Distribuição

Shell quer abrir 300 postos em dois anos

Valor Econômico
17/04/2006 00:00
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Um ano depois de assumir a presidência da Shell Brasil, cargo que acumula com a vice-presidência de varejo para toda a América Latina, Vasco Dias quer aumentar a presença da companhia no mercado brasileiro de distribuição de combustíveis. O plano é voltar a ter presença em regiões onde a empresa vendeu toda a sua rede de postos, como são os caso do Centro-Oeste, notadamente Mato Grosso, e do Sul do Brasil.
 
Nos próximos dois anos, a Shell pretende abrir 300 novos postos com a sua marca, o que significa ampliar em 15% sua rede, que hoje é de 2 mil postos.

Como conseqüência disso, a participação da companhia no mercado de distribuição deverá passar dos atuais 13,8% - relativos a janeiro e que a colocam em terceiro lugar nas vendas de gasolina, diesel e álcool - para um patamar entre 17% e 18%.

Nesse período, o desafio é elevar as vendas de 11 bilhões para 14 bilhões de litros de combustíveis por ano.

"Vamos aumentar a presença onde atuamos e crescer em áreas onde estamos fracos. E aumentar a participação de mercado no varejo é importante porque é a parte mais visível da companhia", resumiu Dias, que trabalhou 21 anos na Shell antes de deixar a companhia por quatro anos, para trabalhar na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Em uma avaliação sobre a posição de mercado da Shell antes de sua saída da empresa e no ano passado, Dias apontou as mudanças que encontrou. "Quando saí da Shell ela era basicamente uma companhia de distribuição de petróleo, e quando voltei encontrei algumas coisas boas e outras ruins. Entre as boas estava o novo portfólio de investimentos em exploração e produção, que ultrapassa US$ 1 bilhão. Por outro lado, a empresa estava muito aquém das suas possibilidades e da sua marca na área de distribuição", ressaltou.

Para retomar sua posição no mercado, onde se mantém em terceiro lugar, atrás da BR Distribuidora e da Ipiranga, a Shell planeja investir US$ 50 milhões no varejo - um quarto do investimento total previsto para 2006, de US$ 200 milhões. Esse volume inclui investimentos em exploração e produção, mas não reflete o montante que será destinado ao desenvolvimento dos campos de petróleo encontrados no bloco BC-10, na bacia de Campos (RJ).

Somente no segmento de gás natural veicular (GNV) estão previstos investimentos de R$ 15 milhões. Com eles, a Shell pretende elevar sua participação no mercado dos atuais 5% para 15%. Esse segmento também é liderado pela Petrobras e a Ipiranga. Outro ponto enfatizado por Dias é o interesse da Shell em participar dos projetos da Petrobras no desenvolvimento da produção de gás natural no campo de Mexilhão e no BS-500, ambos na bacia de Santos, e em outras atividades no segmento de gás.

"O Brasil tem um potencial grande e a Shell quer crescer aqui. E a melhor forma é com a Petrobras", frisou o executivo.

Dias afirmou que o interesse da Shell é conhecido pela estatal - foi manifestado pelo presidente mundial do grupo, Jeroen van der Veer, ao presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, durante uma visita do brasileiro a Haia, na Holanda. Esse posicionamento foi reforçado em outubro do ano passado, durante visita do diretor-executivo de exploração e produção da Shell, Malcolm Brinded, à sede da estatal.

"A nossa visão é muito clara e a Petrobras sabe exatamente em que estamos interessados. Estamos aguardando uma definição. O ideal seria uma parceria em que a Shell pudesse ajudar a suprir o mercado interno. É tudo o que posso dizer. Também posso adiantar que a prioridade para o gás que viermos a produzir aqui será o mercado interno. Havendo excedente, poderemos exportar", explicou.

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