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Energia eólica

Brasil tem potencial técnico de energia eólica no mar de 700 GW, diz EPE

27/01/2020 | 09h11
Brasil tem potencial técnico de energia eólica no mar de 700 GW, diz EPE
Divulgação Divulgação

Segundo um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia o potencial técnico de geração de energia eólica do Brasil no mar é de 700 GW. O documento foi elaborado após seis processos de licenciamento ambiental para a construção de usinas eólicas no mar (eólicas offshore) terem sido abertos no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), todos em fase de licenciamento prévio.

Segundo o presidente da EPE, Thiago Barral, o estudo Roadmap Eólica Offshore Brasil, publicado ontem (23), é o "documento mais completo, sob o ponto de vista de planejamento", sobre essa fonte de energia produzida no mar feito no Brasil.

Segundo Barral, a EPE percebeu que havia lacunas de informação sobre as eólicas offshore e barreiras para que essa fonte de energia se apresentasse de forma competitiva no Brasil. O mapa se baseia em experiências no exterior, em especial na Alemanha, Reino Unido e China e aponta onde estão as barreiras e as possíveis linhas de ações para remover essas dificuldades. "Um raio X de onde estamos e para onde podemos ir", disse Barral. O próximo passo será identificar os investidores públicos e privados que podem desenvolver essas ações.

Potencial

O estudo da EPE apurou que quanto mais distante e mais profundo, maior é o potencial técnico de geração de energia eólica no mar e maior também o custo associado. Embora alguns países estejam explorando energia eólica a profundidades maiores, o mapa indica que a tendência é por profundidade da lâmina d?água de 50 metros. Nesses locais, o potencial técnico é de 700 GW.

O principal local para a instalação de eólicas no mar no Brasil é o Nordeste, com 68% de potencial de aproveitamento dos ventos no mar. A Região Sul também apresenta potenciais positivos, bem como o Sudeste, disse Barral.

Dos seis projetos com pedido de licenciamento prévio no Ibama, três mostram potencial de geração de 3 GW cada. São o Complexo Eólico Marítimo Jangadas, no Ceará; o Complexo Eólico Maravilha, no Rio de Janeiro; e o Complexo Eólico Marítimo Águas Claras, no Rio Grande do Sul, todos da empresa Neoenergia.

Fontes renováveis

Barral explicou que, da mesma forma que ocorreu na Europa, o interesse pela energia eólicas no mar está relacionado à busca de fontes renováveis para substituir os combustíveis fósseis, além da cadeia produtiva e da demanda crescente de energia. "A busca por fontes que não agravem problemas de poluição", disse.

Segundo o presidente da EPE, os custos para instalação de usinas eólicas no mar são mais elevados. Envolvendo distância, profundidade e tipo de fundação, entre outros fatores, no exterior, esses custos variam entre US$ 2 mil e US$ 6 mil por quilowatt (kw). Em moeda nacional, o investimento oscila entre R$ 8,7 mil e R$ 15,8 mil por kw, baseado na referência internacional. Em terra, o custo de implantação de uma usina eólica é de R$ 4 mil por kw. A capacidade instalada hoje das eólicas em terra é de 15 GW, informou o presidente da EPE.

Problemas

Barral explicou que um fator que eleva o custo é a conexão com o sistema na costa e sua integração com o sistema interligado. Outros problemas envolvem a adaptação da indústria nacional para atender à eólica offshore em termos de escala, ou seja, da maior dimensão para os equipamentos atualmente usados nas usinas em terra, a infraestrutura dos portos e embarcações para atender à demanda das eólicas offshore, assunto que poderá envolver a Marinha.

O presidente da EPE enxergou como positiva a abertura de consulta pública pelo Ibama sobre o licenciamento ambiental para essas usinas, tendo em vista o ineditismo no Brasil desse tipo de investimento. Ele avaliou que o fato de estarem no mar, a princípio, não traz nenhuma questão que não possa ser superada, mas admitiu que, como se trata de zonas costeiras que são mais populosas, poderá haver conflitos com outras áreas, como o turismo, mas que devem ser superados.

Segurança jurídica

Para Barral o ideal é que as eólicas no mar se integrem aos mecanismos aplicados às demais fontes de energia. Em relação ao arcabouço regulatório para dar segurança jurídica para o desenvolvimento de projetos offshore, ele indicou a necessidade de se trabalhar para aperfeiçoar a legislação. O modelo deve privilegiar a livre iniciativa.

Em razão do complexo logístico, o tempo de construção dessas usinas eólicas no mar pode se estender de dois a três anos e meio, com base na experiência internacional. Nas eólicas onshore (em terra), o prazo de conclusão é de um ano. Barral acentuou que a intenção do estudo é iniciar a discussão sobre o tema. "A ideia é dar uma contribuição, mostrando que é viável, apesar da complexidade". Ele acredita que as eólicas no mar são uma "possibilidade que pode surgir em um horizonte não muito distante".

O trabalho contou com parceria da Marinha, do Ibama e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e teve apoio do Banco Mundial (Bird), da agência de cooperação alemã e da Embaixada Britânica.

Divulgação



Fonte: Redação/Agência Brasil
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