Setor naval

Seguradoras mantêm a cautela com estaleiros

Valor Econômico
23/08/2004 00:00
Visualizações: 326

Seguradoras privadas, o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB Brasil-RE) e representantes de resseguradoras estrangeiras analisam com interesse a possibilidade de criar um seguro de garantia para a indústria da construção naval no país. Mas os agentes do mercado segurador só aceitarão emitir apólices se forem observadas condições que reduzam o risco das operações. As seguradoras querem que sejam contratadas empresas avaliadoras para medir se os estaleiros têm capacidade técnica e operacional de produção.
As exigências também incluem fiscalizações das obras e dos recursos aplicados para garantir compromissos assumidos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que é o agente financeiro do Fundo de Marinha Mercante (FMM). O FMM é a única fonte de financiamento de longo prazo para o setor no Brasil. Outra proposta das seguradoras é que a construção de navios fique subordinada a Sociedades de Propósito Específico (SPEs), o que permitiria maior controle sobre encomendas feitas aos estaleiros.
Tantas exigências apóiam-se no fato de que a indústria naval tem histórico de inadimplência. A Swiss Re Brasil, por exemplo, analisa a oportunidade de negócio com a indústria naval, mas mantém postura conservadora. A empresa busca fazer uma análise técnica e financeira. Pelo lado técnico, comprova a capacidade dos estaleiros de cumprir os contratos. No aspecto financeiro, a análise recai sobre a solidez e a saúde financeira dos estaleiros.
Na sexta-feira, representantes de seguradoras, do IRB Brasil-Re, do FMM, do BNDES, dos estaleiros e da Superintendência de Seguros Privados (Susep) reuniram-se, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), para discutir o seguro de garantia à indústria naval. Ficou definido a criação de grupo de trabalho que buscará definir metodologias para o funcionamento desse seguro.
Foi a terceira reunião para discutir o tema desde que o governo editou decreto, instituindo a figura do seguro de garantia para a indústria naval, que cobriria o risco de o navio não ser construído nos prazos e nos custos previstos, e seria contratado junto a seguradoras, ao IRB e ao mercado segurador internacional. O decreto permite que o governo subsidie parte do prêmio. Ou seja, o governo pagaria parte do prêmio às seguradoras e resseguradoras.
O seguro de garantia surgiu como alternativa ao fato de a área econômica do governo ter vetado proposta de criar um fundo de aval, a partir dos recursos do FMM. O fundo de aval foi retirado do projeto que discutiu alterações no FMM e terminou transformado na Lei 10.893.
O Ministério dos Transportes e a diretoria do FMM estão empenhados em viabilizar o seguro de garantia para a indústria naval, mas a negociação avança lentamente e, se não chegar a bom termo, o governo poderá reconsiderar a idéia de criar um fundo de aval vinculado ao FMM, disseram fontes do setor. Por enquanto, porém, o esforço está em criar o seguro para minimizar os riscos e facilitar os empréstimos do BNDES, uma vez que a maioria dos estaleiros não tem condições de apresentar garantias aos financiamentos.
Uma das idéias das seguradoras é de que o seguro garantia cubra entre 15% e 30% do valor da embarcação. Hoje o BNDES exige garantias de cerca de 120% do valor do bem. A discussão ocorre no momento em que a Transpetro, subsidiária da Petrobras, prepara lançamento de edital para construir 22 navios petroleiros no país, que exigirão investimentos de US$ 1 bilhão.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Crise
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona cus...
20/03/26
P&D
Pesquisadores da Coppe desenvolvem técnica inovadora par...
20/03/26
Leilão
TBG avalia como positivo resultado do LRCAP 2026 e desta...
20/03/26
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
Energia Solar
Newave Energia e Gerdau inauguram Complexo Solar de Barr...
19/03/26
Combustíveis
Diesel chega a R$ 7,17 com conflito entre EUA e Irã, apo...
19/03/26
Petrobras
Museu do Petróleo e Novas Energias irá funcionar no préd...
19/03/26
Pesquisa e Inovação
MODEC impulsiona inovação e P&D com ideias que apontam o...
19/03/26
Etanol
Geopolítica e energia redesenham o papel do etanol no ce...
19/03/26
Energia Elétrica
Copel vence leilão federal e vai aumentar em 33% a capac...
19/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy: debates focam no papel estratégico do gás ...
18/03/26
Economia
Firjan vê início da queda da Selic como positivo para a ...
18/03/26
Internacional
Petrobras confirma nova descoberta de gás na Colômbia
18/03/26
Publicações
IBP fortalece editora institucional, amplia publicações ...
18/03/26
Macaé Energy
Acro Cabos de Aço participa da Macaé Energy 2026
18/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 consolida município como capital nacio...
17/03/26
Macaé Energy
Com recorde de público, feira e congresso do Macaé Energ...
17/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23