Internacional
Redação TN Petróleo/Assessoria
A geopolítica do petróleo vem demonstrando pela alta volatilidade nos preços desta commodity, face aos conflitos no Oriente Médio e tensões entre Países Desenvolvidos, que impactam na elevação dos preços na faixa de US$ 90 a 110/barril.
E o petróleo está sendo utilizado como instrumento de poder. Enquanto a OPEP+ tenta controlar a oferta, o Brasil está se consolidando como mais um grande produtor.
Principais Frentes da Geopolítica:
• Conflitos no Oriente Médio: especialmente o de Israel e Estados Unidos contra o Irã, geraram instabilidade no preço da commodity e no transporte, provocando a maior disrupção no fornecimento. No Brasil, por exemplo, os fretes marítimos já foram impactados em cerca de 65%, entre março e abril, na exportação de containers para o Mediterrâneo, e mais de 80% para o Golfo do Mexico.
• O "uso" do Petróleo: O produto para ser movimentado, vem se utilizando de novas rotas, que impactam e influenciam na volatilidade do mercado.
• OPEP+: Países produtores buscam aumentar o preço do barril do petróleo, pela redução da oferta, e de outro lado consumidores buscando uma maior estabilidade nos preços.
• Posição do Brasil: O país está com produção recorde em 2025 (crescimento de 12,3% segundo a ANP), e vem se destacando-se na produção do Pré-Sal.
• Tensão EUA x China: A rivalidade entre estas duas maiores potências consumidores de petróleo e gás natural, monitora de perto a demanda global, e influenciam o preço do petróleo.
Destaque para o Brasil
O Brasil atua como um "player" estratégico devido às suas reservas, potencial de produção de petróleo e gás natural, e potencial de exportação, sendo observado como um destino de investimentos na América Latina
O volume de reservas de petróleo no Brasil alcançou 17,488 bilhões de barris em 2025, o que representa expansão de 3,84% em relação ao ano anterior.
Esse volume indica que, se o Brasil não descobrisse mais petróleo e mantivesse o atual ritmo de produção, teríamos reservas suficientes para quase 13 anos.
Estas informações estão no Boletim Anual de Recursos e Reservas, divulgadas no dia10.04, pela ANP-Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, que regula o setor.
Então no Brasil, em 2025, para cada 100 barris de petróleo, foram provados 147 barris em reservas. Do total de reservas provadas no país, 82% estão no pré-sal, situada a mais de 7 mil metros de profundidade, abaixo de uma espessa camada de sal, que se estende de Santa Catarina ao Espírito Santo.
Como 13 anos é muito pouco no horizonte da atividade de Exploração e Produção, passa a ser mandatório para o Brasil, que as novas fronteiras exploratórias tenham seus resultados o mais urgente possíveis.
A principal nova fronteira exploratória de petróleo no Brasil é a Margem Equatorial, localizada entre o Amapá e o Rio Grande do Norte., com potencial para bilhões de barris, similar às descobertas na Guiana.
Outras fronteiras estão nas Novas Descobertas no Pré-Sal: o pré-sal continua sendo uma área fantástica, e agora com o anúncio de petróleo em Marlim Sul, na Bacia de Campos, em 2025/26. A perfuração ocorre com monitoramento ambiental, após o processo de licenciamento junto ao IBAMA, focando em segurança operacional e estudos de impacto.
Outra fronteira encontra-se na Bacia de Pelotas: área foi considerada uma nova fronteira, focada na expansão das reservas da Petrobras.
Em paralelo ao atendimento destas novas fronteiras, temos o desafio das energias renováveis. Portanto, vamos aumentar o esforço em exploração e produção de novas fronteiras, pois o petróleo que será utilizado em 2050 ainda precisa ser descoberto. E de outro lado, vamos usar a experiência brasileira para desenvolver bioprodutos e buscar novas fronteiras de energias renováveis.
Resumindo: em função da geopolítica atual do petróleo e gás natural, a exploração dessas novas fronteiras é vista como essencial para garantir a segurança energética do Brasil, e financiar a transição energética no período 2030/2050.
Sobre o autor: Ronald Carreteiro é coordenador de MBA da UCP/IPETEC, diretor adjunto da SOBENA, Vice Presidente do Conselho Cientifico e Estratégico do Cluster Naval, Coordenador do GT Cedemar sobre Descomissionamento da SEENEMAR RJ- Secretaria de Estado em Energia e Economia do Mar, ex-presidente do Estaleiro Estanave, ex-presidente da CNA-Companhia de Navegação da Amazonia, ex-diretor de Gás Natural e Alternativos Energéticos da Petrobras Distribuidora e CEO da Rona Assessoria.
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