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Santos Brasil vai investir em porto privado

Com índice de endividamento baixo, a holding apostará agora também em portos privados - que não precisam ser licitados -, possibilidade aberta pelo novo marco regulatório, a Medida Provisória 595, em tramitação no Congresso.

Valor Econômico
02/04/2013 08:17
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A Santos Brasil, maior empresa do país de operação de terminais, está pronta para investir. Com índice de endividamento baixo, a holding apostará agora também em portos privados - que não precisam ser licitados -, possibilidade aberta pelo novo marco regulatório, a Medida Provisória 595, em tramitação no Congresso.

O diretor-presidente da companhia, Antônio Carlos Sepúlveda, afirma, contudo, que a única saída do país a curto prazo é investir - pesadamente - no porto organizado, assim chamado o condomínio aquaviário de áreas públicas repassadas, via licitação, à iniciativa privada. Hoje a empresa opera três terminais de contêineres arrendados nesses condomínios, sendo o maior deles o Tecon Santos, no Porto de Santos (SP).

Em entrevista exclusiva ao 'Valor PRO', o executivo repetiu a tese quase como um mantra. Uma das principais inovações da MP foi criar a figura do porto privado fora do porto organizado e acabar com a restrição de necessidade de carga própria, presente no antigo arcabouço legal. Com a possibilidade, chamada por alguns de "nova abertura dos portos brasileiros", os futuros investimentos devem centrar-se nos terminais privados, que têm menos amarras.

Mas até esses projetos saírem do papel há uma janela de tempo a vencer. Um terminal privado, pondera Sepúlveda, é feito do zero, sem qualquer infraestrutura pública. Leva até sete anos para receber o primeiro navio.

"O que estamos dizendo, que só daqui a sete anos é que vamos ter melhoria na logística brasileira? Isso não atende. O porto organizado tem de ser mais competitivo amanhã, no dia seguinte à transformação da MP em lei. É a saída que temos no curto prazo para que daqui a cinco anos a gente tenha um Brasil melhor também na logística", diz.

Segundo Sepúlveda, o primeiro passo é fazer com que a MP direcione investimentos para grandes projetos com abundante infraestrutura de acesso. "Não existe um projeto novo de terminal de contêineres no mundo que não tenha adjacente a ele uma grande área para logística. Porque porto, mais uma vez, é instrumento de política pública, isso é para atrair indústria, para atrair centro logístico, para reduzir custos logísticos. Porto não pode ser tratado com a ótica do investidor de porto, que pode estar interessado em vender o terreno, em entrar no bom negócio que é o terminal de contêineres".

Além do Tecon Santos, o maior do país, a Santos Brasil administra o Tecon Imbituba (SC) e o Tecon Vila do Conde (PA). Opera ainda um terminal de exportação de veículos, o TEV, também em Santos, e unidades logísticas integradas.

O próximo passo é desembarcar em Suape (PE). A empresa já tem um projeto pronto para disputar a licitação de um terminal de dois berços no cais pernambucano. O edital deve sair nos próximos meses. "É um caso de desenvolvimento de um Estado através de um porto, um exemplo a ser seguido. Queremos estar lá dentro", elogia.

O executivo diz que a Santos Brasil está na "pole position para sair investindo". A empresa está no setor desde 1997 e tem um nível baixo de endividamento. Encerrou o quarto trimestre de 2012 com um saldo de caixa de R$ 136,4 milhões e dívida líquida de R$ 296,7 milhões, 0,5 vez o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) no acumulado dos últimos 12 meses.

É do alto dessa experiência que, com um arraigado sotaque baiano, Sepúlveda diz que de nada adiantará "encher o litoral" de terminais. O que o Brasil precisa, afirma, é de unidades grandes, que ainda não existem na costa brasileira. "O que reduz o custo unitário para operação é ter instalações grandes e assim ter o custo unitário baixo por movimentação de carga. O mundo hoje enfrenta esse processo que começa com o aumento do tamanho dos navios, exatamente para reduzir o custo unitário do contêiner movimentado entre os portos marítimos".

A mágica está no ganho de escala. Um terminal chinês ou europeu, diz, tem capacidade entre 8 milhões e 10 milhões de Teus. Essa é a nova ordem de grandeza da infraestrutura ofertada aos mercados com os quais a indústria brasileira compete. "Aqui no Brasil estamos falando de projetos de 800 mil Teus, de 1 milhão de Teus no máximo". O Tecon Santos é o maior do país em termos de capacidade de movimentação. Tem oferta para 2 milhões de Teus e está fazendo neste ano cerca de 1,6 milhão de Teus. "É muito pouco, isso não nos insere. Encher o Brasil de terminais desse tipo não melhora em nada a situação do exportador brasileiro", adverte.

Para o executivo, ao rediscutir o marco regulatório do setor 20 anos depois da publicação da Lei dos Portos (8.630), o país tem a obrigação de avançar na infraestrutura, a única saída para aumentar sua participação no comércio exterior.
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