Pesquisa

Pré-sal exigirá esforço científico e tecnológico das universidades

A Marinha Brasileira convocou pesquisadores das universidades para ajudar no desenvolvimento de tecnologias para proteção e exploração das riquezas naturais da costa brasileira. Entre as riquezas a serem protegidas, o maior destaque foi dado à área do pré-sal, que abrange uma faixa de 800 qui

Redação/ Agências
17/06/2010 08:33
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A Marinha Brasileira convocou pesquisadores das universidades para ajudar no desenvolvimento de tecnologias para proteção e exploração das riquezas naturais da costa brasileira. Entre as riquezas a serem protegidas, o maior destaque foi dado à área do pré-sal, que abrange uma faixa de 800 quilômetros de extensão do Espírito Santo à Santa Catarina. A extração do petróleo descoberto na região, que fica há quatro quilômetros de profundidade, exigirá a criação de novas tecnologias. A chamada dos pesquisadores foi feita nesta quarta-feira, 16 de junho, em seminário organizado pelo Ministério da Defesa com apoio da Universidade de Brasília (UnB).

 

 

Com as descobertas do pré-sal, o Atlântico Sul cresce em importância geoestratégica, mas as Forças Armadas e a Petrobras estão preocupadas com a segurança da nova fronteira petrolífera. Pelas estimativas da Marinha, será necessário investir R$ 2 bilhões só na construção de 27 navios-patrulha, dos quais seis já estão em produção. Outras projeções prevêem licitação internacional para a compra de 18 navios-escolta no valor total de quase R$ 20 bilhões.

 

Segundo o comandante da Marinha, o Almirante-de-Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, os navios-patrulha vão garantir a segurança do entorno das bacias do pré-sal. “A idéia é tenhamos pelo menos um em cada bacia”, afirmou. Além dos navios-patrulha, a Marinha espera concluir até 2020 a construção de um submarino com propulsão nuclear. Segundo o Almirante-de-Esquadra José Alberto Accioly Fragelli, a expectativa é que em 2014 fique pronto o laboratório onde o submarino passará por vários testes.

 

PESQUISAS - O seminário “As Realidades Regionais”, foi o quinto encontro do ciclo de conferências “Segurança Internacional: Perspectivas Brasileiras” e discutiu o papel das Forças Armadas na proteção das riquezas naturais do país. O professor Alcides Costa Vaz, do Instituto de Relações Internacionais, foi o moderador dos três painéis que ocorreram durante o dia. “A UnB já tem tido um papel importante nas discussões sobre as questões que envolvem o Brasil no contexto econômico mundial e deve ampliar sua participação. Há muito que se descobrir nas águas brasileiras”, afirmou o professor. Além do petróleo, há outros recursos minerais marinhos que estão sendo levantados pela Marinha.

 

A parceria das universidades é apontada por integrantes das Forças Armadas como fundamental no desenvolvimento das tecnologias, assim como o investimento na formação de profissionais qualificados. “Só de engenheiros nucleares, vamos precisar de 400 em 2015, mas não temos esse número hoje em todo o Brasil”, revela o Almirante-de-Esquadra José Alberto Accioly Fragelli, coordenador do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (Prosub).

 

A contribuição da universidade não para por aí. A definição de estratégias que conte com o apoio de especialistas, especialmente da área de direito internacional, relações internacionais, economia e comércio exterior, também são fundamentais. “O objetivo do seminário foi justamente o de trazer a sociedade e as universidades para dentro das Forças Armadas”, concluiu o comandante da Marinha.

 

PETRÓLEO – O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, alerta que as descobertas do pré-sal implicam não só no desenvolvimento de tecnologias capazes de extrair esse petróleo, que fica há quatro quilômetros de profundidade, mas na criação de mecanismos de segurança dessas águas. “Vamos precisar de 136 embarcações novas até 2013, 74 até 2015 e 80 até 2020. Precisamos resolver os problemas tecnológicos e de segurança estratégica”, comentou.

 

Não se sabe ainda quanto de petróleo existe na região, mas as estimativas são de que o óleo escondido no fundo do mar pode superar os 70 bilhões de barris. Só no campo de Tupi as reservas estimadas são de 5 a 8 bilhões de barris. As reservas do Brasil atualmente são de 14 bilhões de barris.Para o presidente da Petrobrás, o pré-sal vai mudar a configuração político-econômica da produção de petróleo no mundo. “O conflito que é inerente à estrutura do mercado vai se voltar para o atlântico sul”, disse. Ele destacou ainda que, ainda que não houvesse o pré-sal, a produção de petróleo brasileira vai dobrar nos próximos 10 anos. “Estaremos em 2020 produzindo quase 4 milhões de barris por ano, o dobro do que produzimos hoje”, afirmou.

 

O Almirante-de-Esquadra José Alberto Accioly Fragelli lembrou que mais de 95% do comércio exterior brasileiro, considerando importações e exportações, é realizado por via marítima. “É no mar que está nossa maior riqueza e, portanto, a nossa maior ameaça”, justificou.
 
 
 
 

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