Economia

Setor público registra déficit primário

Mês de junho.

Agência Brasil
31/07/2014 10:45
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O Índice de Preços ao Produtor (IPP) fechou o mês de junho com o quarto resultado negativo consecutivo pela primeira vez.  Segundo dados divulgados hoje (31), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em junho, os preços ao produtor registraram inflação negativa de 0,13%, em comparação com o mês de maio.
Apesar da variação negativa, a taxa é maior que os -0,26% relativos a deflação de maio. Em abril a variação negativa foi maior:  -0,41%, enquanto a queda de março chegou a  -0,21%. Com o resultado de junho o Índice de Preços ao Produtor passou a acumular ao longo do primeiro semestre alta de 0,93%, contra 1,06% do período encerrado em maio.
Na comparação com o mesmo mês de 2013 (acumulado em 12 meses), os preços aumentaram 5,04% em junho, contra 6,56% em maio. O IPP mede a evolução dos preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes de 23 setores da indústria de transformação.
Os dados do IBGE indicam que oito das 23 atividades pesquisadas apresentaram alta de preços, contra 11 do mês anterior. As quatro maiores variações de junho em relação a maio foram em impressão (3,40%), móveis (-1,36%), metalurgia (1,23%) e outros produtos químicos (-1,12%).
Já na comparação com o mesmo mês de 2013 (acumulado em 12 meses), o aumento de 5,04% em junho, é o menor resultado desde os 4,98% de julho de 2013, sendo que o maior ponto da série ocorreu em fevereiro de 2014: 8,24%.

O setor público consolidado - governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais- registrou pelo segundo mês seguido déficit primário. Em junho, o déficit primário chegou a R$ 2,1 bilhões. Em maio, o déficit ficou em R$ 11,046 bilhões. Essa foi a primeira vez na série histórica do Banco Central (BC) que foi registrado déficit primário no mês de junho. A série histórica tem início em dezembro de 2001. Em junho do ano passado, houve superávit primário de R$ 5,429 bilhões.

Com esses resultados, no primeiro semestre, o superávit primário ficou em R$ 29,380 bilhões, contra R$ 52,158 bilhões registrados em igual período de 2013.

Em 12 meses encerrados em junho, o superávit primário chegou a R$ 68,528 bilhões, o que corresponde a 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. A meta para o setor público, este ano, é 1,9% do PIB. O superávit primário é a economia de recursos para pagar os juros da dívida pública. O esforço fiscal permite reduzir o endividamento do governo no médio e no longo prazo.

No mês passado, o Governo Central (Tesouro, Banco Central e Previdência) foi o principal responsável pelo resultado negativo. O déficit primário ficou em R$ 2,732 bilhões. Os governos estaduais registraram déficit primário de R$ 171 milhões e os municipais, superávit de R$ 284 milhões. As empresas estatais, excluídos os grupos Petrobras e Eletrobas, registraram superávit primário de R$ 518 milhões.

O déficit nominal, formado pelo resultado primário e as despesas com juros, ficou em R$ 20,792 bilhões, em junho, e em R$ 90,866 bilhões, no primeiro semestre. Os gastos com juros chegaram a R$ 18,691 bilhões, no mês passado, e a R$ 120,246 bilhões, de janeiro a junho deste ano.

A dívida líquida do setor público chegou a R$ 1,755 trilhão, em junho. Esse resultado corresponde a 34,9% do PIB, com elevação de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior. A dívida bruta chegou a R$ 2,941 trilhões, em junho, ou 58,5% do PIB, com alta de 0,5 ponto percentual em relação a maio.

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