Mineração

Chinesa compra parte da MMX por US$ 400 milhões

Depois de um ano de conversas e cinco viagens de seus executivos à China, a MMX, empresa de mineração de Eike Batista, assinou ontem com a terceira maior siderúrgica chinesa, a Wuhan Iron and Steel (Wisco), um negócio de US$ 400 milhões. A Wisco vai adquirir

Jornal do Commercio
01/12/2009 07:30
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Depois de um ano de conversas e cinco viagens de seus executivos à China, a MMX, empresa de mineração de Eike Batista, assinou ontem com a terceira maior siderúrgica chinesa, a Wuhan Iron and Steel (Wisco), um negócio de US$ 400 milhões. A Wisco vai adquirir 21,52% da empresa brasileira de exploração de minério de ferro.

"No passado, meu pai abriu o mercado japonês para o Brasil. Há cinco anos, ninguém sabia o motor que a China iria se tornar. Agora nós criamos uma autopista com a China", afirmou o empresário Eike Batista, em uma alusão aos negócios feitos pelo pai, Eliezer Batista, nos tempos de criação da Vale.

Assim, Eike deixa claro que suas intenções junto aos investidores chineses são muito mais profundas que essa parceria inicial na MMX. No mesmo encontro, a EBX, controladora das demais empresas do grupo, assinou com a Wisco um entendimento para a construção de uma siderúrgica no Porto do Açu, no norte fluminense. Ainda não foi decidido o modelo da joint venture que vão formar, nem exatamente qual tipo de aço será fabricado, mas já se sabe que, no mínimo, de lá sairá uma produção de 5 milhões de toneladas. O investimento inicial é de US$ 5 bilhões. No negócio, a companhia chinesa ficará com 70% e a EBX com os outros 30%. A intenção é acelerar o processo de licenciamento para, já em julho do próximo ano, iniciar as obras.

"Estamos vendo com o banco de desenvolvimento chinês e com o BNDES a melhor estrutura para conseguirmos financiar o projeto, mas também estamos estudando alternativas no mercado de capitais", comentou Otávio Lazcano, presidente da LLX, empresa de logística do grupo, responsável pela construção do Porto do Açu, em São João da Barra.

Esses investimentos vêm mesmo a calhar, principalmente no caso do aporte já confirmado na MMX. Em alguns relatórios recentes, os analistas já começavam a chamar a atenção para o elevado endividamento da companhia, o que dificultava a capacidade de aumentar o investimento e, consequentemente, a produção. Com o investimento dos chineses somado ao que a empresa espera captar no mercado junto aos acionistas minoritários, a mineradora prevê chegar aos U$ 650 milhões.

"Esses US$ 650 milhões darão solidez ao balanço para continuarmos a melhorar o perfil da nossa dívida. Ao final do próximo ano, a dívida líquida estará positiva", afirma o diretor-presidente da MMX, Roger Downey.

Pela manhã, logo depois do anúncio, a empresa de Eike Batista foi um dos destaques de alta na Bolsa de Valores de São Paulo. As ações da MMX fecharam o dia com alta em torno de 3%, enquanto o indicador de desempenho médio das cotações dos papéis da bolsa, o Ibovespa, fechou com ligeira queda. minério garantido por 20 anos E m relação ao entendimento inicial, a grande mudança foi que a Wisco optou por entrar com uma maior participação na MMX S.A., a controladora, e não apenas na MMX Sudeste, como previsto. Um dos motivos estaria no interesse da empresa chinesa nas plantas da MMX no Chile, que ainda não produzem minério, mas que podem ser uma boa opção dada a possibilidade do transporte mais barato, via Oceano Pacífico.

Pelo contrato firmado, que passa a valer em abril, a Wisco tem garantido por até 20 anos o fornecimento de 50% do minério de ferro produzido na Unidade de Serra Azul do Sistema MMX Sudeste. Quando a Unidade de Bom Sucesso estiver produzindo, a companhia chinesa também terá tal preferência. Isso pode significar uma exportação anual de até 16 milhões de toneladas de minério. Os chineses terão dois assentos no conselho, mas nenhum direito a veto. "O mais importante é criar este laço de reciprocidade. Conseguimos chegar ao grande consumidor de minério de ferro do mundo", comentou Eike.

As perspectivas para o aumento da demanda no próximo ano estão mantidas, tanto que a expectativa da MMX é que se consiga negociar em 2010 um reajuste para o minério de 10% a 20%. Sobre a possibilidade da criação de uma "nova Vale" nesta segunda fase da história dos Batista, Eike esquivou-se de polêmicas e preferiu dizer: "há espaço para todo mundo."

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