The Wall Street Journal

Visão dos mercados sobre economia global vai do otimismo à angústia

Bolsas americanas caíram de novo ontem.

Valor Econômico
06/02/2014 10:45
Visualizações: 294

 

Visão dos mercados sobre economia global vai do otimismo à angústia
Uma série de eventos repentinos e adversos transformou, em questão de semanas, o forte otimismo sobre o crescimento da economia global este ano em uma profunda sensação de angústia nos mercados.
Os sinais de perigo são abundantes: declínio nas bolsas em todo o mundo, dados econômicos decepcionantes nos Estados Unidos e na China, aumentos acelerados das taxas de juros nos principais países em desenvolvimento e sinais de insatisfação em relação aos lucros das empresas. Essa combinação de fatores está emitindo alertas de que a recuperação da economia mundial pode não contar com uma base tão sólida quanto parecia no início de 2014.
Outro indicador importante, a estimativa de crescimento do emprego nos EUA em janeiro, será divulgado pelo Departamento do Trabalho amanhã. O relatório, como outros divulgados recentemente pelos EUA, pode oferecer indícios pouco claros sobre a direção da economia devido a peculiaridades relacionadas ao inverno severo no país, o que só gera mais incerteza quanto às perspectivas econômicas.
Os investidores têm debatido o que está por trás da repentina queda global nas ações. Entre as possíveis causas está a iniciativa do Federal Reserve, o banco central americano, de reduzir seu programa de compra de títulos de dívida, que estimulou os mercados em 2012 e 2013. Há também receios de que a crise nos emergentes seja contagiosa.
Muitos investidores começaram 2014 pensando que os EUA estavam prestes a finalmente superar seu lento crescimento em torno de 2% a ano. Mas dados sobre vendas fracas no setor de automóveis, manufatura e imóveis e sobre poucas contratações geraram dúvida quanto à viabilidade de um crescimento maior.
As bolsas americanas caíram de novo ontem, ainda que pouco. A Média Industrial Dow Jones encerrou o dia com baixa de 0,03%, para 15440,2 pontos. No ano, o índice acumula queda de 6,9%. O índice Nikkei, do Japão, acumula queda de 13% no ano e o índice Hang Seng, de Hong Kong, de 8,7%. Desde o início do ano, o Euro Stoxx 50 Index caiu 4,7% e o Ibovespa recuou 9,7%.
"Talvez os EUA não tenham um ano sólido como todos estavam esperando", disse Kenneth Rogoff, economista da Universidade Harvard.
Os economistas do J.P. Morgan previram um avanço no crescimento da economia global de 2,4% em 2013 para 3% este ano, graças à melhora nos países desenvolvidos. Em nota a clientes na última sexta-feira, eles disseram que podem ter interpretado mal o crescimento que está ocorrendo. "A economia global, no ritmo em que ia no fim do ano passado, estava de fato crescendo", disse o economista-chefe global do J.P. Morgan, Bruce Kasman. Agora, o cenário econômico parece mais arriscado que antes, segundo ele.
Dados decepcionantes sobre o crescimento da China, segunda maior economia do mundo depois dos EUA, também pesaram. E à medida que bancos centrais de países emergentes, incluindo Brasil, Índia, África do Sul e Turquia, aumentaram os juros para combater a inflação, suas próprias estimativas de crescimento diminuíram.
"Talvez a China tenha um crescimento muito mais lento. Talvez problemas em mercados emergentes que antes pareciam quatro ou cinco anos distantes estejam, em vez disso, quatro ou cinco meses à frente", disse Rogoff.
As taxas de juros também estão enviando sinais de angústia. O rendimento das notas de dez anos do Tesouro americano, que tende a cair quando o cenário para o crescimento econômico e a inflação fica sombrio, recuou de 3,04% ao ano no início de 2014 para 2,62%. O mesmo ocorreu com títulos de outros países.
As expectativas para as próximas ações do Fed também estão mudando. Em meados de 2013, quando o BC começou a dar sinais de que reduziria o programa de estímulo criado para manter as taxas de juros de longo prazo baixas, os investidores pensaram que o Fed estava próximo de elevar os juros conforme a economia se fortalecia. Agora, os investidores estão apostando que o Fed vai reagir à inflação baixa e ao crescimento moderado mantendo as taxas de juros de curto prazo próximas de zero por mais tempo.
O crescimento da economia dos EUA tem ficado estagnado desde o início da recuperação. Consumidores estão relutantes em gastar, em parte porque ainda estão pagando dívidas. As empresas estão resistindo a fazer investimentos e contratar. Depois de ver os EUA crescerem a uma taxa anualizada de 3,7% no segundo semestre de 2013, o Fed e muitos economistas do setor privado acreditaram que a economia americana poderia ter um bom avanço este ano.
"Essa aceleração no crescimento que vimos no fim do ano passado certamente foi bem-vinda. Mas a minha experiência [... ] com surtos semelhantes no passado recente sugere que pode ser cedo demais para classificá-lo" como uma aceleração de fato, diz Jeffrey Lacker, presidente da regional do Fed de Richmond. Ele prevê que a economia dos EUA cresça 2% este ano.
Algumas grandes multinacionais divulgaram recentemente que algumas de suas operações internacionais que mais crescem estão sendo afetadas. A Electrolux AB, fabricante sueca de eletrodomésticos, está entre as que vêm tropeçando em alguns mercados emergentes. "A demanda continua caindo na América Latina, principalmente devido à desaceleração no Brasil", disse numa teleconferência o diretor-presidente, Keith McLoughlin.
Depois de crescer 7,5% em 2010, o Brasil cresceu só 1% em 2012 e em torno de 2,5% no ano passado. Na terça-feira, foi divulgado que a produção industrial no país recuou 3,5% em dezembro ante novembro, o pior desempenho mês a mês desde 2008.

Uma série de eventos repentinos e adversos transformou, em questão de semanas, o forte otimismo sobre o crescimento da economia global este ano em uma profunda sensação de angústia nos mercados.

Os sinais de perigo são abundantes: declínio nas bolsas em todo o mundo, dados econômicos decepcionantes nos Estados Unidos e na China, aumentos acelerados das taxas de juros nos principais países em desenvolvimento e sinais de insatisfação em relação aos lucros das empresas. Essa combinação de fatores está emitindo alertas de que a recuperação da economia mundial pode não contar com uma base tão sólida quanto parecia no início de 2014.

Outro indicador importante, a estimativa de crescimento do emprego nos EUA em janeiro, será divulgado pelo Departamento do Trabalho amanhã. O relatório, como outros divulgados recentemente pelos EUA, pode oferecer indícios pouco claros sobre a direção da economia devido a peculiaridades relacionadas ao inverno severo no país, o que só gera mais incerteza quanto às perspectivas econômicas.

Os investidores têm debatido o que está por trás da repentina queda global nas ações. Entre as possíveis causas está a iniciativa do Federal Reserve, o banco central americano, de reduzir seu programa de compra de títulos de dívida, que estimulou os mercados em 2012 e 2013. Há também receios de que a crise nos emergentes seja contagiosa.

Muitos investidores começaram 2014 pensando que os EUA estavam prestes a finalmente superar seu lento crescimento em torno de 2% a ano. Mas dados sobre vendas fracas no setor de automóveis, manufatura e imóveis e sobre poucas contratações geraram dúvida quanto à viabilidade de um crescimento maior.

As bolsas americanas caíram de novo ontem, ainda que pouco. A Média Industrial Dow Jones encerrou o dia com baixa de 0,03%, para 15440,2 pontos. No ano, o índice acumula queda de 6,9%. O índice Nikkei, do Japão, acumula queda de 13% no ano e o índice Hang Seng, de Hong Kong, de 8,7%. Desde o início do ano, o Euro Stoxx 50 Index caiu 4,7% e o Ibovespa recuou 9,7%.

"Talvez os EUA não tenham um ano sólido como todos estavam esperando", disse Kenneth Rogoff, economista da Universidade Harvard.

Os economistas do J.P. Morgan previram um avanço no crescimento da economia global de 2,4% em 2013 para 3% este ano, graças à melhora nos países desenvolvidos. Em nota a clientes na última sexta-feira, eles disseram que podem ter interpretado mal o crescimento que está ocorrendo. "A economia global, no ritmo em que ia no fim do ano passado, estava de fato crescendo", disse o economista-chefe global do J.P. Morgan, Bruce Kasman. Agora, o cenário econômico parece mais arriscado que antes, segundo ele.

Dados decepcionantes sobre o crescimento da China, segunda maior economia do mundo depois dos EUA, também pesaram. E à medida que bancos centrais de países emergentes, incluindo Brasil, Índia, África do Sul e Turquia, aumentaram os juros para combater a inflação, suas próprias estimativas de crescimento diminuíram.

"Talvez a China tenha um crescimento muito mais lento. Talvez problemas em mercados emergentes que antes pareciam quatro ou cinco anos distantes estejam, em vez disso, quatro ou cinco meses à frente", disse Rogoff.

As taxas de juros também estão enviando sinais de angústia. O rendimento das notas de dez anos do Tesouro americano, que tende a cair quando o cenário para o crescimento econômico e a inflação fica sombrio, recuou de 3,04% ao ano no início de 2014 para 2,62%. O mesmo ocorreu com títulos de outros países.

As expectativas para as próximas ações do Fed também estão mudando. Em meados de 2013, quando o BC começou a dar sinais de que reduziria o programa de estímulo criado para manter as taxas de juros de longo prazo baixas, os investidores pensaram que o Fed estava próximo de elevar os juros conforme a economia se fortalecia. Agora, os investidores estão apostando que o Fed vai reagir à inflação baixa e ao crescimento moderado mantendo as taxas de juros de curto prazo próximas de zero por mais tempo.

O crescimento da economia dos EUA tem ficado estagnado desde o início da recuperação. Consumidores estão relutantes em gastar, em parte porque ainda estão pagando dívidas. As empresas estão resistindo a fazer investimentos e contratar. Depois de ver os EUA crescerem a uma taxa anualizada de 3,7% no segundo semestre de 2013, o Fed e muitos economistas do setor privado acreditaram que a economia americana poderia ter um bom avanço este ano.

"Essa aceleração no crescimento que vimos no fim do ano passado certamente foi bem-vinda. Mas a minha experiência [... ] com surtos semelhantes no passado recente sugere que pode ser cedo demais para classificá-lo" como uma aceleração de fato, diz Jeffrey Lacker, presidente da regional do Fed de Richmond. Ele prevê que a economia dos EUA cresça 2% este ano.

Algumas grandes multinacionais divulgaram recentemente que algumas de suas operações internacionais que mais crescem estão sendo afetadas. A Electrolux AB, fabricante sueca de eletrodomésticos, está entre as que vêm tropeçando em alguns mercados emergentes. "A demanda continua caindo na América Latina, principalmente devido à desaceleração no Brasil", disse numa teleconferência o diretor-presidente, Keith McLoughlin.

Depois de crescer 7,5% em 2010, o Brasil cresceu só 1% em 2012 e em torno de 2,5% no ano passado. Na terça-feira, foi divulgado que a produção industrial no país recuou 3,5% em dezembro ante novembro, o pior desempenho mês a mês desde 2008.

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