Inovação

Sistema para piscina pode ser usado em usinas de energia

Valor Econômico
25/04/2011 10:07
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Como o mundo agora está dolorosamente ciente, manter usinas nucleares perto do mar é brincar com fogo. A maioria das usinas de energia, independentemente do combustível usado, precisa de volumes imensos de água para resfriar o vapor usado para acionar turbogeradores. Quando as coisas saem errado, como o vazamento de água contaminada da usina japonesa de Fukushima Dai-Ichi no oceano Pacífico, as consequências podem ser assustadoras.
 
 
Fernando Fischmann, bioquímico e empresário chileno do setor de construção, pode ter encontrado uma forma de usar sistemas de filtragem de piscinas - sim, piscinas - para resfriar as usinas de forma mais eficiente e eliminar a necessidade de instalá-las perto de fontes naturais de água.
 

A Crystal Lagoons, empresa de Fischmann, projeta grandes lagoas em estações turísticas por todo mundo, como a de Algarrobo, no Chile, que tem 19 acres e que aparece no livro Guinness dos recordes como a maior piscina do mundo. Usando o que aprendeu com sua empresa, sediada em Santiago, Fischmann acredita que sua tecnologia pode dar conta dos milhões de litros de água que são bombeados diariamente nas usinas tradicionais de energia.
 

Cerca de 40% da eletricidade gerada nos Estados Unidos vem de usinas que usam a água de lagos, rios ou oceanos e devolvem a água aquecida, o que prejudica a vida aquática. Esse é um dos motivos pelos quais as usinas podem ser prejudiciais em termos ecológicos, mesmo sem desastres como o de Fukushima. A água que passa pela usina também precisa ser limpa, para não sujar os equipamentos.
 
 
O sistema de filtragem de Fischmann usa ultrassom para aglomerar as partículas de sujeira, simplificando sua remoção. Um injetor computadorizado rastreia o crescimento de algas e bactérias e lança produtos químicos quando detecta seu desenvolvimento. "Você tem a mesma qualidade de água que a das piscinas, com cem vezes menos produtos químicos", diz Fischmann. Algumas usinas usaram reservatórios gigantes de resfriamento por décadas; Fischmann diz que seu sistema reduzirá o tamanho necessário, o que significa custos menores de construção e manutenção. O hidrólogo Tim Diehl, da Agência de Inspeção Geológica dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), diz que o sistema poderia funcionar em centenas de usinas nos EUA. "Claramente, seria possível readaptar sua tecnologia", diz. "Ela não é apenas para novas construções."
 

Fischmann, que estudou bioquímica na Universidad de Chile, em 1981, não usou seu aprendizado até 1997, quando o projeto de uma estação turística em que trabalhava passou a enfrentar problemas. Sua principal atração, uma lagoa para natação com seis acres, havia ficado verde, afetada pelo desenvolvimento de algas. Fischmann montou um laboratório em um prédio vazio no resort e projetou o sistema de limpeza da Crystal Lagoons. Ele diz que sua empresa, de 60 funcionários, é lucrativa; o Boston Consulting Group deu à companhia uma avaliação de mercado de US$ 1,8 bilhão, em 2009. O empresário espera assinar contratos com duas grandes empresas de energia, cujos nomes não revela, em um ano. "Essas duas empresas ficaram interessadas de imediato", conta. "Levei muito mais tempo para encontrar construtoras interessadas nas piscinas normais da Crystal Lagoons." 
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