Petróleo

Traders estimam crescimento zero no consumo de petróleo

Redação/Boletim SCA
06/03/2020 13:15
Traders estimam crescimento zero no consumo de petróleo Imagem: Divulgação Visualizações: 1126

A epidemia de coronavírus levou os maiores comerciantes de petróleo do mundo a cortar suas projeções de crescimento da demanda mundial para os níveis mais fracos desde a crise financeira, com muitos apostando que o consumo permanecerá estável, ou mesmo diminuirá, em 2020. Ontem, o barril do Brent fechou a U$ 49,99, com queda de 2,22%.

Vitol, Trafigura e Gunvor, que juntas movimentam quase 15 milhões de barris/dia, esperam estagnação de demanda ou crescimento marginal neste ano. Elas alertam que o consumo poderá mesmo encolher se o vírus não for contido rapidamente e continuar prejudicando a atividade econômica.

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Consultorias já reduziram bastante as previsões para o crescimento da demanda mundial por petróleo em 2020. Mas as projeções dos negociadores envolvidos mais de perto com o mercado pressionarão mais a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e a Rússia para que cheguem a um acordo para cortes profundos na produção na reunião de dois dias que vem realizando para tentar interromper a queda do preço do petróleo de US$ 70 o barril para US$ 50 desde janeiro.

A Opep chegou a um acordo preliminar ontem para reduzir a produção em 1,5 milhão de barris/dia juntamente com seus aliados, mas ainda precisará garantir o apoio da Rússia hoje.

"Estamos mais perto do crescimento zero na demanda por petróleo para 2020 do que jamais imaginamos que chegaríamos", disse Bem Luckock, diretor adjunto de comercialização de petróleo da Trafigura, afirmando que o impacto do vírus foi maior que o previsto por muitos analistas. A Trafigura avalia que a demanda será bem afetada no primeiro semestre, recuperando-se mais para o fim do ano. "O sistema levará um tempo para filtrar isso, mas a situação poderá se desastrosa para a demanda em março", disse Luckock.

Desde o começo do mercado comercial de petróleo no século XIX, quedas na demanda anual foram raras, com contrações geralmente limitadas às recessões, como em 2008, ou havendo picos dramáticos nos preços, como os ocorridos nos embargos ao petróleo árabe na década de 70. A demanda atingiu recorde de 100 milhões de barris/dia em 2019 e, antes da epidemia do coronavírus, a expectativa era de que aumentaria pelo menos 1 milhão de barris/dia neste ano.

Torbjorn Tornqvist, presidente executivo da Gunvor, disse que a demanda mundial já caiu cerca de 2 milhões de barris/dia no primeiro trimestre por causa do impacto do coronavírus e de um inverno ameno no Hemisfério Norte.

"Continua sendo difícil saber qual é o impacto da propagação do vírus sobre a demanda porque muita coisa depende de se ela será contida nesta primavera [no Hemisfério Norte] quando as coisas começarem a se normalizar", disse Tornqvist. "Mas por enquanto esperamos uma pequena contração ou um crescimento muito brando para o ano como um todo."

A Vitol, maior negociadora independente de petróleo do mundo, acredita que a demanda a China caiu até um terço, ou 4 milhões de barris/dia, no pico das paralisações impostas pelo governo. A companhia agora prevê a demanda por petróleo aumentando menos de 0,5% neste ano, se muito, na esteira das restrições em menor escala que deverão ser impostas na Europa e América do Norte.

Mesmo que o vírus seja contido até o terceiro trimestre e governos implementem medidas suficientes de estímulo econômico, a companhia espera apenas "um crescimento marginal da demanda por petróleo na melhor das hipóteses neste ano", disse Giovanni Serio, diretor global de análises da Vitol. "Se a propagação do vírus não puder ser interrompida, a situação vai piorar e poderemos ver uma queda da demanda por petróleo."

A Arábia Saudita está pressionando os países do chamado grupo Opep+ para que acertem o maior corte na produção desde a crise financeira de 2008-2009. O corte de 1,5 milhão de barris/dia aconteceria além do corte de 2,1 milhão de barris/dia acertado em dezembro, mas o plano enfrenta a oposição da Rússia, que prefere estender o programa atual de cortes até o fim do ano.

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