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Bolsas vão exigir de empresas relatório de sustentabilidade

19/06/2012 | 14h00
Cinco bolsas de valores assinaram na segunda-feira (18) documento voltado à promoção de investimentos sustentáveis de longo prazo em seus mercados. Mesmo sem consenso sobre quem deveria liderar esse processo, as bolsas tomaram a iniciativa, com a expectativa de que investidores e as mais de 4.600 empresas listadas em seus mercados vão aderir a práticas de governança corporativa, social e ambiental (ESG, na sigla em inglês). Empresas brasileiras aproveitaram para divulgar uma carta com dez compromissos para o desenvolvimento sustentável e inclusivo.

A opinião do secretário-geral da Unctad (órgão das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento), Supachai Panitchpakdi, é compatível com a da presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana sobre o mercado brasileiro: os governos deveriam liderar a adoção de medidas como a obrigatoriedade de publicação anual de relatórios de sustentabilidade, para que investidores tenham mais consciência na hora de investir e possam transformar isso em exigência para as empresas.

A BM&FBovespa, a Nasdaq OMX e as bolsas de Joanesburgo, Istambul e Egito ressaltaram com a assinatura do acordo a importância do relatório de sustentabilidade, atualmente divulgada somente por 20 companhias no mercado brasileiro. A assinatura serve como uma mensagem para os governos que estão participando da Conferência Rio+20, de acordo com o diretor da Divisão de Investimento e Empresas da Unctad, Jorge Zhan. Seria a demonstração de que empresas e as bolsas já estão se comprometendo de "alguma forma com a sustentabilidade".

Panitchpakdi defendeu que todos os participantes do mercado devem estar mobilizados nesta direção. Mas ele acredita que esse movimento tem que ser liderado pelos governos, que devem participar da criação de regras e ser assertivos na forma de regular o investimento. A adoção dos princípios de ESG pelos próprios governos poderia inclusive evitar crises como a por que passa a Europa atualmente. "Princípios de sustentabilidade são também princípios de responsabilidade", afirmou.

A BM&FBovespa deverá, dentro de dois ou três anos, exigir como pré-requisito de listagem de empresas a publicação anual de relatórios de sustentabilidade, informou o presidente Edemir Pinto. Ele disse ainda não estar definido o modelo, mas poderá ser um requisito para abertura de capital ou para a listagem em níveis de governança corporativa, como o Novo Mercado. Em sua opinião, os órgãos reguladores poderiam ter um papel importante nesse processo.

Para Maria Helena, os reguladores já ficam muito assoberbados com questões de curto prazo para dar segurança aos mercados e, por isso, as questões de sustentabilidade não fazem parte da agenda de curto prazo da autarquia. "É difícil enxergar como prioridade absoluta na agenda do regulador de mercado em seu mandato estrito".

A rede de empresas brasileiras que integra o Pacto Global divulgou ontem, também durante o Fórum de Sustentabilidade Empresarial da Rio+20, documento assinado por 226 das cerca de 400 companhias nacionais que fazem parte da iniciativa lançada pelo ex-secretário-geral da Organização Nações Unidas Kofi Annan com a participação de agências da ONU.

As empresas se comprometeram, por exemplo, a melhorar a eficiência do uso de recursos naturais, gerar empregos dignos, definir metas concretas, relatar seus avanços na busca por maior sustentabilidade e influenciar e apoiar as políticas do governo brasileiro nessa área. Em contrapartida, os executivos pedem incentivos governamentais para o desenvolvimento de tecnologias e produtos sustentáveis.

"Qualquer setor nascente depende de estímulos. Cabe ao governo estimular os produtos mais renováveis", afirmou o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, para quem essas medidas podem ser tributárias e de regulação. Outras signatárias do acordo são Petrobras, Itaipu e CPFL Energia.

Na opinião do executivo, a adoção de uma cultura mais sustentável pode reduzir os custos das empresas, mas cabe também à sociedade decidir se paga mais caro por produtos sustentáveis a fim de remunerar iniciativas nesse sentido. O Pacto Global conta com 7.000 empresas associadas em todo o mundo, e pode excluir de seus quadros os grupos que não seguirem os princípios defendidos pela associação.


Fonte: Valor Econômico
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