importador; resina PET (450 mil), usada na fabricação de embalagens; e polímeros têxteis (240 mil). "Tanto no Comperj como em Suape, os projetos estão evoluindo dentro do escopo traçado", disse Gradin, acrescentando que será necessários mais seis meses para o arremate final. Em Suape, falta apenas definir participação acionária - interessa à Braskem obter uma fatia relevante.
 

Os planos de internacionalização da empresa na América Latina, com investimentos avaliados em US$ 6 bilhões, seguem dentro da estratégia, mas, na prática, somente o do México está mais adiantado. Os do Peru, Venezuela e Bolívia continuam firmes, mas até agora houve pouco avanço.
 

Previsto para entrar em operação em 2015, o projeto do México poderá ser antecipado em um ano, informou Gradin. Batizado de Etileno XXI, uma parceria entre a petroquímica brasileira e a Idesa, empresa mexicana, o complexo deve receber investimentos de US$ 2,5 bilhões e contempla a produção de 1 milhão de toneladas por ano de etileno e polietilenos em três unidades de polimerização. A Braskem terá 65% de participação nessa joint venture.
 

No Peru, onde pretende construir um polo gás-químico, a companhia renovou o memorando de entendimentos para um projeto estimado em US$ 2,5 bilhões no qual teria 50% de participação. Na Bolívia, onde possui planos de ter parceria similar em um projeto de US$ 2 bilhões, só houve conclusão básica do projeto. Na Venezuela, o projeto de engenharia já está concluído, mas segue sem avanços.


Fonte: Valor Econômico
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