Exportação

Valorização do real preocupa ABB

Valor Econômico
18/02/2005 00:00
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A continuidade da expansão das vendas da ABB ao exterior depende de o dólar voltar a subir, segundo o presidente do grupo sueco-suíço no Brasil, Joakin Olsson. A receita das exportações cresceu 93,33% no ano passado e a expectativa inicial de Olsson era obter incremento de 30% no resultado deste ano.
Ao acrescentar os Estados Unidos entre os principais destinos das vendas externas, a companhia conseguiu, em 2004, total de R$ 174 milhões em encomendas de outros países. Boa parte do reforço veio da nova fábrica de transformadores, em Blumenau (SC), voltada a atender o mercado norte-americano.
"Para continuarmos exportando é essencial que a taxa de câmbio volte a outros níveis", destaca Olsson. No Brasil há cerca de um ano, o executivo evita prever qual seria a taxa de câmbio ideal. No planejamento de produção de 2005, a empresa trabalhava com a cotação de R$ 3 para cada dólar.
Olsson também não arrisca dizer o tamanho do fôlego da ABB para continuar aumentando os contratos ao exterior com a taxa de câmbio nos níveis de hoje.
As exportações foram o principal impulso para o faturamento da companhia no ano passado. Depois de sofrer uma queda na receita no exercício anterior, a ABB do Brasil obteve crescimento de 14,7% no faturamento de 2004, num total de R$ 952 milhões. A ABB não divulga o resultado financeiro no Brasil, mas Olsson diz que a subsidiária passou do prejuízo em 2003 para o lucro em 2004.
Se o dólar preocupa, os programas de investimento dos principais clientes no mercado interno animam a direção da ABB a esperar um crescimento de mais 15% no faturamento de 2005.
"Há um forte aquecimento nos setores de siderurgia, mineração, metalurgia e de papel e celulose", destaca o diretor superintendente em tecnologias de automação da ABB, Ricardo Hirschbruch. O executivo aponta, ainda, os planos da Petrobras em novas plataformas.
Apesar das preocupações em torno das medidas por meio das quais o governo tenta evitar inflação, como a alta dos juros, Hirschbruch explica que grandes projetos de investimentos dos setores que precisam de equipamentos de energia já estão em andamento. Segundo ele, mesmo os setores que operam com capacidade ociosa estão investindo em melhorias de processos.
E se em 2004 o resultado positivo foi sustentado pela exportação, para este ano Olsson conta desempenho favorável pela combinação dos mercados interno e externo.
Somente a fábrica de Blumenau, construída para atender o mercado externo, terá 445 empregados em 2006, quando a empresa pretende concluir o investimento de R$ 19 milhões nessa planta. A ABB, que começou a atuar no Brasil com o fornecimento de equipamentos elétricos para o bondinho do Pão de Açúcar, no Rio, iniciou 2005 com 3.557 funcionários, divididos em cinco fábricas.
A demanda aquecida no mercado interno facilita os projetos de investimentos de empresas globais como a ABB, segundo o presidente da companhia. "O mercado interno é a chave do planejamento porque é mais imune às oscilações do câmbio", explica Olsson.
A subsidiária brasileira da ABB comemorou ontem os resultados positivos do balanço financeiro mundial. Depois de amargar prejuízo de US$ 779 milhões em 2003, o grupo fechou 2004 com lucro líquido de US$ 201 milhões. Os ganhos antes das impostos, juros depreciação e amortização taxas, triplicaram para US$ 1,084 bilhão.
O endividamento foi reduzido de US$ 2,678 bilhões para US$ 1,334 bilhão e a receita global do grupo somou US$ 20,721 bilhões. "Esses resultados dão à companhia oportunidade de investir em países em que acredita, como é o caso do Brasil", destaca Olsson.

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