Petroquímica

Novo ciclo de investimentos garante oferta até fim da década

Valor Econômico
21/12/2004 00:00
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Investimentos que somam cerca de US$ 1 bilhão, previstos para os próximos dois anos, vão dar um novo fôlego à indústria petroquímica brasileira.
Com isso, vão ser eliminados um dos principais gargalos do setor, o do limite da capacidade instalada, aliado a um movimento de aumento da demanda interna e mundial.
O novo ciclo de investimentos das empresas de segunda geração vai ampliar a oferta de algumas das mais importantes resinas termoplásticas usadas, como polietileno e polipropileno, pela indústria transformadora de plástico.
Os projetos - alguns já em implantação e outros anunciados - deverão atender a demanda até quase o fim desta década, reduzindo a necessidade de importação de resinas para completar o consumo dos transformadores.
Os dois projetos que prevêem a ampliação da oferta de polipropileno - usado pela indústria de embalagens para alimentos, entre outras aplicações - vão adicionar 550 mil toneladas anuais no mercado até 2007.
Isso representa cerca de 40% da capacidade atual da indústria, o que permite atender a demanda pelo menos até 2008. Os projetos, um da Polibrasil (empresa do grupo Suzano com a Basell) e outro que deve ser liderado pela Petrobras em sociedade com a Braskem, do grupo Odebrecht, somam cerca de US$ 300 milhões.
No caso do polietileno, outra resina com larga aplicação na indústria de plásticos, os investimentos em curso devem atender a demanda até 2009.
Vários empreendimentos estão acertados - a Rio Polímeros, no Rio, a expansão da Polietilenos União, no ABC paulista, e os projetos de ampliação de fábricas da Braskem prevêem o acréscimo de 870 mil toneladas.
A demanda, de acordo com projeções realizadas neste ano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), deve exigir uma oferta de 779 mil toneladas até 2009. Se não houver novos projetos na praça nem ampliações, apenas em meados de 2010 a balança comercial começa a ficar deficitária. Espera-se um consumo de quase 200 mil toneladas de polietileno no último ano desta década.
Mas a Braskem espera para 2005 a decisão sobre o pólo petroquímico na fronteira com a Bolívia - incluído no plano estratégico da Petrobras - onde prevê a construção de uma nova unidade de polietileno com capacidade de produzir 600 mil toneladas, dando fôlego à indústria.
Exceto na indústria de poliestireno, que ampliou sua capacidade na última década para suprir os setores de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, os fabricantes das demais resinas - PET e PVC - também seguem a mesma tendência de ampliação da oferta.
Depois da privatização, a indústria petroquímica brasileira ficou praticamente estagnada. Investiu-se muito pouco para ampliar a capacidade de suas fábricas em meio à paralisia dos novos projetos liderados pela Petrobras - principal fornecedor de matéria-prima - e ao cruzamento das participações acionárias dos grupos privados, que impediram o desenvolvimento do setor.
Nos últimos tempos, alguns projetos que estavam na fila há alguns anos começaram a sair da gaveta. Parado há seis anos, a Petrobras aprovou recentemente o suprimento de gás de refinaria para permitir a expansão da Petroquímica União (PQU) e consequentemente da Polietilenos União. Depois, a estatal deu o sinal verde para viabilizar a unidade de polipropileno em sociedade com a Braskem, outro projeto que estava parado há mais de sete anos.
"Estamos viabilizando os novos empreendimentos, agregando volumes e empregos", disse o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, encarregado de definir as principais diretrizes da estatal no setor petroquímico.
A estatal está elaborando um estudo, que deve ficar pronto no fim do primeiro semestre de 2005, para definir o desenho da indústria petroquímica para 2015 - na indústria petroquímica, os investimentos têm um prazo de maturação de 18 a 24 meses.
A ampliação da oferta virá no período em que os especialistas do setor chamam ciclo de alta dos preços dos produtos petroquímicos. Esse ciclo dará mais fôlego aos grupos nacionais, que vem registrando recorde no fluxo de caixa e nos lucros neste ano. "A recuperação das margens das empresas ficou em linha da petroquímica internacional", disse o presidente da Unipar, Roberto Garcia.

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