Expansão

Comercializadoras miram a geração de biomassa

Gazeta Mercantil
26/02/2009 05:46
Visualizações: 187 (0) (0) (0) (0)

A expansão do interesse dos usineiros de cana-de-açúcar em investir na produção de energia elétrica está atraindo a atenção das empresas que comercializam eletricidade para os grandes consumidores do mercado livre, ambiente de negócio em que não há vínculo com uma distribuidora. “Sempre focamos a nossa compra de energia nas PCHs (pequenas centrais hidrelétricas), mas agora a intenção é comprar mais eletricidade de biomassa das usinas sucroalcooleiras”, diz Paulo Toledo, sócio-diretor da comercializadora Ecom Energia.

 


A empresa é a primeira do mercado livre (que representa 25% do total da energia consumida no Brasil) a abrir uma filial no interior de São Paulo a fim de intensificar a relação com o setor sucroalcooleiro. “Estamos montando uma estrutura em Catanduva, local em que há concentração de usinas”, afirma Toledo.

 

O executivo explica que a Ecom Energia tem uma “estrutura forte com as pequenas centrais hidrelétricas, que será mantida”. “Porém, queremos aumentar em 100% o volume comercializado de energia de biomassa, para cerca de 150 megawatts médios”, estima Toledo.

 

A comercializadora Comerc, que também já negocia energia de biomassa, vê na fonte de energia produzida a partir do bagaço da cana-de-açúcar e de outros produtos uma boa oportunidade para ampliação da sua carteira de oferta. “O potencial brasileiro nesta fonte é muito grande e precisa ser aproveitado”, diz Marcelo Parodi, presidente da Comerc. A empresa vendeu no ano passado 20 MW médios de energia de biomassa e este ano já tem contratado 34 MW médios. A perspectiva da Comerc é que este número chegue, ainda em 2009, em pelo menos 80 MW médios.

 

Segundo estudo do Instituto Acende Brasil, com os canaviais brasileiros existentes o País poderia gerar mais de 14.000 megawatts (MW). Hoje, a participação da biomassa na matriz elétrica brasileira é de 4,31%, sendo 3,25% oriunda da cana-de-açúcar (1,5 mil MW médios), produzidos por 263 usinas, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

 

Apesar da pouca representatividade na matriz do País, o crescimento geração a partir da biomassa é bastante significativo: entre 2005 e 2008, a eletricidade produzida a partir do bagaço da cana-de-açúcar cresceu 20%.

 

Fontes que se completam

 

Os executivos lembram ainda a complementaridade que há entre a fonte hidrelétrica e a biomassa de cana. “A PCH gera energia o ano inteiro, porém com mais intensidade no período úmido (de novembro a abril). A biomassa, por sua vez, só produz eletricidade durante o período de safra (entre abril e dezembro), portanto uma complementa a geração da outra”, avalia Toledo.Parodi ressalta a importância da complementaridade. “Desta forma, nós, os comercializadores, podemos mesclar as fontes e vender blocos de energia de um ano”, diz o presidente da Comerc.

 

Mais incentivo

 

“As PCHs que entraram em operação até 2002 têm 100% de desconto no chamado custo do fio, o que estimula muito a comercialização da energia. Para as usinas de biomassa o desconto é de 50%, mas poderia haver um incentivo ainda mais forte para a participação da biomassa crescer no mercado”, diz Marcelo Parodi.

 

Toledo, da Ecom, concorda com Parodi. “A biomassa, assim como a PCH, é uma fonte alternativa e, por isso, tem o desconto do fio. Mas poderia ter mais um incentivo”, defende o diretor da Ecom.

 

Ajuda governamental

 

Para Toledo, as usinas mais novas, sobretudo as localizadas no Mato Grosso do Sul e Goiás, que estão com dificuldades de se conectar à rede devido à distância das linhas de transmissão e ao alto custo, deveriam ter auxílio do governo para a instalação dos fios. “Todo tipo de expansão no setor elétrico tem que ter auxílio do governo”, diz, para completar: “As linhas de transmissão, após alguns anos, acabam se tornando das distribuidoras por concessão. Portanto, a construção poderia ser por conta destas empresas”, comenta Toledo. O diretor da Ecom diz ainda que as distribuidoras poderiam ter alguma contrapartida como um subsídio para a cobrança da tarifa daquela região. “Se o governo subsidiar a tarifa, a distribuidora seria remunerada mais para frente”, afirma.

 

Não é mais subproduto

 

Toledo lembra que, “de dois anos para cá, a energia passou a fazer parte do portfólio das usinas sucroalcooleiras”. “Eletricidade não é mais um subproduto para os usineiros. Além de açúcar e álcool, eles também querem produzir energia”. O diretor da Ecom o setor de biomassa como promissor e potencial gerador de liquidez no mercado de energia. “Com os recentes aumentos no preço da energia, as usinas de cana descobriram mais um produto, que é a eletricidade”, reforça.

 

De acordo com a Associação Paulista de Cogeração de Energia (Cogen-SP), o setor sucroalcooleiro vai aplicar R$ 45 bilhões até 2015 em projetos de cogeração. “As usinas já começaram a investir em energia e o negócio para nós está cada vez mais rentável e interessante”, diz Toledo.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Bacia de Campos
Prio assina com a Equinor Brasil a aquisição de 60% dos ...
02/05/25
OTC HOUSTON 2025
Petrobras participa da OTC 2025, em Houston (EUA)
02/05/25
Rio de Janeiro
Porto do Rio de Janeiro atrai novo investimento privado ...
01/05/25
Combustíveis
Etanol e gasolina estão quedas nos preços em abril, apon...
01/05/25
Startups
Concluída a avaliação das startups inscritas na primeira...
01/05/25
OTC HOUSTON 2025
Profissionais do Grupo MODEC serão homenageados na OTC 2025
30/04/25
Pessoas
Paulo Cesar Montagner toma posse como 14º reitor da Unicamp
30/04/25
Etanol
Cana-de-açúcar tem produção estimada em 663,4 milhões de...
30/04/25
Captura de CO2
Impact Hub e Tencent lançam programa que disponibiliza a...
30/04/25
Resultado
Com recordes no pré-sal, Petrobras cresce 5,4% de produç...
30/04/25
Internacional
Petrobras apresenta oportunidades de investimento no set...
29/04/25
Royalties
Valores referentes à produção de fevereiro para contrato...
29/04/25
Biometano
TBG desenvolve projeto de Hub de Biometano para incremen...
29/04/25
Gás Natural
Comgás abre chamada pública para aquisição de gás natural
29/04/25
Pessoas
BRAVA Energia anuncia Carlos Travassos como novo Diretor...
28/04/25
OTC HOUSTON 2025
Indústria brasileira vai à OTC 2025 buscando ampliar sua...
28/04/25
Energia Elétrica
Mês de maio tem bandeira amarela acionada
28/04/25
Energia Elétrica
Prime Energy expande atuação em Minas Gerais
28/04/25
Resultado
PPSA encerra 2024 com lucro de R$ 28,8 milhões
28/04/25
Seminário
Estaleiro Mauá realiza Seminário Soluções e Inovações de...
28/04/25
Etanol
Hidratado e anidro fecham a semana em baixa
28/04/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

22