<P>O Porto de Santos será o primeiro do País com condições de receber navios de 9.200 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Essas embarcações poderão atracar nos berços do Brasil Terminal Portuário (BTP), empreendimento de R$ 1,6 bilhão do Grupo Mediterranean Shipping Comp...
A Tribuna - SPO Porto de Santos será o primeiro do País com condições de receber navios de 9.200 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Essas embarcações poderão atracar nos berços do Brasil Terminal Portuário (BTP), empreendimento de R$ 1,6 bilhão do Grupo Mediterranean Shipping Company (MSC) que começará a ser construído entre fevereiro e março do próximo ano, revelaram executivos da companhia em entrevista exclusiva para
A Tribuna.
Atualmente, os conteineiros que fazem escala na costa brasileira (em Santos, principalmente) podem carregar até 5.500 TEUs. O Porto de Santos já se prepara para aprofundar seu canal de navegação a fim de receber navios de até 9 mil TEUs. Mas isso não é suficiente. Os berços devem ter a estrutura necessária para esse calado. O nosso terminal estará pronto para esses cargueiros, afirmou o diretor-geral do BTP, Henry Robinson.
A instalação do Grupo MSC poderá receber esse tipo de navio pois seus berços terão 17 metros de profundidade e o costado, fundações ainda maiores. No restante do porto, a estrutura do cais terá de ser reforçada e aprofundada para que os pontos de atracação sejam dragados nessa medida e o costado não desabe. O Brasil Terminal Portuário será construído em um terreno de 292 mil metros quadrados entre o Píer da Alemoa e o Rio Lenheiro, no Saboó, na Margem Direita do porto. A gleba, que vai da Avenida Augusto Barata (Retão da Alemoa) ao estuário, foi arrendada à Europe Terminal Brasil Participação,empresado GrupoMSC quecontrolao BTP.
Segundo Robinson, o licenciamento ambiental para a obra deve ser emitido ainda neste mês, em conjunto pelas autoridades ambientais federal, o Ibama, e estadual, a Cetesb. Isso permitirá o início da construção no primeiro trimestre do próximo ano.
A previsão sobre o começo dos trabalhos para a instalação do terminal havia sido anunciada pelo ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, na noite da última quinta-feira, durante visita ao cais santista. As informações foram apresentadas a Brito por executivos da MSC, com quem a autoridade havia se reunido durante a tarde. Na primeira fase de implantação, o BTP terá três berços, com um cais de 1.109 metros.
O primeiro ponto de atracação será entregue em 2011, mas começará a operar no ano seguinte, quando os outros dois estiverem prontos. Essestrês berços serão destinados à operação de contêineres, explicou Henry Robinson. Com eles, o terminal poderá operar 1,1 milhão de TEUs por ano (só no ano passado, o porto movimentou 2,5 milhões de TEUs).
GRANÉIS LÍQUIDOS
Nesta primeira fase de im- plantação, o BTP também começará a operar granéis líquidos. Mas os trabalhos serão limitados à armazenagem dessas cargas. Os embarques e desembarques dos navios vão ocorrer através do Píer da Alemoa. A atracação de navios-tanques (especializados no transporte de granéis líquidos) no BTP ocorrerá somente com a construção de seu quarto berço, obra prevista para a segunda fase da implantação.
Essa etapa pode começar logo após o término da primeira, em 2012, e terminar entre 2013 e 2014, disse Robinson. Mas esta decisão dependerá da Codesp. Como o quarto berço será construído ao lado do Píer da Alemoa, as obras acabarão paralisando as operações em dois dos quatro berços da instalação vizinha.
A solução para esse problema está na expansão do píer, projeto que prevê aumentar seu número de berços para seis. De acordo com o diretorgeral do BTP, só poderemos começar nossa segunda fase quando a Codesp tiver ampliado o Píer da Alemoa. Já conversamos com a Docas sobre esse problema e ela pretende ter os novos pontos de atracação prontos quando estivermos para começar a segunda fase. No quarto berço, o BTP pretende operar tanto contêineres como granéis líquidos. Com a conclusão desta segunda etapa, a empresa poderá movimentar 1,4 milhão de TEUs e 1,2 milhão de toneladas de compostos líquidos por ano, segundo Robinson.
Meio Ambiente
Além de ampliar a capacidade operacional do Porto de Santos, o Brasil Terminal Portuário resolverá um dos principais passivos ambientais da região. A área a ser ocupada pela empresa foi usada pela Codesp como aterro sanitário de 1950 a 1990, o que acabou contaminando seu solo com compostos químicos. Para explorar o local, o BTP assumiu a responsabilidade pelo saneamento da gleba. Segundo a empresa, o tratamento do terreno ocorrerá paralelamente à construção do terminal.
A remediação prevê a retirada dos poluentes, técnica utilizada em áreas portuárias contaminadas de complexos europeus. Segundo o diretor-geral do BTP, Henry Robinson, esta não é a técnica mais barata, mas a mais garantida.
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