Mercado

Crise azeda aniversário do etanol

Estadão
25/05/2009 03:37
Visualizações: 703

Os problemas financeiros que atingiram o setor sucroalcooleiro desde o aprofundamento da crise, em setembro do ano passado, estragaram a festa dos 30 anos do início de comercialização do etanol no Brasil, comemorados neste mês. Foi em maio de 1979, quatro anos depois do lançamento do Proálcool, que 16 postos da Petrobrás começaram a abastecer dois mil automóveis adaptados ao combustível. De lá pra cá, o produto passou por vários altos e baixos, como o desabastecimento da década de 80, que desmoralizou o setor por vários anos.

 


A partir de 2002, com o avanço das discussões em torno do Protocolo de Kyoto (acordo que estabelecia metas de controle dos gases causadores do efeito estufa a partir de 2008) e, mais tarde, com o lançamento dos veículos flex, o Proálcool foi revitalizado. Uma nova onda de investimentos favoreceu o setor e centenas de usinas foram construídas para elevar a produção nacional.

 


O etanol ganhou importância no contexto do esforço contra o aquecimento global e virou alternativa para a alta do petróleo. Investidores do mundo inteiro, inclusive do mercado financeiro, despejaram bilhões de dólares no País em novas plantas para produzir álcool. Mas a euforia deu lugar à frustração. Primeiro veio o bombardeio de críticas que relacionava o aumento da produção de biocombustíveis ao aumento de preços dos alimentos. Depois, a crise mundial.

 


Altamente endividadas no curto prazo, muitas empresas passaram a ter problemas de liquidez uma vez que o mercado de crédito mundial se fechou, destaca o presidente do Sindicato de Açúcar e Álcool de Minas Gerais, Luiz Custódio Cotta. Algumas companhias entraram com pedido de recuperação judicial, a exemplo do que ocorreu terça-feira com a Infinity, que detém dívida de R$ 1 bilhão.

 


Outras decidiram declarar, temporariamente, uma moratória com o Fisco. Sem recursos para capital de giro e até para pagar o salário dos funcionários, algumas empresas estão usando o dinheiro dos tributos para sobreviver, explica o diretor da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio Pádua Rodrigues. Segundo ele, porém, essa situação tem sido mais comum no Nordeste. “Sem acesso ao crédito, eles foram pedir um empréstimo-salário para o governo federal para honrar seus compromissos.”

 


Em São Paulo, maior produtor do País, a solução encontrada pelos usineiros foi inundar o mercado de combustível. A decisão derrubou o preço do litro do combustível para abaixo de R$ 1 em alguns postos da cidade, na semana passada. “Hoje estamos vendendo etanol abaixo do custo de produção”, afirma o presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), José Carlos Toledo.

 


Essa iniciativa, no entanto, pode ter consequências no futuro, afirmam os especialistas. Isso porque o preço do combustível estimula o aumento do consumo. O problema é que, com os prejuízos do etanol, a indústria decidiu elevar a produção de açúcar, cujo preço está mais atrativo no mercado internacional por causa da quebra de safra da Índia, que de exportadora passou a importadora este ano. Segundo Pádua, a produção do setor em 2009 será 45% voltada para o açúcar e 55% para o álcool. Em 2008, esses porcentuais eram de 40% e 60%, respectivamente. Os dois fatores somados - maior consumo de álcool e maior produção de açúcar - devem representar uma escalada do preço do combustível para o consumidor no segundo semestre.

 


Outro fator que jogou um balde de água fria nos planos dos investidores foi a dificuldade para abrir o mercado internacional para o etanol. Com queda do petróleo, as discussões diminuíram enquanto a produção aumentou. “O etanol não vai virar commodity num estalar de dedos”, diz Pádua. “Vai ocorrer, mas num prazo mais longo”.

 


Segundo ele, o que o setor precisa, no momento, é de uma política energética clara. “De tempos em tempos, o governo elege um tipo de combustível para incentivar. Na década de 70, foi o etanol, depois a gasolina. Mais tarde, decidiu-se pelo gás natural veicular.” A dúvida agora é se o pré-sal promoverá mais alguma mudança.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
Renovação das concessões de gás no Rio exige transparênc...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 antecipa grandes debates e inicia cont...
27/01/26
Gás Natural
Firjan: Rio de Janeiro consolida papel de "hub do gás" e...
27/01/26
Combustíveis
Petrobras reduz preços de gasolina em 5,2% para distribu...
26/01/26
Brasil-Alemanha
PMEs Go Green realiza ciclo de workshops gratuitos com f...
26/01/26
Etanol
Hidratado registra valorização no mercado semanal e diário
26/01/26
Logística
Terminais Ageo captam R$ 450 milhões em debêntures incen...
23/01/26
Petrobras
Alta eficiência amplia refino e aumenta produção de comb...
22/01/26
Combustíveis
IBP: Decisão da ANP garante segurança de abastecimento e...
22/01/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 174 mil barris por ...
21/01/26
Apoio Offshore
Fundo da Marinha Mercante destina R$ 2,3 bilhões à const...
21/01/26
Drilling
Navio-sonda Norbe IX, da Foresea, passa por manutenção p...
21/01/26
Biocombustíveis
Sifaeg destaca novo ciclo de investimentos e consolidaçã...
20/01/26
Navegação Marítima
Descarbonização: a nova rota do setor marítimo brasileiro
20/01/26
PD&I
CEPETRO e Universidade Tecnológica da PETRONAS desenvolv...
19/01/26
Pessoas
Zilor anuncia novo Diretor de Pessoas
19/01/26
Navegação
Petrobras e Transpetro assinam contratos do Programa Mar...
19/01/26
Etanol
Indicadores Cepea mostram etanol hidratado em alta no me...
19/01/26
Posicionamento IBP
Importação de biodiesel
16/01/26
Bacia de Campos
Brava Energia anuncia aquisição de 50% de participação n...
16/01/26
Biocombustíveis
Com R$ 6,4 bi em 2025, BNDES faz aprovação recorde de cr...
16/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.