Queda

Preço de commodities começa a recuar

Agência UDOP
20/03/2008 09:37
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O preço das commodities começou a cair. Diante do desaquecimento econômico nos Estados Unidos, esse era o cenário mais provável. Contudo, não estava se confirmando. Pelo contrário. Desde janeiro, o preço do cacau subiu mais de 40%; o café, 38%; gás natural, 34%; trigo, 29%; e o alumínio, 28%.

Só na semana passada, o petróleo teve alta de quase 5% e o ouro, de 3%. Ontem, o cenário mudou. O petróleo caiu 4,51% - o maior índice em um único dia desde 1991 - e o ouro despencou 5,9%, a maior queda em um dia (em dólar) em 28 anos. “O mercado entendeu que o banco central americano vai fazer qualquer coisa para preservar o valor do dólar”, afirma o professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo, Fabio Kanczuk.

Na noite de domingo, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciou uma redução na taxa de redesconto (taxa cobrada nas operações entre o BC e as instituições financeiras) para 3,25%. Além disso, abriu linhas de crédito para instituições que antes não eram contempladas, como os bancos de investimento e corretoras. O Fed também financiou a compra do Bearn Stearns pelo JP Morgan e ainda reduziu a taxa básica de juros do país para 2,25% ao ano.

“Quando o mundo desacelera, a queda das commodities é violenta. Se a redução no crescimento econômico é de 1%, por exemplo, a perda para estes produtos chega a 10%. Isso não estava acontecendo porque havia uma fuga do risco. O investidor estava migrando do risco (o dólar) para ativos mais seguros (as commodities)”, afirma.

Para o professor, isso começou a mudar depois das últimas decisões do banco central americano. “De repente, o Fed deixou claro que fará o que for necessário para preservar o dólar. Essa é a sensação que se tem hoje.” Kanczuk diz que estava surpreso porque o preço das commodities ainda não apresentava queda, apesar do desaquecimento da economia dos Estados Unidos. “Mas agora elas vão cair ainda mais.”

O estrategista de Investimentos sênior para a América Latina do Banco WestLB do Brasil, Roberto Padovani, avalia que a queda de ontem no preço das commodities é a “correção de um exagero”. “O preço destes produtos estava descolado da expectativa real de crescimento do mundo, mesmo com a possibilidade de atividade econômica mais forte na América Latina e na Ásia”, avalia. Diante disso, ele também não descarta mais desvalorização das cotações.

ECONOMIA BRASILEIRA

Para o Brasil, a queda do preço das commodities é determinante, já que o País receberá menos pela exportação desses produtos. Além disso, se a demanda externa cair, o valor das exportações brasileiras vai diminuir.

Kanczuk avalia, contudo, que o consumo interno vai continuar puxando o Produto Interno Bruto (PIB) e deverá compensar em parte o desaquecimento econômico no mercado internacional. “O crédito ainda é muito forte e os setores que dependem disso, como automóveis e bens duráveis, continuarão bem.”

Mas ele não descarta outras influências da crise americana sobre o Brasil. Segundo o professor, o dinheiro, que era farto no mundo todo, começou a buscar apenas ativos seguros. “Como país emergente, o Brasil vai perder recursos.”

O mercado financeiro, de fato, já sente isso. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já acumula uma queda de mais de 6% em março, revertendo a alta acumulada no ano.
 

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