Mercado

Usiminas planeja abrir unidade em Rio Grande

A Usiminas estuda a possibilidade de abrir um centro de serviços junto ao polo naval de Rio Grande. O objetivo será aproximar a produção e distribuição de placas de aço para a construção de cascos de navios no local. Isso possibilitaria

Jornal do Commercio
01/10/2009 08:14
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A Usiminas estuda a possibilidade de abrir um centro de serviços junto ao polo naval de Rio Grande. O objetivo será aproximar a produção e distribuição de placas de aço para a construção de cascos de navios no local. Isso possibilitaria agilizar a produção e reduzir desperdícios e custos com estocagem de produtos, a partir da agregação de valor no mesmo local de consumo.

Os investimentos nessa unidade são estimados entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões, e possivelmente teriam início após 2010. A Petrobras encomendou a construção de oito cascos em Rio Grande para os próximos sete anos. “O estaleiro de Rio Grande despontará com as encomendas para o pré-sal”, disse o diretor-presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, ontem em palestra promovida pela Associação do Aço do Rio Grande do Sul.

A aproximação das cadeias de valor é uma tendência em portos e estaleiros no Brasil e no mundo. No Japão, por exemplo, a redução de sistemas de verticalização possibilita um índice de desperdício de apenas 9% de materiais de aço, enquanto no Brasil este número é de aproximadamente 35%. Uma das unidades de negócios que seriam incluídas ao Centro de Serviços seria a Usiminas Mecânica, que fabricaria bloco, aço e outras peças.

No Estado, a empresa mineira tem unidade em Porto Alegre, onde comprou a planta da Zamprogna em dezembro passado por R$ 160 milhões, e possui estruturas em Cachoeira e Caxias do Sul. Além do setor naval, a Usiminas vê no Rio Grande do Sul oportunidades de negócios nos segmentos metalmecanico e moveleiro, por exemplo.

Quanto ao mercado brasileiro, Castello Branco prevê uma queda de 24% no consumo de aço neste ano em relação ao anterior. Para 2010, a expectativa é de que o mercado nacional amplie a absorção de aço em até 15%, chegando a 11 milhões de toneladas. As ameaças, neste aspecto, são as importações de aço possibilitadas pela redução de taxas governamentais.

“As importações, que já são 20% do consumo brasileiro, desagregam a cadeia de produção do País”, observou o diretor. Outra crítica recai sobre a taxa de câmbio, que dificulta uma concorrência equilibrada com empresas estrangeiras tanto pelo mercado brasileiro quanto pelo  internacional.

A Usiminas tem executado um movimento de recuperação das margens, em queda desde o início da crise internacional. No segundo semestre deste ano, o lucro da empresa recuou 63%, derrubando os resultados de todo o primeiro semestre. Resultado da queda nos preços de itens variados, como de US$ 800 na tonelada de placa de aço no ano passado para US$ 360 a tonelada. Ainda assim, os investimentos da companhia estão previstos para R$ 2,3 bilhões em 2009 e R$ R$ 3,5 bilhões em 2010. Alguns dos principais aportesserão na incorporação de tecnologia para fabricar peças para o mercado de pré-sal.

Embora compradores estejam reclamando de reajustes nos preços da Usiminas, Castello Branco argumenta que esta é uma redução gradativa dos descontos oferecidos em meio à crise. Há apontamentos de altas de 10% nos valores.

Com a volta da demanda, deverá ser verificada uma falta de aço no mercado especialmente para a indústria de base. “Algumas matérias-primas, como minério de ferro, já estão em falta no mercado”, alertou o diretor-presidente.

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