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Expansão

Projetos de novas usinas escasseiam no país

15/12/2010 | 10h28
Os preços do açúcar estão bons, os do álcool também não estão dos piores e o endividamento do segmento sucroalcooleiro caiu. A hora da retomada dos grandes investimentos em expansão de capacidade, porém, ainda não chegou.


Em 2010, foram raros os projetos de usinas novas que começaram a ser executados. Na Dedini Indústria de Base, maior fabricante de equipamentos para usinas do país, não entrou nenhum grande pedido em 2010. O trabalho se concentrou na execução de projetos em carteira há dois ou três anos e as novas demandas se limitaram a ampliações e melhorias de ativos já existentes. No total, nove usinas foram concluídas e entraram em operação no Centro-Sul do país na safra 2010/11, ante 19 em 2009/10 e 30 em 2008/09.


O resultado é que, apesar das encomendas de outros setores, como bebidas e petroquímica, além de projetos ambientais, a empresa de equipamentos espera encerrar 2010 com faturamento bruto de R$ 1,1 bilhão a R$ 1,2 bilhão, abaixo dos R$ 1,4 bilhão de 2009.


Para 2011, José Luiz Olivério, vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento da Dedini, não aposta em grandes mudanças. O faturamento total, disse, deve chegar a R$ 1,2 bilhão ou R$ 1,3 bilhão, ainda bem abaixo dos R$ 2,2 bilhões de 2008, pico dos investimentos sucroalcooleiros no país.
 

Da receita prevista para este ano, o segmento sucroalcooleiro deverá representar 40%. "Os outros setores que atendemos são mais estáveis. As variações para cima ou para baixo vêm de açúcar e álcool", afirmou o executivo.


Mas, segundo Olivério, algumas consultas começaram a ocorrer para usinas novas, sobretudo de grandes players já consolidados no ramo. "Mas ainda não viraram pedidos. Acredito que isso pode começar a acontecer a partir de maio". Fusões e aquisições tiveram espaço no segmento em 2010, e em algum momento os "consolidadores" também devem voltar a crescer.


Se esse movimento vier como vislumbra o executivo, pode ser que o faturamento possa aumentar um pouco mais em 2012. "Poderá ficar entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2,2 bilhões", estimou Olivério.


A Dedini também tem algumas fichas depositadas na cogeração de energia. Mas até o ânimo para esses projetos parece ter esfriado com os preços ofertados nos últimos leilões de energia da Aneel.


Em recente entrevista ao Valor, o diretor de biocombustíveis do BNDES, Carlos Eduardo Cavalcanti, afirmou que o crescimento dos desembolsos do banco para 2011 deverá ser puxado pelos projetos de bioeletricidade. Em 2010, eles ainda permanecem tímidos, com R$ 461 milhões liberados pelo banco de fomento, 12% menos do que em 2009. "Mas, nesse momento, já há aprovados para 2010 e na mesa da diretoria do banco projetos de produção de energia com bagaço de cana que somam R$ 1,25 bilhão. O valor é mais do que o dobro do que estava aprovado em 2009", afirmou Cavalcanti.


Olivério reconhece que muitas consultas por projetos de cogeração vinham sendo feitas, mas que esse movimento arrefeceu. "O que pode mudar esse cenário é o resultado dos próximos leilões. Se o preço subir, o ânimo volta".


O presidente da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank, não vê apetite de indústrias de açúcar e álcool em investir em novos projetos. Isso porque, segundo ele, ainda há uma preocupante instabilidade das políticas públicas para o etanol e para a bioeletricidade. Jank vê com preocupação a perda de espaço do etanol para a gasolina nos tanques dos carros flexfuel no Brasil, e crê que é grande a chance de que essa tendência de retração perdure.


O teto de competitividade do etanol, que esbarra em 70% do preço da gasolina para ser vantajoso ao consumidor final, é a primeira barreira. Para Jank, ela só poderá ser driblada com uma reforma tributária que inclua ICMS, IPI e Cide. "O imposto sobre um combustível que emite menos gases poluentes tem que ser menor. O país assumiu um compromisso mundial de reduzir emissões de gases poluentes e esse pacto precisa ser refletido na política pública".


Assim, conclui Jank, a retomada dos investimentos em expansão dependerá do nível de segurança que a indústria terá para voltar a gastar. "Os custos de produção estão altos, em patamares que neste ano foram suportados pelos preços recordes do açúcar - que não vão durar para sempre", disse.


Fonte: Valor Econômico
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