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Petroquímica

Petrobras pedirá compensação por atraso na operação da Rio Polímeros

03/11/2005 | 00h00

A Petrobras pretende pedir compensação aos responsáveis pela construção da Rio Polímeros (Riopol), a primeira fabricante de resinas termoplásticas do país que usa o gás natural como matéria-prima básica.

A estatal, uma das acionistas da Riopol, avalia a possibilidade de pedir um ressarcimento pela perda de faturamento decorrente da demora da unidade industrial em entrar totalmente em operação. O atraso tem provocado perdas na casa dos milhões de dólares.

O investimento total da Rio Polímeros, programada para produzir 540 mil toneladas anuais de polietilenos, é de US$ 1,08 bilhão. Deste total, cerca de US$ 600 milhões foram destinados à construção, que ficou sob a responsabilidade do consórcio formado pelas empresas americana ABB Lummus e a italiana Snamprogetti.

A intenção da Petrobras foi confirmada pelo diretor da área de abastecimento e responsável pelo setor petroquímico da estatal, Paulo Roberto Costa. "Estamos olhando esse problema como sócio.

Na realidade, nós e os sócios contratamos um consórcio responsável pela projeto até sua entrada em operação. Como sócios, teremos uma ação junto ao consórcio para procurar algum tipo de ressarcimento."

Além da Petrobras, dona de 16,7% do capital da Riopol, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possui a mesma participação percentual. Na esfera privada, os grupos Suzano e Unipar detêm, cada um, 33,3% das ações.

Costa não falou em ação judicial e nem disse que tipo de compensação será pedido. Uma porta-voz da ABB Lummus, em Houston (EUA), disse que a empresa não faria nenhum comentário no momento. Não foi localizado nenhum representante da Snamprogetti.

A Riopol foi inaugurada em 23 de junho deste ano e deveria estar produzindo polietileno desde o começo de setembro, segundo o cronograma estabelecido. Isso permitiria que ela conseguisse produzir, segundo informações da direção da empresa, 130 mil toneladas de resinas até o fim deste ano. Considerando um preço médio de US$ 1.150 por tonelada, a produção geraria uma receita bruta de US$ 149,5 milhões.

Após a inauguração, foram iniciados os procedimentos de partida da unidade, comandados pelo consórcio construtor, segundo dados da Riopol. Esses procedimentos, que consistem, resumidamente, em colocar em operação a unidade que transforma gás em eteno, acumular esse eteno e em seguida produzir os polietilenos, demoraram mais do que o previsto. O começo da produção das resinas foi transferido para outubro.

Mas novos problemas surgiram no mês passado, desta vez no sistema de resfriamento da unidade de eteno que exigiram uma parada no processo de produção. A solução está prevista para os primeiros dias deste mês, quando será retomada a produção de eteno para, em seguida, começar a produção dos polietilenos.

A estimativa inicial de produzir 130 mil toneladas foi reduzida para 100 mil e agora é esperada uma produção entre 50 mil e 60 mil toneladas até 31 de dezembro. Caso a produção fique em 50 mil toneladas, a perda de faturamento será de US$ 92 milhões, considerando o preço médio de US$ 1.150 por tonelada.

Mesmo assim, o grupo Suzano, que atualmente preside o conselho de administração da Riopol, informou que não há neste momento nenhum pedido de ressarcimento financeiro por parte dos sócios. Em conversa com o Valor, o vice-presidente da Suzano Holding, João Nogueira Batista, disse que os contatos com o consórcio estão correndo bem. Ele minimizou o impacto do atraso na operação da Riopol, situada em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), na geração de caixa do grupo. Segundo ele, "a expectativa já era baixa para o terceiro trimestre". O resultado da empresa sai hoje.

Para Nogueira Batista, a complexidade técnica da unidade é uma das justificativas para o atraso. São mais de 2 mil equipamentos e 10 mil instrumentos de controle digital. O executivo disse ainda que após a entrega da fábrica funcionando pelo consórcio aos gestores da gás-química, "a curva de aprendizado (tempo necessário para alcançar o limite da capacidade de produção) é rápida".

Segundo a direção do grupo Suzano, o compromisso do consórcio de que o atraso não vai alterar a meta de produção para 2006, que é de 460 mil toneladas, já é uma forma de compensação. No ano seguinte, passará para 495 mil toneladas e chegará ao limite de 540 mil toneladas em 2007. Por intermédio da sua assessoria de imprensa, o grupo Suzano enfatizou que, pelo menos neste momento, "não se fala em ressarcimento do ponto de vista financeiro".

O BNDES, outro sócio e financiador do projeto, também relativiza os efeitos do atraso. Para os executivos do banco estatal, a tecnologia é nova no país e é normal que surjam problemas para iniciar a operação da primeira planta feita com essa tecnologia. As centrais de matérias-primas petroquímicas hoje existentes no Brasil utilizam a nafta, produto derivado do refino do petróleo, como insumo básico. O grupo Unipar, o outro acionista, não quis falar sobre o assunto.



Fonte: Valor Econômico
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