Shale Oil

Preço atual do petróleo inviabiliza xisto nos EUA

Queda do preço do barril afeta setores da economia.

Valor Econômico
07/01/2015 09:37
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A queda recente do preço do petróleo já inviabiliza parte relevante da produção americana de “shale oil” (óleo não convencional, também chamado de xisto). O produto, que surgiram no mercado global nas últimas décadas como concorrentes do petróleo no mercado global, garantia bom retorno aos produtores nos últimos anos, com preço do petróleo acima de US$ 100 por barril. Agora, o cenário é bem diferente.

Com o barril do petróleo tipo Brent a US$ 51 e o WTI abaixo de US$ 50, diversas operações de xisto deixam de ter viabilidade econômica, afirma o analista Virendra Chauhan, da Energy Aspects. Nas contas dele, um preço de US$ 60 por barril prejudica três das seis mais importantes áreas de produção de xisto nos EUA.

“O preço que torna a produção de xisto inviável varia de acordo com a região, mas certamente, em Bakken, o valor atual faz com que a produção não seja lucrativa”, afirma o analista sobre a área responsável por pouco menos da metade da produção americana de óleo de xisto, com cerca de 1,1 milhão de barris por dia de pouco mais de 2,4 milhões de barris diários, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia. Nas contas do Energy Aspects, um preço de US$ 60 por barril já faz com que os produtores de Bakken tenham perda de 4%. Com o preço a US$ 90 por barril, conseguiriam retorno de 13% para o investimento.

Em Nesson North e de Williams (West), os produtores também deixam de ter viabilidade econômica com o barril do petróleo em US$ 60. Nesses dois casos, o retorno com a cotação a US$ 90 por barril é de 21% e 12%, respectivamente. Já as áreas de Nesson South, Parshall e Sanish continuam com retornos positivos com o preço de US$ 60 por barril, com 5%, 8% e 11%, respectivamente. Apesar de ficarem com as operações no azul, os retornos são muito inferiroes aos de 45%, 40% e 47% com o preço a US$ 90 por barril, segundo os cálculos da Energy Aspects.

Considerando o preço atual do barril na casa dos US$ 50, a maior parte dos produtores fica em situação ruim e, por isso, suscetível a reduzir suas atividades de perfuração, princialmente em áreas periféricas. O analista ressalva que em locais específicos a produção continua atraente e que a desacelerações de investimentos deve ser mais substancial no segundo semestre, já que parte dos produtores do óleo de xisto já está com o orçamento comprometido para a primeira metade de 2015.

Os analistas da Energy Aspects projetam um preço de US$ 61 para o barril de petróleo no primeiro trimestre deste ano, de US$ 65 no segundo, de US$ 79 no terceiro e de US$ 89 no último.

Ontem, o WTI para fevereiro, negociado em Nova York, caiu 4,2% e fechou no menor nível desde 2009, a US$ 47,93, enquanto o barril do Brent ficou em US$ 51,10 em Londres, em queda de 3,8%. Os preços vêm sendo pressionados nos últimos meses pelo excesso da oferta global.

A espera por dados de estoques de petróleo nos EUA ajudou a pressionar a cotação do produto ontem. A expectativa é a de que o relatório mostre aumento dos estoques. A notícia recente de que o governo americano discute a liberação de suas exportações de petróleo, que estão proibidas há quatro décadas, foi novo fator de pressão sobre as cotações da commodity neste início de ano.

A sinalização de que a Arábia Saudita não está disposta a cortar a produção também afeta os preços. Ontem, o rei da Arábia Saudita Abdullah, afirmou em um discurso que vai lidar “com sólida determinação” com o desafio da queda nos preços do petróleo. O texto foi lido pelo príncipe Salman, pois Abdullah tem 90 anos e está internado em um hospital para tratar de uma pneumonia.

“Essas tensões não são novas no mercado de petróleo, e lidamos com elas no passado com vontade sólida, com sabedoria e experiência, e lidaremos com os atuais acontecimentos nos mercados de petróleo da mesma maneira”, afirmou o rei. Na segunda-feira, o país havia reduzido o preço do petróleo para os EUA, em um sinal de sua postura agressiva no mercado.

O país é o maior exportador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que decidiu no fim do ano passado manter sua cota de produção mesmo com a situação de desaceleração da demanda e excesso de oferta no mercado global.

Os acontecimentos recentes, com a forte queda do preço, levantam discussões sobre a queda de braço entre os Estados Unidos – que pretendem desenvolver sua indústria de xisto – e os produtores da Opep no mercado global. Como têm custos de produção baixos (de US$ 10 por barril, ou até menos) esses produtores estão mostrando que estão disponíveis a enfrentar quedas ainda maiores de preço do petróleo.

Essa situação torna quase impossível a previsibilidade dos preços e a estimativa de um piso para o petróleo. “Os movimentos de preço não são mais ditados pelos fundamentos, por isso é tão difícil projetar um valor mínimo”, diz um analista.

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