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Energia

Reservatórios no Sudeste podem cair a mínimo histórico até novembro

21/03/2014 | 10h54

 

O nível dos reservatórios nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, que constituem a principal caixa d'água do país, pode chegar ao fim de novembro com só 15,7% da capacidade máxima. A estimativa consta de apresentação feita pelo Ministério de Minas e Energia, na terça-feira (18), a associações do setor elétrico. A projeção contempla um cenário em que choverá 75% da média histórica e 16.300 megawatts (MW) de usinas térmicas - um recorde - serão gerados até o fim do período seco.
Isso faria o subsistema Sudeste/Centro-Oeste entrar na próxima temporada de chuvas, a partir de dezembro, com o pior índice de armazenamento já registrado desde 2000 - abaixo até do volume de água estocado às vésperas do racionamento de energia do governo Fernando Henrique Cardoso.
A apresentação deixou o setor privado em alerta, apesar das declarações tranquilizadoras dadas após a reunião. No encontro, pedido pelas associações do setor elétrico para aprofundar o diálogo com o ministério, não houve espaço para perguntas. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, ocupou boa parte da exposição ao simular dezenas de cenários hidrológicos para o ano.
Até anteontem, os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste tinham 35,4% de sua capacidade máxima, menos de um ponto percentual acima dos níveis registrados no mesmo período de 2001, ano do racionamento. O ONS partiu da premissa, em todos os cenários simulados, que o volume armazenado estará em 34% no fim de abril. É quando termina a temporada de chuvas.
Chamaram especialmente a atenção dos executivos, no entanto, duas simulações. Por hipótese, elas consideram a reprodução das chuvas verificadas em 1934 e em 1944, dois anos historicamente muito negativos. Nos dois casos, contempla-se o acionamento das térmicas a plena carga, como reforço no abastecimento. Se houver uma repetição do que ocorreu nesses anos, os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste podem chegar ao fim de novembro com apenas 4% ou 7% da capacidade.
Como essas simulações levam em conta estiagens muito severas também na região Sul, onde as chuvas não têm desapontado, são tidas pelo governo como um cenário extremamente improvável.
Independentemente de um cenário mais ou menos pessimista, muitos participantes da reunião saíram com a impressão de que o governo resolveu bancar um risco "alto" no próximo verão: se houver chuvas abundantes entre o fim de 2014 e o início de 2015, os reservatórios podem se recompor. Caso haja chuvas dentro da média, ou abaixo da série histórica, um racionamento de energia torna-se não só inevitável, mas teria que ser muito mais pesado do que uma redução do consumo agora. Para esses executivos, que pedem para ficar no anonimato, seria mais sensato adotar imediatamente medidas mais "suaves" para diminuir o consumo e, assim, aliviar o cenário de suprimento em 2015.
Na semana passada, a consultoria PSR descreveu como "operação kamikaze" uma queda dos reservatórios a níveis próximos de 10% da capacidade. Para a consultoria, presidida pelo engenheiro Mário Veiga, há "sério risco de perda de controle operativo" caso esses níveis sejam atingidos. As hidrelétricas, segundo Veiga, não conseguiriam produzir a quantidade de energia fixada pelo ONS. "Como consequência, poderia ocorrer um colapso de suprimento, como se fosse um blecaute geral que persistiria por várias horas e talvez até dias", afirma a PSR em relatório.
Consultado pelo 'Valor' sobre a gravidade das simulações apresentadas terça-feira, o Ministério de Minas e Energia direcionou os questionamentos ao ONS. A assessoria de Hermes Chipp informou que ele estava em viagem e não poderia atender a reportagem até o fechamento desta edição.
No restante da apresentação, conduzida principalmente pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o governo reiterou que há equilíbrio "estrutural" no setor elétrico e o parque de geração é capaz de atender à demanda neste e nos próximos anos.
No caso do pior cenário traçado pelo ONS, que replica a hidrologia verificada em 1934, estima-se que as chuvas fiquem em 65% da série histórica nos meses de março e abril. Depois, entre maio e novembro (período seco), ficariam em 58% da média. Não são estimativas longe da realidade: em janeiro e em fevereiro, as chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste tiveram o segundo pior registro em mais de oito décadas. Em março, tem chovido apenas 64%.
A grande diferença, que torna o cenário pouco provável por enquanto, é o que ocorre no Sul. Até agora, em março, a afluência na região atingiu 141% da média histórica. Em 1934, o ano do cenário mais pessimista, choveu 49% da média entre maio e novembro.
No Sul, essa é a temporada de chuvas, ao contrário das demais regiões. Se há estiagem fora de época, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste teria que transferir mais eletricidade aos Estados do Sul, acelerando a perda de água em seus reservatórios durante o período seco.

O nível dos reservatórios nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, que constituem a principal caixa d'água do país, pode chegar ao fim de novembro com só 15,7% da capacidade máxima. A estimativa consta de apresentação feita pelo Ministério de Minas e Energia, na terça-feira (18), a associações do setor elétrico. A projeção contempla um cenário em que choverá 75% da média histórica e 16.300 megawatts (MW) de usinas térmicas - um recorde - serão gerados até o fim do período seco.

Isso faria o subsistema Sudeste/Centro-Oeste entrar na próxima temporada de chuvas, a partir de dezembro, com o pior índice de armazenamento já registrado desde 2000 - abaixo até do volume de água estocado às vésperas do racionamento de energia do governo Fernando Henrique Cardoso.

A apresentação deixou o setor privado em alerta, apesar das declarações tranquilizadoras dadas após a reunião. No encontro, pedido pelas associações do setor elétrico para aprofundar o diálogo com o ministério, não houve espaço para perguntas. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, ocupou boa parte da exposição ao simular dezenas de cenários hidrológicos para o ano.

Até anteontem, os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste tinham 35,4% de sua capacidade máxima, menos de um ponto percentual acima dos níveis registrados no mesmo período de 2001, ano do racionamento. O ONS partiu da premissa, em todos os cenários simulados, que o volume armazenado estará em 34% no fim de abril. É quando termina a temporada de chuvas.

Chamaram especialmente a atenção dos executivos, no entanto, duas simulações. Por hipótese, elas consideram a reprodução das chuvas verificadas em 1934 e em 1944, dois anos historicamente muito negativos. Nos dois casos, contempla-se o acionamento das térmicas a plena carga, como reforço no abastecimento. Se houver uma repetição do que ocorreu nesses anos, os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste podem chegar ao fim de novembro com apenas 4% ou 7% da capacidade.

Como essas simulações levam em conta estiagens muito severas também na região Sul, onde as chuvas não têm desapontado, são tidas pelo governo como um cenário extremamente improvável.

Independentemente de um cenário mais ou menos pessimista, muitos participantes da reunião saíram com a impressão de que o governo resolveu bancar um risco "alto" no próximo verão: se houver chuvas abundantes entre o fim de 2014 e o início de 2015, os reservatórios podem se recompor. Caso haja chuvas dentro da média, ou abaixo da série histórica, um racionamento de energia torna-se não só inevitável, mas teria que ser muito mais pesado do que uma redução do consumo agora. Para esses executivos, que pedem para ficar no anonimato, seria mais sensato adotar imediatamente medidas mais "suaves" para diminuir o consumo e, assim, aliviar o cenário de suprimento em 2015.

Na semana passada, a consultoria PSR descreveu como "operação kamikaze" uma queda dos reservatórios a níveis próximos de 10% da capacidade. Para a consultoria, presidida pelo engenheiro Mário Veiga, há "sério risco de perda de controle operativo" caso esses níveis sejam atingidos. As hidrelétricas, segundo Veiga, não conseguiriam produzir a quantidade de energia fixada pelo ONS. "Como consequência, poderia ocorrer um colapso de suprimento, como se fosse um blecaute geral que persistiria por várias horas e talvez até dias", afirma a PSR em relatório.

Consultado pelo 'Valor' sobre a gravidade das simulações apresentadas terça-feira, o Ministério de Minas e Energia direcionou os questionamentos ao ONS. A assessoria de Hermes Chipp informou que ele estava em viagem e não poderia atender a reportagem até o fechamento desta edição.

No restante da apresentação, conduzida principalmente pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o governo reiterou que há equilíbrio "estrutural" no setor elétrico e o parque de geração é capaz de atender à demanda neste e nos próximos anos.

No caso do pior cenário traçado pelo ONS, que replica a hidrologia verificada em 1934, estima-se que as chuvas fiquem em 65% da série histórica nos meses de março e abril. Depois, entre maio e novembro (período seco), ficariam em 58% da média. Não são estimativas longe da realidade: em janeiro e em fevereiro, as chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste tiveram o segundo pior registro em mais de oito décadas. Em março, tem chovido apenas 64%.

A grande diferença, que torna o cenário pouco provável por enquanto, é o que ocorre no Sul. Até agora, em março, a afluência na região atingiu 141% da média histórica. Em 1934, o ano do cenário mais pessimista, choveu 49% da média entre maio e novembro.

No Sul, essa é a temporada de chuvas, ao contrário das demais regiões. Se há estiagem fora de época, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste teria que transferir mais eletricidade aos Estados do Sul, acelerando a perda de água em seus reservatórios durante o período seco.

 



Fonte: Valor Econômico
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