Exportação

Venda de navio infla saldo comercial

Valor Econômico
19/10/2004 00:00
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Os dados sobre o desempenho das exportações serão elevados artificialmente devido a uma operação de efeitos meramente estatísticos, na primeira quinzena de outubro. O registro, na segunda semana de outubro, foi inflado pela venda de um navio-plataforma, por US$ 461 milhões à Petrobras pelo programa de incentivo à indústria naval brasileira, que permite a venda de embarcações e equipamentos do setor de petróleo pelo sistema de "exportação-ficta" (fictícia), com as isenções de impostos atribuídas às exportações normais.
As importações feitas pelo Brasil, pela primeira vez, ultrapassaram a média diária de US$ 300 milhões (ficaram em US$ 321,5 milhões). Só o efeito estatístico nos dados sobre exportações impediu uma queda maior no saldo do comércio exterior, como previa o governo. Com 10 dias úteis em outubro, a balança comercial acumula um saldo de US$ 1,7 bilhão - dos quais mais de um quarto se deve ao registro da venda do navio-plataforma de US$ 461 milhões.
O registro como venda externa do negócio com o navio-plataforma não é irregular, e foi apontado pelo próprio Ministério do Desenvolvimento, para alertar contra interpretações equivocadas. O mesmo acontecia, no passado, quando empresas como a Varig e Transbrasil devolveram aeronaves compradas em sistema de leasing - operação contabilizada como exportação. Por causa da venda, na segunda semana de outubro a média diária das exportações subiu para US$ 510 milhões. Na semana passada, já superado o efeito estatístico, a média diária das exportações caiu para US$ 397,5 milhões, valor ainda assim superior à média do primeiro semestre.
Se descontado o efeito do navio, a média diária das exportações de outubro, até o fim da semana passada chega a US$ 419 milhões, número só inferior ao de setembro e ao recorde de junho. Fortes aumentos nas vendas de carnes (59% em relação a outubro de 2003), petróleo (36%), produtos químicos (42%), calçados (36%) e produtos de fumo (96%) mais que compensaram as quedas nas vendas de bens como soja (-8,3%), minérios (- 21,7%) e suco de laranja (- 61,4%), tradicionais na pauta do país.
A média diária das importações vem crescendo gradativamente, e, com a alta de 16,3%, em relação às duas semanas anteriores, na terceira semana do mês, chegou a US$ 294,5 milhões. Os maiores aumentos, acima de 80%, são em combustíveis e insumos para agricultura.

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