Rio Oil & Gas 2012

Especialistas discutem futuro do etanol no Brasil

País entre os maiores produtores e exportadores tanto de cana-de-açúcar quanto do próprio etanol.

Redação TN
17/09/2012 22:56
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Especialistas do setor de combustíveis e energia se reuniram nesta segunda-feira (17) no Pavilhão 5 do Riocentro para debater os rumos do etanol na matriz de combustíveis brasileira. País entre os maiores produtores e exportadores tanto de cana-de-açúcar quanto do próprio etanol, o Brasil enfrenta dificuldades para ajustar a produção e a demanda do álcool em relação à gasolina, mesmo com o crescimento do mercado de automóveis e a produção de carros flex.


O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, ressaltou as contradições que marcam o setor automotivo nacional: "A realidade brasileira hoje é ter um veículo que dá flexibilidade enorme ao consumidor e uma dor de cabeça semelhante a quem está envolvido no abastecimento".



Também participante do painel "Desafios do Mercado de Combustíveis para o Ciclo Otto no Brasil", o presidente da Dastargo, Plínio Nastari, falou sobre as perspectivas do setor sucroalcooleiro brasileiro e mundial, apresentando números que mostram o potencial da produção brasileira e os problemas que a indústria enfrenta nos últimos anos.



"O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo e o segundo maior produtor de etanol. E ocupa essa posição dedicando apenas um terço de sua produção às exportações. Internamente, o país chegou a um nível de substituição no ciclo Otto de até 44% em 2010", afirmou Nastari.



O alerta de Nastari é para a queda crescente da participação de mercado do etanol. O próprio percentual no ciclo Otto desceu para pouco mais de 31% até o meio deste ano.  As razões envolvem, entre outras, a alta de custos pela adaptação do setor a padrões sustentáveis e a diminuição da produtividade agrícola pelo desgaste de canaviais e maiores custos de mão de obra.  Nastari acredita, porém, que há medidas capazes de reduzir os prejuízos.



"Há a necessidade de se planejar o abastecimento com antecedência. Além disso, o retorno dos teores de mistura do etanol para 20% ou 25% já diminuiria em muito a necessidade de importação de gasolina e aqueceria o mercado. E a cana-de-açúcar é não só a biomassa mais produtiva, mas também a mais sustentável se comparada com o milho, beterraba ou outras culturas utilizadas nos outros países."     



O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, cobrou tratamento igual para as indústrias do álcool e do petróleo e também reforçou a necessidade de planejamento para o setor.   



"Se há uma política para repor as perdas do produtor de gasolina, que haja política semelhante com o etanol. O produtor não vai investir sem planejamento a longo prazo. É preciso investir em pesquisa para que haja ganhos de produtividade e redução de custos", disse Rodrigues.



Já o gerente-geral de Planejamento do Abastecimento da Petrobras, Arlindo Moreira Filho, defendeu a necessidade de encontrar um mercado mais amplo para o etanol, mas também relativizou as dificuldades do setor.



"Fica claro que há um aumento recente dos custos que dificulta a expansão do setor. Mas há também uma assimetria tributária que favorece o etanol em relação à gasolina. Existe um espaço enorme no Brasil para o aumento da eficiência da frota, inclusive com o consumo mais racional de energia", afirmou Moreira Filho.

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