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Petróleo

BP prepara troca na chefia para tentar superar crise

26/07/2010 | 09h43
O conselho da BP PLC está negociando a saída do diretor-presidente Tony Hayward, segundo pessoas a par da questão. É uma tentativa da combalida petrolífera de superar o desastroso vazamento de petróleo no Golfo do México que minou os esforços de Hayward de reformar a empresa nos últimos três anos.
 

O conselho de administração programou uma reunião para hoje para discutir e aprovar a saída de Hayward, disseram as pessoas, descrevendo a decisão como "mútua". Se isso acontecer, como se espera, o conselho deve nomear o diretor-gerente Bub Dudley para a presidência executiva amanhã, quando a empresa divulga os resultados do segundo trimestre. A medida colocará no comando da empresa britânica um veterano da casa que não apenas é americano como é da região afetada pelo derramamento.

O plano em mãos do conselho prevê que Dudley seja promovido em 1o de outubro, o que permitiria uma transição ordenada numa empresa que foi mergulhada na crise pela explosão e incêndio em 20 de abril que afundaram a plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México, matando 11 pessoas e provocando o pior vazamento de petróleo na história dos Estados Unidos.
 

Hayward continuaria no conselho até o fim do ano. O presidente do conselho, Carl-Henric Svanberg, que já chefiou a Telefon AB LM Ericsson, vai continuar no cargo. Como esperado, ele vai falar sobre os resultados da BP no segundo trimestre amanhã, quando a empresa anunciará um grande prejuízo e descreverá o enorme passivo legal decorrente do desastre ambiental.
 

Um porta-voz da BP disse: "Tony Hayward é o diretor-presidente e tem a confiança do conselho e da diretoria."
 

Embora o governo americano tenha deixado claro estar insatisfeito com a maneira como Hayward lidou com a crise, a decisão de substituir o executivo é uma "decisão para o conselho da BP", disse um funcionário da Casa Branca.
 

A saída de Hayward era amplamente esperada, diante da torrente de críticas que a resposta da BP à crise gerou. A maioria dos analistas, porém, esperava que ele ficasse até a conclusão do poço de alívio que vai fechar permanentemente o vazamento do poço.
 

Como uma nova tampa parece estar segurando o petróleo por ora, enquanto o poço de alívio é perfurado, as conversas entre Hayward e a BP se intensificaram na última semana, disseram as pessoas. Uma pessoa familiarizada com o assunto disse que durante algum tempo houve "uma discussão emergindo no conselho" sobre uma mudança na diretoria, mas que essa ideia "se cristalizou na última semana".
 

Hayward passou a semana avaliando se deveria pedir demissão "com honra, pelo bem da BP", disse uma pessoa a par de seu pensamento. Ainda assim, nas últimas semanas ele chegou a procurar dar indicações de que ainda está no controle, por meio de reuniões com governos estrangeiros e grandes acionistas.
 

Outra pessoa a par do processo disse que a mudança não tinha o propósito de ser vista como uma condenação de Hayward, nem estava ligada a qualquer investigação do acidente da Deepwater Horizon. Em vez disso, era um reconhecimento de que Hayward não era mais visto como capaz de resolver uma das tarefas mais cruciais da empresa: reparar a reputação dela e restaurar sua credibilidade no fundamental mercado americano, onde é a maior produtora de petróleo e gás.
 

De acordo com o relatório anual da BP, os contratos de emprego padrão da empresa podem ser encerrados a qualquer momento com o pagamento de um ano de salário, embora o comitê de remuneração possa considerar fatores mitigantes, "para reduzir a remuneração a um conselheiro que esteja saindo, quando apropriado fazê-lo".
 

Hayward recebeu 1,045 milhão de libras (US$ 1,6 milhão) em 2009, valor que subiu para 4 milhões de libras com os bônus. Ele pode negociar um pacote de rescisão melhor, porém, e terá direito a bônus em ações futuras de acordo com um contrato de incentivo de longo prazo.
 

Ontem, alguns analistas descreveram a saída de Hayward como uma perda dura mas provavelmente necessária, considerando o melhor desempenho financeiro da empresa antes do vazamento.
 

"Hayward transformou a BP e melhorou o desempenho operacional da empresa", disse Peter Hitchens, analista da corretora Panmure Gordon. "Mas acho que o conselho precisa de um bode expiatório e esse pode ser o diretor-presidente."
 

Hayward está nessa situação em grande parte por causa da enxurrada de críticas que enfrentou nos últimos três meses, tanto a respeito da maneira como a empresa lidou com a crise no golfo quanto pelo histórico ruim de segurança dela. Ele assumiu a BP em 2007, quando seu antecessor, John Browne, pediu demissão por causa de um escândalo envolvendo alegações a respeito de sua vida privada. Hayward prometeu tornar a BP uma empresa mais forte no cenário internacional, enxugando-a. A BP havia se tornado uma empresa difícil de administrar depois de uma série de aquisições, particularmente a da Amoco Corp., em 1998.
 

Desde o terceiro trimestre de 2009, a BP impressionou os analistas com uma série de bons resultados trimestrais. Mas tudo mudou às 7h24 de 21 de abril, quando Hayward recebeu um telefonema em Londres detalhando a explosão na noite anterior.
 

Dudley, de 54 anos, chegou a Londres na semana passada para ajudar a empresa a preparar-se para os resultados do segundo trimestre. No fim de semana, contudo, ele se tornou a escolha para a presidência executiva, embora Dudley não estivesse lutando pelo cargo, disse uma pessoa a par da situação.
 

O prestígio de Dudley aumentou nas últimas semanas, quando ele cuidou da delicada e ocasionalmente contenciosa relação entre a BP e o governo americano e de Estados afetados em várias áreas.
 

Outro ponto a favor de Dudley é que ele foi antes um alto executivo da Amoco, nome que alguns assessores recomendaram que a BP volte a utilizar para suas operações americanas.
 
 
O custo para a BP do derramamento foi enorme - e continua a crescer. Uma medida interna mostra que o trabalho submarino para conter o petróleo e o esforço para limpar a costa chega a cerca de US$ 100 milhões por dia. Isso não inclui a esperada enxurrada de pedidos de indenização, para os quais a Casa Branca pressionou a BP a formar um fundo de US$ 20 bilhões. A empresa fechou acordo na semana passada para vender US$ 7 bilhões em ativos.
 

O desastre foi custoso também de outras maneiras. As ações da BP caíram a menos da metade do valor desde o vazamento, o Congresso americano pressionou a empresa a pagar dezenas de bilhões de dólares em compensação adiantada e o presidente americano, Barack Obama, criticou Tony Hayward. Foi só ao concordar em suspender a distribuição de dividendos pelo restante de 2010 e em pagar US$ 20 bilhões ao fundo de compensação que a BP conseguiu acalmar a situação.


Fonte: Valor Online
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