Jornal do Commercio
Um relatório de auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) apontando várias irregularidades na Refinaria Abreu e Lima, em Suape, jogou o principal investimento em Pernambuco definitivamente no centro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, no Senado. O documento, produzido pela Secretaria de Fiscalização de Obras e Patrimônio da União (Secob), ainda está sob análise do relator, o ministro do TCU Benjamin Zymler, mas aponta sobrepreço de R$ 121 milhões em um conjunto de quatro contratos que totalizam R$ 2,7 bilhões. Ainda aponta inconsistência de dados e critica a Petrobras por suposta obstrução à auditoria.
“A análise não levou em conta a natureza da contratação e ainda se baseou em preços diferentes da realidade do mercado”, argumentam os advogados da Petrobras, em sua defesa no processo. A estatal, ontem, não respondeu ao contato da reportagem. “A companhia entende que houve um pequeno atraso, absolutamente justificado” na apresentação de alguns dados, mas “sempre deixou à disposição da equipe de auditoria todos os meios, tanto na forma de estrutura física, quanto na forma de acesso à documentação”, reforça a defesa da Petrobras.
A auditoria foi encerrada em 20 de maio passado e questionou, por exemplo, um sobrepreço de R$ 37,2 milhões no contrato de R$ 730 milhões com o consórcio da Alusa, Galvão e Tomé para a construção de 63 tanques de armazenamento. Ao TCU, a Petrobras reclamou dos parâmetros dos auditores e informou ter baixado o preço em 9% ante à proposta original, uma economia de R$ 72,5 milhões.
Os técnicos questionam outros contratos, como R$ 40 milhões dos R$ 966 milhões da Casa de Força, além das edificações, a cargo da EIT e Engevix, por R$ 591,3 milhões – nesse último caso, o pacote inclui R$ 66,6 milhões em equipamentos – de mobília a material cirúrgico e de cozinha. A estatal defende a legalidade da contratação e argumenta que garantiu o “desenvolvimento conjunto” da parte física e equipamentos, casando prazos e trazendo funcionalidade à estrutura.
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