Empreendimento

Petroquímica faz acordo de cooperação com a Reliance

Gazeta Mercantil
18/03/2009 05:44
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O grupo indiano Reliance, que atua no mercado mundial de petróleo e gás e nas áreas petroquímica e têxtil, entre outras, assinou este ano um acordo de cooperação técnica com a Petrobras dando indícios de seu sólido interesse em tornar-se parceiro da estatal na Companhia Petroquímica de Pernambuco, a Petroquímica Suape, um complexo para produção de ácido tereftálico purificado (PTA), resina PET (usada, por exemplo, na produção de garrafas plásticas de refrigerante) e fios de poliéster (polyester oriented yarn -POY).

 

O empreendimento, em fase de terraplenagem, fica no Complexo Industrial e Portuário de Suape, em Pernambuco. Com a saída da Vicunha, em setembro do ano passado a Petrobras vem buscando um novo sócio no projeto, orçado em R$ 4 bilhões, e dará prioridade ao Reliance que adiou sua decisão, que inicialmente estava prevista para agosto de 2008, em decorrência da crise financeira mundial.

 

Pelo acordo, o Reliance deverá investir cerca de US$ 5 milhões na cooperação e já disponibilizou 18 técnicos indianos para dar suporte aos brasileiros na implantação da Petroquímica Suape até seis meses depois do início das operações, previsto para o final de 2010. Por meio da Reliance Petróleo, o grupo é fornecedor de combustíveis e óleos minerais para o Brasil e, segundo o diretor-superintendente da Petroquímica Suape, Richard Ward, pediu um prazo de um ano e meio para anunciar sua decisão, prometendo antecipar-se.

 

Sociedade

 

“Caso surja um outro candidato a sócio, o Reliance terá que se definir na hora”, diz o executivo, considerando a possibilidade de concorrentes do Reliance como o grupo indiano Indorama ou o espanhol La Seda - que está construindo um complexo de PTA em Portugal, com tecnologia semelhante à da Petroquímica Suape — virem a se interessar pelo negócio com a Petrobras em Pernambuco.

 

A fábrica de PTA será a única da América do Sul e terá capacidade para produzir até 700 mil toneladas por ano, sendo 580 mil destinadas ao próprio complexo que irá produzir 240 mil toneladas de poliéster anualmente e 450 mil toneladas de PET. O excedente, em torno de 100 toneladas, será destinado ao mercado brasileiro - sem fornecedor nacional desde o fechamento da unidade da M&G Fibras, de Paulínia (SP), em meados de 2007.

 

Richard Ward considera ainda vender para o Mercosul e outros países sulamericanos que possuem acordos com o Brasil que assegura redução no imposto de importação. “O grande efeito desta planta é disponibilizar fios no País e à toda cadeia têxtil a jusante”, afirma o executivo, incluindo empresas locais do pólo de confecções do Agreste de Pernambuco.

 

Aquisição de equipamentos

 

Os equipamentos da unidade de produção de polímeros e filamentos de poliéster foram negociados, no início do mês, com a japonesa TMT e a alemã Lurgi Zimmer que garantem também o uso da tecnologia, com um custo total de US$ 182,1 milhões. A maior parte, US$ 142,3 milhões, vai para o maquinário de fiação e texturização da TMT, enquanto o de polimerização, fabricado pela alemã, sairá por US$ 39,8 milhões. Ao todo serão 80 máquinas que começam a chegar a partir de outubro. Elas serão financiadas pelo Japan Bank for International Cooperation (JBIC), o banco oficial japonês, e pelo Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW),o banco de fomento da Alemanha - nos dois casos via Banco do Brasil (BB).

 

A Petrobras irá bancar 30% do investimento com recursos próprios, enquanto o BNDES financiará os 70% restantes. Segundo Richard Ward, já foram liberados empréstimos-ponte de R$ 160 milhões, em setembro passado, e de R$ 100 milhões, pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

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