FEPE

PRECISAMOS DE P&D DE LONGO PRAZO - Entrevista com Isabel Waclawek, Especialista em Inovação e Tecnologia do Senai-SP e presidente da SPE Brasil Section.

Redação TN Petróleo/Assessoria FEPE
09/03/2026 14:10
PRECISAMOS DE P&D DE LONGO PRAZO - Entrevista com Isabel Waclawek, Especialista em Inovação e Tecnologia do Senai-SP e presidente da SPE Brasil Section. Imagem: Divulgação Visualizações: 1006

Quem afirma isso é Isabel Wacławek, que consolidou uma trajetória de destaque na indústria de energia, especialmente na TotalEnergies, onde se tornou referência na articulação entre ciência, tecnologia e estratégia corporativa. Com mais de 30 anos de experiência no setor de O&G em projetos multidisciplinares de P&D desenvolvidos no Brasil e na França, desde fevereiro ela ocupa a posição de "Especialista em Inovação e Tecnologia" no SENAI-SP.

Reconhecida por sua capacidade de transformar P&D em valor real para o negócio, ela defende modelos de governança capazes de equilibrar urgências sociais e apostas científicas de longo prazo. 

“O Brasil precisa operar em duas velocidades: projetos de impacto imediato e pesquisa de longo prazo”, afirma Isabel Waclawek, uma das palestrantes do FEPE 2026 - Fórum de Educação, Pesquisa e Empreendedorismo, que começa amanhã no Cenpes/Petrobras, a partir das 8:30 hs.

Ela participa da sessão “Como equilibrar a orientação da pesquisa para desafios de curto prazo da sociedade com o incentivo à pesquisa básica capaz de gerar inovações radicais?”, no dia 11 de março, às 13h30. Ao trazer a experiência acumulada na indústria e na interface com universidades e agências de fomento, Isabel reforça que inovação só escala quando engenharia, operação e negócio caminham juntos.

No FEPE, ao discutir o equilíbrio entre pesquisa voltada a desafios imediatos e pesquisa básica de longo prazo, que caminhos a senhora considera essenciais para que o Brasil avance simultaneamente em inovação incremental e em inovações radicais?
O Brasil precisa operar em duas velocidades: projetos de impacto imediato e pesquisa de longo prazo. Isso exige rotas claras de transição de TRL, apoio à indústria para ganhos de produtividade, aceleração da transição digital e energética, formação de talentos e redução do vale da morte com testbeds e plantas piloto.

A combinação de cofinanciamento empresarial em TRLs altos com capital paciente para tecnologias disruptivas cria um ciclo virtuoso: inovações incrementais geram dados para apostas radicais, e as rupturas abrem novas curvas de produtividade. Em síntese, um portfólio integrado, testado em ambiente real e guiado por métricas de valor é o caminho para avançar simultaneamente em inovação incremental e radical.
  
Como a senhora avalia o papel das empresas, universidades e agências de fomento na construção desse equilíbrio, especialmente em setores estratégicos como energia e O&G?
Empresas ancoram os problemas reais — definem use cases, abrem dados, testam em campo e cofinanciam TRLs altos. Universidades empurram a fronteira científica, formam talentos e aceleram a transferência tecnológica. Agências de fomento orquestram o risco ao longo de todo o processo, com programas contínuos e orientados a missões especificas. Em energia e O&G, essa coordenação exige ainda mais precisão: sandboxes regulatórios para IA e gêmeos digitais, testbeds multiusuário para certificações rápidas e modelos de PI que permitam adoção ampla. É exatamente nesse espaço que a rede SENAI atua como ponte: reduzindo risco de adoção em ambiente real, integrando OT/IT e formando profissionais capazes de navegar tecnologia, engenharia e regulação. O resultado é um ciclo de inovação mais rápido, seguro e escalável — e um setor mais competitivo na transição energética.

Transformar P&D em soluções de mercado ainda é um desafio no Brasil. Quais são, na sua visão, os principais gargalos que impedem essa transição?
Os gargalos são claros: falta de financiamento e governança no meio do funil (TRL 4–7), poucos ambientes reais para testar e integrar tecnologias, incentivos desalinhados entre academia e indústria, incerteza regulatória, dificuldades de escalar e qualificar fornecedores, negociação de PI lenta, escassez de capital paciente e lacunas de competências nas empresas para transformar P&D em produto.

A resposta passa por criar rotas de transição com gates objetivos, ampliar testbeds e certificações em ambiente relevante, usar contratos por desempenho, adotar modelos de PI equilibrados e formar talentos em engenharia de sistemas, análise tecno econômica e ESG. É assim que encurtamos o caminho do laboratório ao chão de fábrica.

Que competências técnicas e organizacionais são mais críticas para que projetos de P&D realmente se convertam em produtos, serviços ou processos adotados pela indústria?
Os projetos só viram produto quando técnica e organização caminham juntas. Do lado técnico, as competências críticas são: engenharia de produto e de sistemas, integração OT/IT com segurança, qualificação e certificação, escalonamento de processos e análise tecno econômica e de ciclo de vida. Do lado organizacional, o que destrava a adoção é product management B2B, governança por TRL com stage gates, compras de inovação, regras claras de PI e talentos capazes de transitar entre laboratório, fábrica e cliente. Em resumo, transformar P&D em solução adotada exige articular engenharia, operação e negócio — com testbeds, plantas piloto e contratos por desempenho fechando o ciclo.
 
 
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Royalties
valores referentes à produção de fevereiro para contrato...
29/04/26
Resultado
Foresea registra melhor ano de sua história e consolida ...
29/04/26
Internacional
OTC Houston: ANP participa de painéis e realiza evento c...
29/04/26
Apoio Offshore
Wilson Sons revoluciona logística offshore com entrega p...
29/04/26
Internacional
PPSA e ANP promovem evento em Houston para apresentar o...
28/04/26
Segurança no Trabalho
Gasmig bate recorde de 1300 dias sem acidentes do trabalho
28/04/26
Workshop
ANP realiza workshop sobre proposta de novo modelo de li...
28/04/26
GLP
Subvenção ao GLP: ANP publica roteiro com orientações ao...
27/04/26
Diesel
Subvenção ao óleo diesel: ANP altera cálculo do preço de...
27/04/26
Combustíveis
E32 reforça estratégia consistente do Brasil em seguranç...
27/04/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Partilha (OPP): ANP aprova estudos ...
27/04/26
Royalties
Hidrelétricas da ENGIE Brasil repassam R$ 49,8 milhões e...
23/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste te...
23/04/26
Oportunidade
Firjan SENAI tem mais de 11 mil vagas gratuitas em quali...
22/04/26
Combustíveis
Etanol aprofunda queda na semana e amplia perdas no acum...
20/04/26
P&D
Centro de pesquisa na USP inaugura sede e impulsiona tec...
17/04/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 182 mil barris por ...
17/04/26
Reforma Tributária
MODEC patrocina debate sobre reforma tributária no setor...
17/04/26
E&P
Revisão de resolução sobre cessão de contratos de E&P é ...
17/04/26
Estudo
Consumo de gás natural cresce 3,8% em 2025 no Brasil
17/04/26
Apoio Marítimo
Mesmo com tensões globais, setor marítimo avança e refor...
17/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23