Economia

Aquecimento da economia resulta em aumento nas importações

De janeiro a abril, as importações brasileiras somam US$ 71,328 bilhões, um aumento de 3,4% sobre o mesmo período do ano passado. Do lado das exportações, no mesmo período, o crescimento foi mais modesto, 2%. No acumulado do ano, as vendas externas somam US$ 74,646 bilhões.

Agência Brasil
03/05/2012 10:16
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A balança comercial brasileira registrou um superávit (exportações menos importações) de US$ 881 milhões em abril deste ano, informou na segunda-feira (2) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Segundo dados do governo, trata-se do menor saldo positivo para meses de abril desde 2002, quando o superávit foi de US$ 508 milhões.

No mês passado, as exportações somaram US$ 19,56 bilhões, com média diária de US$ 978 milhões - as mais altas deste ano, embora ainda estejam abaixo da média de US$ 1 bilhão por dia registrada em 2011. Já as importações somaram US$ 18,68 bilhões no mês passado, ou US$ 934 milhões por dia útil (também o maior valor de 2012).

O aquecimento da economia interna brasileira é o responsável pelo aumentos nos gastos em compras internacionais, avaliou na quarta-feira (2) o secretário executivo do MDIC, Alessandro Teixeira. “A dinâmica da economia interna tem sido mais forte que da economia externa. É normal que a importação continue elevada, já que importamos bens necessários para a produção de bens finais, que têm mantido a economia brasileira”, disse.

De janeiro a abril, as importações brasileiras somam US$ 71,328 bilhões, um aumento de 3,4% sobre o mesmo período do ano passado. Do lado das exportações, no mesmo período, o crescimento foi mais modesto, 2%. No acumulado do ano, as vendas externas somam US$ 74,646 bilhões.

Diante de um cenário de instabilidade econômica internacional, é “normal” que o Brasil sinta dificuldade nas exportações. “É normal que o front externo esteja com maior dificuldade porque (a economia) da Europa é ponto de interrogação, (economia) da Ásia é ponto de interrogação e Estados Unidos está se recuperando agora”, explicou Teixeira.

O secretário-executivo acredita que a meta de exportações de US$ 264 bilhões do governo para 2012 é compatível com o atual cenário. “Nossa previsão de aumento de 3,1% é realista com o cenário difícil. Nossa análise é muito pé no chão. Não é meta fácil, vamos ter que colocar esforço razoável, mas é meta factível. Se melhorar o cenário a tendência é melhorar ( a estimativa), acho difícil o cenário piorar”, disse. No ano passado, a meta foi US$ 257 bilhões.


Exportações brasileiras para Argentina caem 27% desde que barreiras comerciais entraram em vigor

Os dados do MDIC apontam que as exportações brasileiras para a Argentina caíram 27,1% em abril em relação ao mesmo período do ano passado.

A redução das compras argentinas de produtos nacionais tem preocupado o governo brasileiro, que negocia uma reunião com o governo argentino ainda este mês, informou Teixeira. “Não podemos negar que medidas que o governo argentino tem tomado têm afetado o comércio brasileiro. Sempre falamos que estávamos monitorando o cenário e, se aumentasse ou piorasse, teríamos uma reunião com os representantes argentinos”, lembrou.

Na média diária, os exportadores brasileiros venderam US$ 67,6 milhões para o país vizinho. A participação da Argentina nas compras brasileiras caiu de 8,7%, em 2011, para 6,9%, neste ano. A queda pode ser atribuída à intervenção prévia, por órgãos estatais, exigida para a entrada de qualquer produto no país, que tem sido feita desde 1º de fevereiro.

Teixeira destacou que é preciso conhecer os problemas que têm afetado a economia argentina antes de o Brasil tomar qualquer decisão. “A Argentina tem vivido uma situação econômica difícil. Acho que é legítimo o país defender sua indústria. Precisamos saber quais problemas a Argentina vêm enfrentando. Mas o nosso trabalho está mais para auxiliar a economia argentina, do que simplesmente tomar medidas punitivas ou tomar media que implique o acirramento da nossa relação”, explicou o secretário.
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