Após negociação intensa, os trabalhadores portuários que haviam invadido o navio chinês Zhen Hua 10, na madrugada de segunda-feira (18), deixaram a embarcação, que está atracada no cais da Embraport, na Ilha Barnabé, no Porto de Santos, no final da tarde de terça-feira (19). Três barcos foram utilizados na desocupação, que aconteceu de forma pacífica. As embarcações foram escoltadas pela Capitania dos Portos e Polícia Federal (PF).
Um acordo, firmado entre o Sindicato dos Estivadores, Sindicato dos Operários Portuários e a Embraport, irá garantir a utilização dos trabalhadores no descarregamento dos equipamentos - três portêineres, equipamentos usados na remoção de cargas dos navios, e 11 transtêineres, utilizados para movimentar a carga já desembarcada - que estão no navio. Esse trabalho estava sendo realizado por trabalhadores chineses, o que motivou a invasão ao navio.
Agentes da PF permaneceram a bordo do Zhen Hua 10 para negociar a saída pacífica dos trabalhadores. Cogitou-se a retirada deles à força da embarcação, caso houvesse resistência.
Em nota, a Embraport confirmou o acordo com os sindicatos e trabalhadores, e esclareceu que é absolutamente infundada a alegação de que teria contratado profissionais chineses para o desembarque e a montagem dos equipamentos de seu terminal.
A empresa disse ainda que, estes procedimentos são realizados pelo fabricante dos equipamentos e seus funcionários, conforme exigência contratual do fornecedor, aspecto esclarecido desde o primeiro momento da negociação com os sindicatos. Excepcionalmente, neste caso, a Embraport contratará equipe de trabalhadores avulsos para o acompanhamento do desembarque dos equipamentos.
O terminal portuário da Embraport, um investimento de R$ 2,3 bilhões, ainda não tem movimentação de cargas.
Invasão
A invasão teve início às 3h20 de segunda-feira. Cerca de 50 trabalhadores chegaram de barco ao cais da Embraport, invadiram o navio e não permitiram a continuidade do trabalho de descarregamento dos equipamentos, que é feito por trabalhadores chineses.
A medida foi tomada porque a empresa não requisitou profissionais do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) do Porto de Santos para realizar o trabalho executado pelos asiáticos.
A retirada dos equipamentos deve durar aproximadamente 22 dias.