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Siderurgia

Mittal elege o Brasil para investir

09/10/2009 | 09h29

Há duas semanas, em reunião de planejamento estratégico global do comando executivo do grupo ArcelorMittal, o Brasil foi uma das três plataformas identificadas e eleitas para receber os investimentos da companhia após a crise econômica e financeira que afetou drasticamente a indústria do aço no mundo, principalmente nos países desenvolvidos. A segunda área escolhida foi a Índia e, a terceira, o segmento de mineração de ferro, a matéria-prima do aço.

 

A informação foi dada ao Valor por Aditya Mittal, herdeiro de Lakshmi Mittal, o chairman, principal executivo e controlador da ArcelorMittal, companhia criada em 2006 na maior fusão de ativos do setor. A gigante siderúrgica passou a fazer mais de 100 milhões de toneladas por ano. Mas, como a maioria de suas concorrentes no mundo, a empresa sofreu forte impacto da crise mundial, com retração de até 50% na produção durante o auge da crise - primeiro trimestre de 2009 -, aliada à queda de 40% nos preços.

 

Principal executivo de finanças (CFO) da companhia, membro da diretoria executiva e responsável pelo segmento de aços planos nas Américas, Aditya Mittal chegou ao Brasil na segunda-feira. Ele recebeu o Valor na quarta-feira na primeira hora de trabalho, em Vitória (ES), para sua primeira entrevista a um jornal brasileiro. Na sede da principal fábrica do grupo no país - a ArcelorMittal Tubarão -, ele informou que o plano de investimentos de US$ 5 bilhões para o país, anunciados antes da crise, começa a ser retomados desde já, para um período de sete anos. "Houve um certo atraso, mas o plano e a intenção continuam firmes".

 

"Nossos planos são bem maiores que isso, mas ainda não estão aprovados", observou Aditya. "Ontem, eu e os principais executivos no Brasil passamos o dia inteiro avaliando investimentos". A construção de uma nova siderúrgica de aço plano no país faz parte dessas análises - atualmente, a usina de Tubarão, considerada referência em desempenho operacional e gestão dentro do grupo, já faz 7,5 milhões de toneladas ao ano.

 

O executivo não forneceu detalhes, mas, perguntado, admitiu que o grupo está avaliando o projeto da Vale para erguer uma siderúrgica de 5 milhões de toneladas de placas (produto semiacabado) no Espírito Santo, na região de Anchieta, e a possibilidade de ser sócia. Trata-se um empreendimento previsto para iniciar operação em 2014, conforme informações da mineradora. "Estamos interessados em analisar projetos desse tipo, porém não não posso fazer mais nenhum comentário".

 

A situação econômica do Brasil, primeiro a sair da crise, deixa a ArcelorMittal confortável para pôr em prática seu plano de investimentos. "O país se empenhou muito bem durante a crise e creio que entrou numa nova fase de desenvolvimento. Isso faz a AcerlorMittal muito otimista sobre seu futuro aqui", afirmou. "Antes, quando havia uma crise econômica, o Brasil era impactado profundamente".

 

O plano do grupo abarca expansões da capacidade de produção de aços longos - usados principalmente na construção civil, indústrias e obras de infraestrutura - de três fabricas no país, duas em Minas e uma no Espírito Santo: João Monlevade (dobrar para 2,4 milhões de toneladas) e Juiz de Fora, com adição de 300 mil a 400 mil toneladas e um incremento na unidade de Cariacica (ES). O grupo também avalia ampliar a produção de aços elétricos na ArcelorMittal Inox, em Timóteo (MG).

 

Os programas de investimentos previstos para o Brasil - para exploração de petróleo das reservas ultraporfundas do pré-sal, Copa de 2014, Olimpíada de 2016, programas de habitação popular e outras obras de infraestrutura - prometem aumento na demanda por aço. Diante disso, Aditya disse que avalia uma nova expansão da ofertas de aços laminados a quente, cuja instalação foi duplicada no início deste ano. Mas não deu detalhes se será ampliação do laminador atual ou se será instalada nova linha de produção.

 

Em Minas, o grupo também analisa elevar a produção de sua mina de ferro Serra Azul, dentro da estratégia de elevar o índice de matérias-primas próprias. "Nosso alvo é ter de 60% a 70% de minério de ferro próprio para nossas usinas".

 

O foco da maior siderúrgica mundial é ter maior presença nos mercados emergentes. "É aí que a demanda vai crescer; por isso escolhemos Brasil e Índia para investir em novos projetos de expansão", disse Aditya. A China, cuja demanda está subindo 15% neste ano, deve ficar em 5% nos próximos anos. A seu ver, há espaço para ampliar o consumo chinês com aumento da industrialização do país.

 

Esses mercados, com a crise, neste ano devem responder por 80% do consumo global de aço. No caso da ArcelorMittal, bastante exposta na Europa e EUA, ficaram próximo de 50% no segundo trimestre. O executivo não falou sobre desempenho de julho a setembro porque está em período de silêncio até a divulgação do resultado, dia 28 deste mês. A usina de Tubarão, ainda com um forno parado, opera com os dois maiores à plena capacidade desde julho.

 

A recuperação da demanda global é ainda muito lenta nos mercados europeu e americano, que só devem voltar ao nível de 2008 a partir de 2011. Lá, a retração passou de 50% no auge da crise. Nos emergentes, sua previsão é de que isso ocorra já em 2010, pois neste trimestre as vendas já crescem 10% sobre o mesmo período do ano passado - o trimestre do aprofundamento da crise iniciada em setembro. "A demanda no mundo deve cair 10% neste ano, porém com previsão de subir no mesmo nível em 2010 sobre este ano".

 

Segundo Aditya, a ArcelorMittal conseguiu equacionar bem seu endividamento, com reestruturação de US$ 10 bilhões da dívida e levantamento de US$ 11 bilhões de capital novo. Há duas semanas, obteve empréstimo de US$ 1 bilhão com prazo de 30 anos e custo de 7%. "É o mesmo de maio de 2008", afirmou. No auge da crise, de setembro a janeiro, a empresa fez uma brutal redução dos custos fixos: US$ 10 bilhões. Diante dos rumores de que seus ativos no Brasil seriam vendidos para poder pagar a dívida, afirmou: "A ArcelorMittal do Brasil nunca esteve à venda". "E nunca estará", assegurou.



Fonte: Valor Econômico
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