América do Sul

Protestos crescem e Bolívia negocia renúncia coletiva e uma nova eleição

Valor Econômico/Ag.
07/06/2005 00:00
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Fontes diplomáticas presentes à reunião da OEA esperavam que o presidente boliviano, Carlos Mesa, chegasse a um acordo nesta semana para deixar a Presidência. Mesa renunciaria se fosse encontrada uma solução para convocação de eleições pouco depois de sua saída.
Uma das alternativas seria que a renúncia de Mesa fosse seguida por renúncias dos outros dois seguintes na linha sucessória, os presidentes do Senado e da Câmara. Assumiria então o poder o presidente da Corte Suprema da Bolívia. Pela Constituição do país, ele seria o único autorizado a convocar eleições antecipadas.
A idéia seria manter o presidente interino no cargo por cerca de três meses. Outra alternativa, que poderia ser utilizada em caso de não se chegar a um acordo com as lideranças políticas, seria aprovar uma mudança na Constituição para permitir a convocação de eleições se houver renúncia do presidente e do vice-presidente eleitos.
A confusão política é tamanha no país que deputados tanto do partido de Mesa (o MNR, Movimento Nacionalista Revolucionário) quanto do partido do líder cocaleiro Evo Morales (o MAS, Movimento ao Socialismo, de oposição) disseram que os presidentes da Câmara e do Senado não têm legitimidade para fazer acordos em nome do Congresso.
Reuniões patrocinadas pela Igreja Católica têm tentado costurar um acordo que impeça o esfacelamento do país, já que as pretensões autonomistas da província de Santa Cruz poderiam levar em última instância até a uma tentativa de secessão.
Mesa deixou o palácio presidencial em La Paz ontem para manter encontros com líderes políticos em um local secreto. As manifestações nas imediações do palácio levaram as autoridades a considerar perigoso demais que ele continuasse no local.
Milhares de manifestantes continuaram ontem a onda de protestos pedindo a estatização da exploração de gás e petróleo, além de uma constituinte.
O Ministério do Interior disse que o presidente falaria para dar conta de sua situação e do futuro político do país. Até o final da tarde de ontem, entretanto, ele ainda não havia falado.
Um dos mais fortes candidatos à Presidência boliviana é o empresário Dario Medina, segundo pesquisas de opinião do país.
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, preferiu não comentar a situação boliviana na entrevista coletiva que concedeu durante a reunião. "Estamos acompanhando a situação com uma preocupação solidária", disse Amorim.

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