Mercado

Problema das usinas viria mesmo sem a crise

Jornal do Commercio
11/02/2009 02:55
Visualizações: 600

A combinação de euforia com um mercado inexistente para o etanol, a busca de financiamentos de curto prazo, a falta de gestão profissional e um endividamento médio de 263% sobre os ativos trouxeram a crise ao setor sucroalcooleiro. A avaliação é do professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Alberto Borges Matias, segundo o qual a crise das usinas estouraria mesmo se não houvesse a restrição mundial à liquidez.

 

“Em 2007, o nível de endividamento médio do setor era de 263%, com algumas empresas do setor sucroalcooleiro em 1.200%, contra uma média da indústria brasileira de 100% e norte-americana de 150%”, disse Matias. “Então a explosão dessa crise já era esperada e só foi revelada com a crise de liquidez do final do ano passado”, completou o professor.

 

De acordo com Matias, o problema do setor sucroalcooleiro é, portanto, estrutural e não tem relação com a restrição ao crédito ocorrida a partir do terceiro trimestre de 2008. “É inacreditável como a euforia levou tanta gente a se endividar no curto prazo para que houvesse essa expansão. Ou seja, a crise iria ocorrer de qualquer jeito”, explicou o professor durante o seminário “Cenários para a Safra Sucroenergética 2009/2010″, em Sertãozinho (SP).

 

Matias avalia que diante do cenário de insolvência de várias companhias sucroalcooleiras será necessária uma interferência ainda maior do Estado, com a aquisição de participações acionárias dessas empresas, por exemplo, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

“É natural que as tradicionais famílias percam ainda mais o controle e que haja também a entrada de credores nas empresas, bem como um alongamento do perfil dessas dívidas”, avaliou o professor, que ressalta: “Os fundamentos seguem muito bons para o setor, com cenário de alta demanda para açúcar e o álcool”, concluiu.

 

Oriundo de uma das mais tradicionais famílias de usineiros, Maurílio Biagi Filho, admite que o setor não tem problemas de demanda para comercializar açúcar e álcool e que os dois produtos não terão ofertas altas este ano. Biagi ressalta que o mercado de açúcar internacional deve dar sustentação aos preços e que os empresários brasileiros, que exportam 40% da commodity negociada no planeta, serão beneficiados.

 

O empresário, porém, foi contra os que pregam o livre comércio e voltou a defender a centralização da comercialização do álcool em uma empresa mantida pelas mais de 400 unidades sucroalcooleiras. A prática seria semelhante à feita pela Brasil Álcool, criada no início da década justamente para reduzir a oferta do combustível e, assim, ter um preço melhor durante a safra, quando muitas destilarias descapitalizadas ampliam as vendas. A Brasil Álcool acabou após as investigações de prática de cartel. “Essa concentração das vendas teria de ser feita de uma forma diferente, que não configurasse cartel”, disse Biagi.

 

Para o consultor Luiz Carlos Corrêa Carvalho, uma opção para resolver as grandes variações de preços do álcool seria a ampliação de operações de hedge e a criação de novos contratos para o combustível que possam dar mais liquidez ao setor. “Esse assunto já vem sendo discutido há muito tempo e nunca há um consenso dentro do setor”, afirmou Carvalho.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Macaé Energy
Macaé recebe feira estratégica de energia voltada à gera...
20/02/26
PPSA
Produção de petróleo e de gás natural da União dobra em ...
20/02/26
ESG
Inscrições abertas até 26/2 para o seminário Obrigações ...
20/02/26
Pessoas
Paulo Alvarenga é nomeado CEO da TKMS Brazil
19/02/26
Subsea
Priner expande atuação no offshore com lançamento de sol...
13/02/26
Firjan
Recorde no petróleo sustenta crescimento da indústria do...
13/02/26
E&P
Tecnologia brasileira redefine a produção em campos madu...
13/02/26
Bahia Oil & Gas Energy
Produção em campos terrestres de petróleo e gás deve cre...
12/02/26
Pré-Sal
Plataforma da Petrobras, P-79, chega ao campo de Búzios
12/02/26
Resultado
Com 2,99 milhões boed, produção de petróleo e gás da Pet...
12/02/26
PPSA
MME e MMA liberam setores estratégicos do pré-sal e viab...
12/02/26
Oferta Permanente
Manifestação conjunta abrangente e inédita agiliza inclu...
12/02/26
Biometano
Biometano em foco com debate sobre crédito, regulação e ...
12/02/26
Pessoas
Mario Ferreira é o novo gerente comercial da Wiz Corporate
11/02/26
Resultado
Portos brasileiros movimentam 1,4 bilhão de toneladas em...
10/02/26
Energia Elétrica
Lançamento de chamada do Lab Procel II reforça o Rio com...
10/02/26
Energia Elétrica
Prime Energy firma novo contrato com o Hotel Villa Rossa...
10/02/26
Energia Elétrica
ABGD apresenta à ANEEL estudo técnico sobre impactos da ...
09/02/26
Tecnologia e Inovação
Brasil estrutura marco normativo para gêmeos digitais e ...
07/02/26
PD&I
Firjan SENAI SESI traz primeira edição do "Finep pelo Br...
06/02/26
Bacia de Campos
Em janeiro, BRAVA Energia renova recorde de produção em ...
06/02/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.