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Mineração

Corte de produção até 2016 deve somar 230 milhões de toneladas, diz Goldman

21/10/2014 | 10h21

Ao menos 230 milhões de toneladas de minério de ferro deixarão de ser produzidas até 2016 em todo o mundo, com o fechamento de minas de altos custos de produção.

A previsão é de Christian Lelong, diretor executivo de commodities do Goldman Sachs.

Em passagem pelo Brasil, ele disse que o novo patamar de preço da commodity está tirando do mercado principalmente mineradoras chinesas, que devem ter redução de produção 130 milhões de toneladas até 2016.

Mas os cortes não chegam a equilibrar o mercado, já que existe um aumento bem mais expressivo da produção previsto para os próximos anos. Apenas na China, são esperadas 20 milhões de toneladas novas ao ano.

No Brasil e na Austrália, novos projetos vão adicionar cerca de 200 milhões de toneladas até 2016. "2014 será o primeiro ano de superávit no mercado global", afirma Lelong, autor do estudo "O fim da era do ferro", publicado em setembro.

"Enquanto a oferta de minério de ferro cresce entre 9% e 10% ao ano, o consumo e a produção de aço cresce de 2% a 3%. O excesso de oferta está crescendo três vezes mais do que a demanda", diz.

Com essa realidade, o setor terá empresas cada vez mais competitivas, eficientes e mecanizadas, diz Lelong.

E o mercado vai se acostumar com pilhas cada vez maiores de estoques de minério de ferro.

Neste ano, o Goldman calcula aumento de 23 milhões de toneladas apenas na China.

"E a tendência é de preços em queda", afirma. Lelong calcula um preço médio de US$ 102 por tonelada neste ano, US$ 80 no ano que vem e US$ 79 no ano seguinte. "Achamos que o mercado pode ter uma modesta taxa de deflação, de 2% ou 3% ao ano", diz. Ontem, o minério com teor de 62% de ferro foi negociado a US$ 81,20 por tonelada no mercado à vista da China. Neste ano, acumula queda de 39%.

No curto prazo, Lelong acredita que existe a possibilidade de o preço cair mais e se aproximar dos US$ 70 por tonelada se produtores com custos altos mantiverem o ritmo de produção mesmo com perdas. "Isso parece irracional, mas, na verdade, é racional. O fechamento de uma mina custa dinheiro. É preciso demitir funcionários e fazer acertos com fornecedores e clientes. Enquanto tiverem capital para financiar o negócio, mesmo perdendo, esses mineradores continuam a operar a não ser que não acreditem que voltarão ao lucro", afirma o especialista.

Lelong acredita, porém, que existe a possibilidade de outro cenário menos desafiador para as mineradoras, com um preço estabilizado em torno de US$ 80 por tonelada no curto prazo.

Considerando que o mercado melhore rapidamente, seria até possível um retorno da cotação para perto de US$ 100 por tonelada, diz. Para isso, seria preciso que a demanda chinesa cresça entre 4% e 5% no ano e que produtores fechem mais capacidade do que o previsto.

O Goldman calcula que os fechamentos de minas na China, principalmente na região da costeira, serão de 27 milhões de toneladas neste ano. Fora da China, há fechamentos já reportados na Indonésia e na Austrália, comenta.

Baseado em Sidney, Lelong acompanha de perto as operações na Austrália e acredita que além das grandes mineradoras locais - BHP Billiton, Rio Tinto e Fortescue Metals -, a brasileira Vale e outras empresas com grandes volumes de minério de boa qualidade vão se posicionar bem nessa nova realidade do mercado. Também vão suportar as novas exigências do setor as empresas chinesas que estão investindo em mecanização, afirma. "Esse grupo ficará bem. O segundo grupo, que é todo o resto, será mais vulnerável nos próximos anos".

Os investimentos em aumento de produção serão raros. "O período para investir em nova capacidade ficou para trás. Agora, a produção cresce após os investimentos dos últimos anos, e o preço não justifica novos projetos. No máximo, veremos expansões em unidades com baixas necessidades de capital".

Além de Brasil e Austrália, Chile, Peru e África investiram no passado e terão maiores produções nos próximos anos.

As expectativas de todas essas mineradores são de aumento da demanda na China. Atualmente, o país tem consumo per capita de cinco toneladas, bem abaixo das 13 toneladas nos Estados Unidos, segundo o especialista. "Uma família chinesa de três pessoas compra um carro novo a cada oito meses. Os prédios chineses têm vida de 30 a 35 anos, enquanto em países desenvolvidos duram 50 anos".

"Mas há muitas questões sobre quanto a China ainda pode crescer na próxima década. Muitos investidores estão céticos", afirma.

O aumento dos volumes de sucata de aço na China também gera preocupação. No cálculo do Goldman, até o fim desta década, a participação da sucata no suprimento de aço da China subirá para 15%, de 10% atualmente.



Fonte: Valor Online
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