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Química e Petroquímica

Braskem pede condições para ser mais competitiva

28/01/2014 | 09h45

 

O presidente da petroquímica Braskem, Carlos Fadigas, diz ser bem-vindo um pouco mais de desvalorização do real para ajudar a industria química a reduzir o déficit comercial que bateu os US$ 32 bilhões no ano passado, mas acha que é preciso mais que o cambio para melhorar a competitividade do setor.
No comando da maior petroquímica das Américas e segunda maior exportadora brasileira da área industrial, apenas atrás da Embraer, Fadigas aponta uma enorme diferença de preço da energia e de matérias-primas em relação aos Estados Unidos, e pede mais ação do governo nessas áreas também.
"Este ano mais discussão sobre política industrial será interessante, é preciso saber que tamanho e relevância de indústria o Brasil quer", afirmou em entrevista ao Valor à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).
Na sua avaliação, o panorama global da industria química tende a ser igual a 2013. A retomada do crescimento nos Estados Unidos e redução dos temores sobre a quebra na zona do euro basicamente vão manter o aumento de 3% anual na demanda mundial.
No Brasil, o executivo vincula os resultados a competitividade da industria como um todo. "Um terço da demanda nacional (de químicos) não é atendida pela industria local", diz, atribuindo em parte o problema ao câmbio.
Em 2013 a balança de manufaturados teve déficit comercial recorde de US$ 105 bilhões, dos quais um terço foi na industria química. Em cinco anos, o déficit comercial acumulado do setor manufatureiro somou US$ 370 bilhões, dos quais US$ 123 bilhões por parte da industria química.
"Entendo a preocupação do governo sobre o efeito do cambio na inflação, mas o cambio melhor é necessário, basta ver o tamanho do déficit comercial do setor industrial", afirmou.
Fadigas compara dados dos últimos dez anos para ilustrar a perda de competitividade da industria: entre 2003-13, o custo da mão de obra no país subiu mais de 100%, inflação 78% e o cambio saiu de R$ 3 por dólar para R$ 2. "O custo da mão de obra industrial triplicou em dólar, enquanto no concorrente (EUA) esse custo não chegou nem ao nível da inflação desde 2004", disse.
"Custo da mão de obra industrial triplicou em dólar; já nos EUA não chegou nem ao nível da inflação, desde 2004"
O executivo reconhece que o governo começou a agir, baixando o preço da energia e dando uma certa desoneração no caso das matérias-primas, mas continua sem resolver tudo. "A energia ainda está cara comparado aos EUA", exemplificou. O gás americano barato bate em petroquímica duas vezes. Primeiro, pelo preço da energia. E segundo, plástico é feito de gás. "Num setor onde 1% faz diferença, a matéria-prima americana custa 75% a menos do que a do Brasil".
Com relação a custos de logística, Fadigas informa que existe porto no país em que a Braskem gasta até R$ 20 milhões por ano só pagando multa na atracação de navios, por causa de congestionamentos. Quando o navio parte atrasado, ele vai pagar multa também no porto de destino. "É dinheiro que dava para investir em pesquisa e desenvolvimento", observa.
Fadigas nota que a industria americana está ganhando muito dinheiro e colocando forte pressão sobre o resto do mundo, "daí porque estamos tentando desenvolver complexos novos".
A companhia tem quatro frentes de ação atualmente. Primeiro, a aquisição da fatia majoritária da belga Solvay na fabricante de PVC Solvay Indupa, em uma operação que avaliou a Indupa em US$ 290 milhões, consolidando a posição da companhia em PVC no Brasil e na Argentina. O faturamento, que foi de R$ 40 bilhões em 2012, deve ser expandindo também com essa compra.
No México, o complexo petroquímico no Estado de Veracruz, em joint venture com o grupo mexicano Idesa, está no pico da construção, com 10 mil trabalhadores, 80 guindastes e até guarda de transito na obra para orientar o fluxo de caminhões. O complexo começa a operar em meados de 2015.
Dois outros estão em planificação, como os dos EUA para ficar próximo do gás barato americano. E do complexo petroquímico no Rio de Janeiro, com a mesma ideia de estar próximo do desembarque da produção que vem do pré-sal. "Isso vai deixar nossas mãos ocupadas quase até o fim desta década", afirmou. Em termos de resina, a produção da Braskem vai aumentar 50%.
Ao mesmo tempo, Carlos Fadigas espera definições de política industrial por parte do governo este ano, notando que a participação da manufatura no PIB declinou de 33%, em 1980, para 13% em 2012.

O presidente da petroquímica Braskem, Carlos Fadigas, diz ser bem-vindo um pouco mais de desvalorização do real para ajudar a industria química a reduzir o déficit comercial que bateu os US$ 32 bilhões no ano passado, mas acha que é preciso mais que o cambio para melhorar a competitividade do setor.

No comando da maior petroquímica das Américas e segunda maior exportadora brasileira da área industrial, apenas atrás da Embraer, Fadigas aponta uma enorme diferença de preço da energia e de matérias-primas em relação aos Estados Unidos, e pede mais ação do governo nessas áreas também.

"Este ano mais discussão sobre política industrial será interessante, é preciso saber que tamanho e relevância de indústria o Brasil quer", afirmou em entrevista ao Valor à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).

Na sua avaliação, o panorama global da industria química tende a ser igual a 2013. A retomada do crescimento nos Estados Unidos e redução dos temores sobre a quebra na zona do euro basicamente vão manter o aumento de 3% anual na demanda mundial.

No Brasil, o executivo vincula os resultados a competitividade da industria como um todo. "Um terço da demanda nacional (de químicos) não é atendida pela industria local", diz, atribuindo em parte o problema ao câmbio.

Em 2013 a balança de manufaturados teve déficit comercial recorde de US$ 105 bilhões, dos quais um terço foi na industria química. Em cinco anos, o déficit comercial acumulado do setor manufatureiro somou US$ 370 bilhões, dos quais US$ 123 bilhões por parte da industria química.

"Entendo a preocupação do governo sobre o efeito do cambio na inflação, mas o cambio melhor é necessário, basta ver o tamanho do déficit comercial do setor industrial", afirmou.

Fadigas compara dados dos últimos dez anos para ilustrar a perda de competitividade da industria: entre 2003-13, o custo da mão de obra no país subiu mais de 100%, inflação 78% e o cambio saiu de R$ 3 por dólar para R$ 2. "O custo da mão de obra industrial triplicou em dólar, enquanto no concorrente (EUA) esse custo não chegou nem ao nível da inflação desde 2004", disse.

O executivo reconhece que o governo começou a agir, baixando o preço da energia e dando uma certa desoneração no caso das matérias-primas, mas continua sem resolver tudo. "A energia ainda está cara comparado aos EUA", exemplificou. O gás americano barato bate em petroquímica duas vezes. Primeiro, pelo preço da energia. E segundo, plástico é feito de gás. "Num setor onde 1% faz diferença, a matéria-prima americana custa 75% a menos do que a do Brasil".

Com relação a custos de logística, Fadigas informa que existe porto no país em que a Braskem gasta até R$ 20 milhões por ano só pagando multa na atracação de navios, por causa de congestionamentos. Quando o navio parte atrasado, ele vai pagar multa também no porto de destino. "É dinheiro que dava para investir em pesquisa e desenvolvimento", observa.

Fadigas nota que a industria americana está ganhando muito dinheiro e colocando forte pressão sobre o resto do mundo, "daí porque estamos tentando desenvolver complexos novos".

A companhia tem quatro frentes de ação atualmente. Primeiro, a aquisição da fatia majoritária da belga Solvay na fabricante de PVC Solvay Indupa, em uma operação que avaliou a Indupa em US$ 290 milhões, consolidando a posição da companhia em PVC no Brasil e na Argentina. O faturamento, que foi de R$ 40 bilhões em 2012, deve ser expandindo também com essa compra.

No México, o complexo petroquímico no Estado de Veracruz, em joint venture com o grupo mexicano Idesa, está no pico da construção, com 10 mil trabalhadores, 80 guindastes e até guarda de transito na obra para orientar o fluxo de caminhões. O complexo começa a operar em meados de 2015.

Dois outros estão em planificação, como os dos EUA para ficar próximo do gás barato americano. E do complexo petroquímico no Rio de Janeiro, com a mesma ideia de estar próximo do desembarque da produção que vem do pré-sal. "Isso vai deixar nossas mãos ocupadas quase até o fim desta década", afirmou. Em termos de resina, a produção da Braskem vai aumentar 50%.

Ao mesmo tempo, Carlos Fadigas espera definições de política industrial por parte do governo este ano, notando que a participação da manufatura no PIB declinou de 33%, em 1980, para 13% em 2012.

 



Fonte: Valor Econômico
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