Indústria naval

Transpetro financiará 46% dos novos petroleiros

<P>A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, decidiu ampliar de 20% para 46% sua participação no financiamento das obras de construção de seus 26 navios petroleiros, que serão armados a um custo de US$ 2,483 bilhões no mercado brasileiro. A estatal conseguiu, desta forma, reduzir ...

Jornal do Commercio
01/04/2007 21:00
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A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, decidiu ampliar de 20% para 46% sua participação no financiamento das obras de construção de seus 26 navios petroleiros, que serão armados a um custo de US$ 2,483 bilhões no mercado brasileiro. A estatal conseguiu, desta forma, reduzir as exigências de garantias de empréstimo sobre os estaleiros, que passam a ser responsáveis por 54% do financiamento das obras.

Os empréstimos eram um dos empecilhos para assinatura dos contratos de construção dos navios. As obras serão financiados pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), administrado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, explicou que o aumento da participação da estatal também reduzirá os custos financeiros dos empréstimos.

Os riscos do empréstimo à Transpetro são inferiores aos dos estaleiros, o que permite redução dos juros cobrados pelo banco, explica Machado, afirmando que o aumento de participação também mostra confiança da estatal no programa de construção de navios no Brasil. Neste modelo, o BNDES aprovou na última sexta-feira o financiamento ao estaleiro Rio Naval.

No próximo dia 11, a Transpetro assinará o segundo contrato da primeira fase de seu programa. A estatal encomendará nove navios petroleiros ao estaleiro Rio Naval, localizado no bairro do Caju, no Rio de Janeiro, por US$ 866 milhões. A cerimônia contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador do Rio, Sérgio Cabral, além do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

O estaleiro construirá cinco navios aframax (petroleiro de óleo cru com capacidade de até 120 mil toneladas de porte bruto) e quatro navios panamax (petroleiro de óleo cru com capacidade de até 80 mil toneladas de porte bruto). Os navios aframax terão preço médio de US$ 103,5 milhões cada. Já os navios panamax terão preço médio de US$ 87,44 milhões por unidade.

O Rio Naval foi declarado vencedor da licitação em junho do ano passado, mas uma série de empecilhos atrasou a assinatura do contrato. Entre eles, a arquitetura do financiamento da construção dos navios no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a oferta de garantias para esse financiamento e questionamentos do Tribunal de Contas de União (TCU).

Segundo o diretor do Rio Naval, Carlos Gomes, o estaleiro passará por processo de modernização e absorverá tecnologias da Hyundai, que dá suporte técnico ao projeto. Em paralelo, começará a executar o projeto de detalhado dos navios, de forma a entregar a primeira unidade em dois anos. O Rio Naval, localizado no antigo Ishikawajima, fará investimento de US$ 16 milhões a US$ 20 milhões.

Vamos modificar o estaleiro na medida em que as obras avançarem, afirma o diretor. A construção começará pela etapa de oficina, onde as chapas dos navios são cortadas. Nesse caso, serão investimentos em equipamentos de soldagem, por exemplo. Depois, começa a construção dos blocos e, por fim, a edificação do navio. Nessa última etapa, vamos recuperar guindastes do estaleiro.

Financiamento - O consórcio do estaleiro, inicialmente formado por MPE (80%), Sermetal (10%) e Iesa (10%), passou recentemente por mudanças, de forma a facilitar obtenção de financiamento no BNDES. O Grupo MPE passou a deter 90% do controle do projeto e o Sermetal ficou com os 10% restantes. O controlador da Iesa, o grupo Inepar, teria dívidas com o banco, o que estaria dificultando o financiamento.

Está tudo resolvido com o BNDES. Alguns detalhes estavam para serem acertados, mas nenhum impeditivo. Inclusive porque, caso contrário, não poderíamos assinar os contratos. A questão do seguro-garantia também foi trabalhada pelo grupo no mercado. Estamos agora na expectativa da assinatura dos contratos, afirmou o diretor, estimando em 4 mil a geração de postos de trabalho.

O primeiro contrato foi assinado no começo deste ano com o Estaleiro Atlântico Sul, localizado em Suape (PE), também com a presença de Lula. Controlado por Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Aker Promar, o estaleiro irá construir 10 petroleiros do tipo suezmax (navios de 160 mil toneladas de porte bruto). As unidades estão orçadas em US$ 1,209 bilhão, uma média de US$ 120,85 milhões por petroleiro.

O Estaleiro Atlântico Sul está em construção no Complexo Industrial de Suape a um custo de US$ 238 milhões, dos quais 90% devem ser financiados pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM). Inicialmente, estão sendo aplicados R$ 10 milhões com recursos próprios dos controladores, uma vez que pendências burocráticas do BNDES, agente financeiro do FMM, atrasaram a liberação dos recursos.

O mercado aguarda agora a assinatura de contratos com os estaleiros Mauá Jurong (RJ) e Itajaí (SC), que venceram a licitação da estatal para construção de navios de produtos e gaseiros, respectivamente. O primeiro construirá quatro navios por US$ 277 milhões, utilizados no transporte de derivados de petróleo. O segundo irá construir três navios de transporte de gás liqüefeito por US$ 130 milhões.

Maior armador da América do Sul, a Transpetro possui frota de 46 petroleiros e afreta os demais de terceiros, a casco nu. Em 2006, nessa modalidade, foram contratados o Navion Stavanger (suezmax) e mais duas embarcações, que serão recebidas ao longo deste ano. Uma unidade flutuante de transferência e estocagem (FSO) e um navio de apoio do tipo AHTS também fazem parte da frota.

A Petrobras gasta anualmente US 1,2 bilhão no afretamento de navios, valor pago a armadores estrangeiros. Com os navios encomendados pela Transpetro, ela deverá gastar anualmente US$ 200 milhões a menos em arrendamento de navios a partir de 2008, quando todas as embarcações estarão em operação. A primeira unidade será entregue em 2009, segundo estimativa da estatal.

Fonte: Jornal do Commercio

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