Cotação

Previsão de queda no consumo americano derruba preço do barril

Valor Econômico
11/03/2009 04:44
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Os preços futuros do petróleo nos Estados Unidos caíram ontem após o governo do país reduzir sua previsão de demanda para 2009 e à espera do relatório semanal de estoques. Em Nova York, o petróleo para entrega em abril caiu 2,89%, ou US$ 1,36, a US$ 45,71 por barril. Em Londres, o petróleo tipo Brent para entrega em abril caiu 0,4%, ou 17 centavos de dólar, a US$ 43,96 por barril.
Os preços começaram a cair após a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês) divulgar estimativas que cortavam novamente sua previsão para demanda de petróleo nos EUA em 2009.

 

“O relatório da EIA certamente não ajudou o mercado. Tudo o que fez foi renovar as preocupações sobre a demanda”, disse Tom Bentz, analista do BNP Paribas Commodity Futures, à Reuters. “A queda na demanda pode aumentar a possibilidade da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) cortar mais sua produção. Ninguém deve estar surpreso que as previsões de demanda caíram”, disse Nauman Barakat, vice-presidente da Macquarie Futures USA.

 

Mas a Bloomberg informou ontem que a Opep precisa de 100% de cumprimento das cotas de produção antes de discutir mais reduções do volume de petróleo extraído, segundo o ministro do Petróleo do Catar, Abdullah bin Hamad al-Attiyah.

 

“Não podemos discutir mais um corte até termos um cumprimento de 100%”, disse al-Attiyah ontem numa entrevista concedida na capital do país, Doha. “O primeiro passo é garantir que tenhamos cumprimento total.”

 

A Opep deverá examinar na reunião de sábado, em Viena, se os membros cumpriram a decisão, tomada em dezembro, de reduzir a produção, e examinar as estimativas sobre a demanda futura por petróleo. A Arábia Saudita quer que a Opep cumpra seu atual teto de produção e é contra a adoção de mais cortes na produção, disse al-Hayat.

 

Com a desaceleração da demanda por petróleo resultante da primeira recessão simultânea nos EUA, Japão e Europa, a Opep decidiu em setembro reduzir a produção, para 500 mil barris por dia. Seguiram-se um corte de 1,5 milhão de barris por dia decidido numa reunião em outubro e uma outra redução, de 2,2 milhões de barris por dia, no encontro de 17 de dezembro, num total de 4,2 milhões de barris por dia.

 


“O problema é a demanda por petróleo”, disse al-Attiyah. “Ela está declinando. Por que deveríamos produzir quando ninguém compra?” Os membros da Opep precisam reduzir a oferta em mais 800 mil barris por dia, para cumprir os três cortes de produção decididos desde setembro, disse ontem Abdalla el-Badri, secretário-geral da organização. O cumprimento por parte dos membros da Opep foi de cerca de 80%, disse ele em Doha.

 

Os 11 membros da Opep que têm cotas produziram 25,39 milhões de barris por dia em fevereiro, segundo estimativas da Bloomberg. A meta é produzir 24,845 milhões de barris por dia. O Iraque pode produzir quanto quiser.

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