Etanol

Brasil pode mais que dobrar produção de etanol até 2040 impulsionado pelo aumento do blend na gasolina, transporte marítimo e inovações tecnológicas

Novas aplicações em navegação, indústria e logística devem impulsionar demanda por combustíveis renováveis.

Redação TN Petróleo/Assessoria Instituto MBCBrasil
03/06/2026 11:09
Brasil pode mais que dobrar produção de etanol até 2040 impulsionado pelo aumento do blend na gasolina, transporte marítimo e inovações tecnológicas Imagem: Divulgação Copersucar Visualizações: 611

O Brasil pode ampliar significativamente sua produção de etanol até 2040, impulsionado pelo aumento da mistura de etanol na gasolina, pela expansão da frota híbrida flex e por novas aplicações industriais e logísticas do biocombustível. Os dados, obtidos a partir de estudo da consultoria LCA, foram o pondo de partida para a entrevista com o presidente da Copersucar, Tomás Manzano (foto), em participação no podcast Conexão MBCBrasil – A Mobilidade em Pauta, do Instituto MBCBrasil.

Durante a conversa, Manzano destacou que poucos países conseguiram estruturar uma cadeia de biocombustíveis com a escala, a eficiência logística e a maturidade tecnológica alcançadas pelo Brasil ao longo das últimas décadas.

"Nós conseguimos desenvolver uma solução economicamente viável, em escala e com baixo carbono. Isso cria oportunidades para levar o etanol para outros mercados que podem adotar a mistura na gasolina, ampliando a segurança energética", afirmou.

O tema ganha relevância em meio ao avanço das discussões globais sobre transição energética e redução de emissões em setores considerados de difícil descarbonização, como navegação e transporte pesado.


Etanol ganha espaço além dos automóveis

Durante a conversa, foi destacado que o etanol brasileiro já ultrapassa o papel tradicional de combustível automotivo e passa a ocupar posição estratégica em diferentes cadeias industriais. O uso do biocombustível na aviação sustentável e na navegação também deve abrir novas frentes de expansão para o produto.

Segundo Manzano, somente a adoção parcial do etanol no setor marítimo pode representar um novo mercado equivalente a praticamente toda a produção brasileira atual.

"A navegação responde por cerca de 3% das emissões globais e precisa de alternativas viáveis. O etanol hoje aparece como uma das soluções mais competitivas em custo-benefício e intensidade de carbono", explicou.


Biometano avança como substituto do diesel

Outro destaque do encontro foi o potencial do biometano produzido a partir de resíduos da cadeia sucroenergética.

O combustível é obtido por meio da biodigestão de resíduos orgânicos da cana-de-açúcar e pode substituir tanto o diesel utilizado em operações agrícolas quanto o gás natural fóssil consumido pela indústria.

Segundo o executivo da Copersucar, o setor sucroenergético brasileiro consome grandes volumes de diesel em colheita, transporte e operações industriais. A substituição parcial desse consumo por biometano pode reduzir significativamente a intensidade de carbono do etanol brasileiro.

"O biometano descarboniza economizando. Você substitui um combustível fóssil por um combustível de fonte renovável, produzido dentro da própria usina", afirmou.

O potencial no país também é considerado elevado. Segundo estimativas da Abiogás, a produção nacional de biometano pode chegar a cerca de 120 milhões de m³ por dia. Segundo Manzano, esse volume é equivalente ao consumo diário de diesel ou de gás natural fóssil no Brasil.

Exemplo prático da viabilidade do uso do biocombustível é a BioRota, maior operação de logística sustentável movida a biometano do Brasil. A iniciativa da Copersucar foi apresentada ao mercado recentemente, com números relevantes: em dois anos de operação, já são mais de 70 caminhões movidos a biometano transportando produtos da companhia, substituindo 5 milhões de litros de diesel e evitando a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO₂.


Internacionalização do modelo brasileiro

Entre os exemplos citados para expansão do uso do etanol globalmente estão países como Argentina e Índia, que estão ampliando programas de mistura de etanol na gasolina e a adoção de veículos flex.

A avaliação é que mercados emergentes podem acelerar a redução de emissões utilizando estruturas já existentes de abastecimento de veículos a combustão, sem depender exclusivamente da eletrificação total da frota.

"O grande diferencial do Brasil é ter desenvolvido uma solução acessível, escalável e adequada à realidade socioeconômica de países em desenvolvimento", destacou o presidente do Instituto MBCBrasil, José Eduardo Luzzi. 

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