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Desemprego

‘Existe uma preocupação do Supremo com a crise que assola o país', diz a desembargadora Maria Aparecida Pellegrina

04/10/2016 | 16h03

Hora de discutir mudanças. Por isso mesmo, a reunião do Conselho Superior de Relações Trabalhistas da Fiesp (Cort), na manhã desta terça-feira (4/10), destacou a atual insegurança jurídica na área trabalhista. Isso com a participação da desembargadora Maria Aparecida Pellegrina. O debate foi coordenado pelo presidente do Cort, Roberto Della Manna.

Para Maria Aparecida, há grandes turbulências quando o assunto envolve mudanças no âmbito trabalhista. “O desemprego se multiplica, com 12 milhões de desempregados, a inflação está além da meta, acima de 8% ao ano”, disse. “E os juros vigentes são incompatíveis com a renda da maioria das famílias e das empresas.”

Nesse cenário, a desembargadora defende a realização de reformas como a previdenciária e a trabalhista. “A reforma previdenciária deverá simplificar o sistema de recolhimento”, afirmou. “Nos Estados Unidos, por exemplo, é feito um único recolhimento de impostos, um tributo inclui tudo.”

Sobre aposentadoria, ela sugere a modificação de alguns benefícios existentes, como o regime especial destinado ao Legislativo, com rendimentos muito acima dos demais trabalhadores. “É insustentável e imoral manter esse tipo de situação.”

Sobre a reforma trabalhista, Maria Aparecida propõe o foco na negociação direta entre trabalhadores e empregados. E citou como exemplo o recurso extraordinário 895.759, de 12 de setembro de 2016. Decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, estabeleceu a prevalência do acordo coletivo diante da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) num caso de supressão de horas in itinere (aquelas que o empregado passa em deslocamento para o trabalho, com transporte fornecido pelo empregador) sobre a concessão de outros direitos no caso da Usina Central Olho D’Água, de Pernambuco, junto aos Sindicatos de Trabalhadores Rurais. “Ainda foi uma decisão individual do ministro Teori”, explicou. “Mas já indica a necessidade de reforma trabalhista.”

De acordo com a desembargadora, há outras questões a serem destacadas, como a terceirização de trabalhadores nas atividades-fim das empresas. “Existe uma preocupação do supremo com a crise que assola o país”, disse. “Precisamos estar atentos às exigências do mundo contemporâneo.”



Fonte: Redação/Agência Indusnet Fiesp
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