Agroenergia

Pinhão-manso vira matriz de biodiesel

DCI
29/08/2006 00:00
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A Biodiesel Triângulo, de Iturama (MG), é a primeira empresa brasileira a anunciar o plantio comercial do pinhão-manso para a produção de biodiesel. A semente do fruto, nativo do País e presente em toda a América Latina, do México à Argentina, será a matéria-prima de duas usinas de biodiesel da companhia.
Em parceria com empresários brasileiros, alemães, italianos e japoneses, o grupo está investindo R$ 140 milhões na construção das duas plantas, em Iturama e na região paulista de São José do Rio Preto. As obras começam em outubro e as plantas devem entrar em operação até o início de 2008.
Somadas, as usinas devem gerar 220 milhões de litros de biodiesel por ano. “Vamos exportar cerca de 70% da produção e os 30% restantes serão consumidos pelo mercado interno”, revela o diretor presidente da Biodiesel Triângulo, Pedro Martins Filho. De acordo com ele, a empresa já tem pré-contratos de entrega de 120 milhões de litros para a Alemanha e o Japão em 2008.
No primeiro ano de funcionamento, a maior parte do biodiesel será originada a partir do sebo bovino, uma vez que lavouras de pinhão ainda estarão em sua primeira safra. A expectativa é de que, a partir da terceira safra, em 2010, seja atingida a produtividade de cinco toneladas por hectare de pinhão-manso. Quando os arbustos estiverem em pleno vigor, a utilização do sebo bovino deve ser reduzida a cerca de 5%. “O sebo servirá mais para oferecer segurança e disponibilidade de matéria-prima quando a produtivadade do pinhão não for suficiente”, diz Martins Filho.
Segundo o executivo, desde o ano passado, foram plantados aproximadamente 2 mil hectares de pinhão-manso na região de Iturama. Estima-se que serão necessários 70 mil hectares de área plantada para atender à demanda das usinas. No entanto, a unidade paulista ainda não tem localização definida — só se sabe que será próxima ao município paulista de São José do Rio Preto — e o plantio do fruto nem foi iniciado. “Estamos negociando a instalação da planta com a prefeitura da cidade”, diz Martins Filho.
Para que as usinas obtenham redução na carga tributária, por meio do Selo Combustível Social, concedido Ministério do Desenvolvimento Agrário, no mínimo 30% da matéria-prima será proveniente da agricultura familiar, em estados do Sul e do Sudeste.
Grupo Bertin
Justamente por conta deste benefício à agricultura familiar, a região de Lins, no noroeste do estado de São Paulo, está se preparando para abastecer com matéria-prima a maior usina de biodiesel já construída no País, do Grupo Bertin, que deve entrar em operação daqui a três meses no município. A previsão é de que a unidade produza o equivalente a 100 milhões de litros do biocombustível por ano.
O pinhão-manso é visto como a melhor alternativa para a agricultura familiar da região.
“A planta é rústica e não exige muitos cuidados no trato”, diz o engenheiro agrônomo Kazuhiro Nagumo, coordenador de política rural da Prefeitura de Lins. De acordo com estudos da Embrapa Algodão, o teor de óleo da semente de pinhão-manso é de 32%. Para produzir uma tonelada de biodiesel, seriam necessárias 3,1 toneladas do produto ou 5,6 toneladas de grãos de soja, por exemplo, cujo teor é de 18%.
Embora o Grupo Bertin não confirme que esteja incentivando a cultura do pinhão — o sebo bovino será a matéria-prima principal — a Prefeitura de Lins já fez o cadastramento de 1.700 famílias que possuem propriedades rurais de até 50 hectares, em municípios vizinhos, como Promissão e Guaiçara.
“Pelos nossos cálculos, vamos precisar de 15 mil hectares”, estima o secretário de desenvolvimento sustentado de Lins, Israel Antonio Alfonso.
O investimento será de R$ 2.100 por hectare. Segundo o Ministério de Minas e Energia, hoje 15 dos 27 estados brasileiros estão com projetos de investimentos em usinas de biodiesel, representando uma capacidade de produção de 1,8 bilhão de litros por ano.

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