Previsão

País destinará R$ 767 bilhões para projetos de energia

Gazeta Mercantil
09/02/2009 02:09
Visualizações: 735

O Brasil precisará de investimentos de R$ 767 bilhões no decênio 2008-2017 para assegurar a expansão da infraestrutura e do mercado consumidor de energia. Os dados foram divulgados sexta-feira, quando o Planalto apresentou o seu Plano Decenal de Energia. Do valor total a ser investido, a maior parte - de R$ 536 bilhões - será aplicada no setor de petróleo e gás. O setor elétrico receberá aportes de R$ 181 bilhões, enquanto os recursos necessários para os biocombustíveis irão atingir R$ 50 bilhões.

 

Após os investimentos, a capacidade instalada de geração de energia do País passará dos atuais 102 mil MW para 153 mil MW, um incremento de 50%. Segundo o ministro da Minas e Energia, Edison Lobão, chegar a esse número é um desafio. “Essa projeção remete a necessidade de instalarmos mais 51 mil MW adicionais ao parque gerador do Brasil, nos próximos dez anos, uma média de 5 mil MW por ano, o que representa um grande desafio”, afirmou Lobão.

 

De acordo com o ministro, para que o Brasil consiga gerar 50% a mais de energia em dez anos o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será fundamental. Segundo ele, dos R$ 142 bilhões a mais que o programa irá receber, metade será usado para financiar projetos voltados para o setor de energia. Ou seja, o setor iria receber R$ 250 bilhões e com o novo aporte de recursos receberá R$ 321 bilhões.

 

Lobão afirmou que a prioridade do governo é investir em fontes renováveis, como a hidrelétrica e a eólica, porém ele não descarta a possibilidade de elevar o uso de térmicas, além de construir novas usinas nucleares, mais poluentes. Com o aumento no despacho das térmicas e a construção de usinas nucleares, a hidroeletricidade na matriz energética brasileira deverá cair de um percentual de 85%, em 2007, para 75% até 2017. “O ideal seria mantermos os mesmos percentuais de energia gerada a partir das hidrelétricas. Mas todos sabem o quanto é difícil aproveitar melhor o potencial hidrelétrico do País”, disse Lobão. O governo quer construir mais quatro usinas nucleares: duas na região Sudeste e duas na região Nordeste. E, segundo Lobão, a energia gerada a partir das térmicas irá contribuir para a manutenção da segurança energética no Brasil.

 

Analistas aprovam plano

 

O presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica (Abiape), Mário Luiz Menel da Cunha, acredita que o País precisa investir em energia nuclear, já que possui uma grande reserva de urânio. “O Brasil não deveria ficar fora disso”, declarou. Segundo ele, o cenário de referência projetado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é factível. “É preciso ter um crescimento do PIB na ordem entre 4% e 5% ao ano, assim é perfeitamente possível atingir os 51 mil MW”, afirmou Mário Menel.

 

Para João Carlos Mello, presidente da consultoria Andrade & Canellas, o novo Plano Decenal é satisfatório. “O estudo está adequado e melhor que os anteriores em termos de qualidade e informação”, avalia. “No Brasil, apesar da crise financeira mundial, o mercado continuará crescendo e isso é explícito no Plano”.

 

Mello comenta que o documento pode ter algum tipo de defasagem. “O estudo foi concluído no ano passado, antes de a crise estourar, mas isso não é problema já que o ano que vem haverá revisão dos números”, esclarece.

 

O executivo ressalta a importância de se ter um planejamento de longo prazo no setor de infraestrutura. “As obras de infraestrutura são grandes e muitas das que estão planejadas começarão a sair do papel só na próxima década, por isso é importante planejar”. Além disso, Mello ressalta a importância de o Brasil investir em infraestrutura, sobretudo em momento de crise. “Sem infraestrutura o País não consegue crescer”.

 

O Plano Decenal foi feito em um cenário de referência com a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estimada em 4,9% anuais. O presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, disse que as estimativas do PIB que constam no plano já sofreram uma redução - passaram de 5% para 4,9% -, mas ele não descartou a possibilidade de uma nova revisão ser realizada. “A revisão (do PDE) foi feita entre setembro e outubro. Em março, vai ser feita uma nova revisão com as projeções de consumo de energia, aí já teremos um cenário com a crise”, disse Tolmasquim.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
Energia Solar
Newave Energia e Gerdau inauguram Complexo Solar de Barr...
19/03/26
Combustíveis
Diesel chega a R$ 7,17 com conflito entre EUA e Irã, apo...
19/03/26
Petrobras
Museu do Petróleo e Novas Energias irá funcionar no préd...
19/03/26
Pesquisa e Inovação
MODEC impulsiona inovação e P&D com ideias que apontam o...
19/03/26
Etanol
Geopolítica e energia redesenham o papel do etanol no ce...
19/03/26
Energia Elétrica
Copel vence leilão federal e vai aumentar em 33% a capac...
19/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy: debates focam no papel estratégico do gás ...
18/03/26
Economia
Firjan vê início da queda da Selic como positivo para a ...
18/03/26
Internacional
Petrobras confirma nova descoberta de gás na Colômbia
18/03/26
Publicações
IBP fortalece editora institucional, amplia publicações ...
18/03/26
Macaé Energy
Acro Cabos de Aço participa da Macaé Energy 2026
18/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 consolida município como capital nacio...
17/03/26
Macaé Energy
Com recorde de público, feira e congresso do Macaé Energ...
17/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy debate segurança energética e inovação no s...
16/03/26
Macaé Energy
Firjan: congresso técnico é um dos pontos altos do Macaé...
16/03/26
Combustíveis
Etanol mantém leve alta no indicador semanal, enquanto P...
16/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23