P&D
Redação TN Petróleo/Assessoria Coppe/RJ
Pesquisadores do Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC) da Coppe/UFRJ desenvolveram, em parceria com a Petrogal Brasil, uma ferramenta para inspecionar as tubulações de transporte de fluidos, como água, nos campos de exploração de petróleo. Chamada de Monitoramento Interno de Revestimento (MIRE), a tecnologia tem como finalidade identificar falhas nos revestimentos feitos de polietileno de alta densidade (PEAD), que é um tipo de polímero muito resistente e bastante usado em tubulações industriais.
As falhas em revestimento interno das tubulações de transporte de água, seja por corrosão, ou degradação, podem provocar uma série de danos à indústria do petróleo. De acordo com a coordenadora do projeto, a professora Gabriela Ribeiro, do Programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais (PEMM) da Coppe, entre os principais impactos está o entupimento dos tubos causado pelo descolamento do revestimento deteriorado. "Quando isso ocorre, é preciso interromper a produção do petróleo. Apesar de serem linhas que transportam água, estas tubulações são muito importantes, e se apresentarem problemas por falhas, elas param a operação nos poços, causando prejuízos", explica Gabriela.
A pesquisadora do LNDC, Marcella Grosso, diz que o novo dispositivo utiliza tecnologia de ultrassom multicanal que avalia a integridade das tubulações com esses revestimentos. "A inovação surge como uma solução para problemas recorrentes relacionados a falhas em tubulações que têm revestimentos de polietileno de alta densidade. Na indústria do petróleo e gás, aproximadamente 70% das falhas em tubulações são geradas pela corrosão e 58% dessas falhas são de origem interna, sendo umo grande problema neste setor", diz a pesquisadora do laboratório, que é ligado ao PEMM.
Os primeiros testes de campo do MIRE foram realizados por Marcella e pelo técnico Lucas Maciel, do LNDC, em uma plataforma do tipo FPSO (plataforma flutuante de produção de óleo e gás), com suporte técnico da Petrobras, em outubro de 2025. De acordo com os resultados obtidos, foi possível demonstrar a eficiência e o desempenho do sistema em ambiente operacional, confirmando o potencial da tecnologia para aplicação industrial.
Outra funcionalidade do MIRE é no monitoramento contínuo da taxa de corrosão na tubulação, uma vez que ele permite estimar a espessura da parede do tubo por meio da coleta de sinais ultrassônicos. Gabriela explica que, ao acompanhar a perda de espessura da tubulação ao longo do tempo — enquanto ela permanece exposta à corrosão interna —, é possível avaliar a evolução do processo corrosivo e estimar a vida útil da linha.
Tecnologia supera os desafios de monitoramento
O dispositivo MIRE foi criado pelos pesquisadores da Coppe para ultrapassar a difícil barreira de se inspecionar o que não pode ser visto: o interior de extensas tubulações. "Várias dessas tubulações são compostas por muitos metros de comprimento, não permitindo o acesso interno sem que se interrompa uma operação. Por tal motivo, é importante ter uma tecnologia que permita analisar a integridade pelo lado externo, e o nosso MIRE consegue fazer isso, mesmo com a tubulação em operação, com a passagem de fluido interno", explica Marcella.
Um grande diferencial do MIRE está no fato de que muitas técnicas existentes não conseguem obter informações do revestimento interno devido a espessura da parede de aço da tubulação. Além disso, como explica a pesquisadora, há também a questão relacionada à vibração e ruídos, e a presença de fluidos durante a operação, que dificultam a análise dos dados. "O MIRE consegue analisar tanto a tubulação fora de serviço (seca, sem fluido interno), como também em operação, com a presença de fluido, de ruídos e vibrações, que não são fatores de comprometimento de análise de sinal da nossa ferramenta. Para tanto, adotamos algoritmos que atenuam e aprimoram a qualidade dos nossos sinais obtidos", explica Marcella.
"A partir desta tecnologia conseguimos dizer se o revestimento interno está íntegro, ou seja, bem colado na superfície da tubulação; se está descolado (ainda presente na superfície interna da tubulação) ou se está desplacado (desprendido), que é quando não há mais o revestimento interno", conclui a pesquisadora.
O projeto de desenvolvimento da tecnologia no LNDC foi coordenado pela professora do PEMM, Gabriela Ribeiro, e contou com fomento da ANP, por meio da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I). Este é um fomento voltado para a pesquisa científica e inovação tecnológica no Brasil.
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