Preços

Petróleo volta aos US$ 70 neste ano, diz Platts

Redação/Boletim Siamig
18/02/2019 16:32
Visualizações: 1147

Os preços do petróleo enfrentam uma pressão de baixa no curto prazo, mas devem voltar a testar os US$ 70 o barril mais perto do fim deste ano, enquanto o mercado começa a se preparar para mudanças nas regras para combustível no transporte marítimo, na avaliação de Mark Schwartz, diretorgeral da S&P Global Platts para o setor de petróleo, com mais de 40 anos de experiência no segmento.

De acordo com o especialista, a oferta de petróleo cresceu muito entre os países que não fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no ano passado, em cerca de 3 milhões de barris por dia. Em 2019, a expansão da produção dos Estados Unidos deve ter um ritmo menor, por conta das limitações na logística para escoamento do xisto ("shale"). "Ainda assim, o crescimento deve ser de cerca de 1,9 milhão de barris por dia, e o Brasil deve contribuir com cerca de 300 milhões de barris por dia", disse Schwartz, explicando que será o segundo maior crescimento entre os mercados fora da Opep.

"Achamos que a produção no Brasil continuará a crescer. Talvez não tão agressiva como nos planos do governo, mas, havendo as políticas adequadas, não há razão para o Brasil não ter crescimento na produção por no mínimo mais uma década", disse Schwartz. Para o especialista, as atenções da produção fora da Opep hoje estão concentradas no xisto dos Estados Unidos, mas daqui três a quatro anos a produção no país deve começar a desacelerar. "A questão é: vamos ver o xisto crescendo em outras partes do mundo?", questionou, lembrando de países como Argentina, China, Austrália e Rússia que também têm reservas da commodity.

No curto prazo, Schwartz avalia que há risco de uma pressão de baixa nos preços do petróleo porque o uso das refinarias está baixo por conta de paradas para manutenção. O barril do Brent pode testar os US$ 60 por conta disso, segundo o especialista. Até o fim do ano, há chance de um movimento de alta de volta aos US$ 70 o barril, devido à corrida para adequação exigências da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), que determinou que o transporte marítimo precisará usar combustíveis com teor de enxofre reduzido a partir de 2020.

Na sexta-feira, o barril do tipo Brent para abril fechou com alta de 2,6%, cotado a US$ 66,25, maior patamar em três meses. O tipo WTI para março também fechou na melhor cotação em três meses, com alta de 5,4% no dia, negociado a US$ 55,59 o barril. A alta na semana passada foi causada por temores na oferta.

No médio a longo prazo, será o equilíbrio entre oferta e demanda que vai determinar os preços de petróleo no mercado internacional. A mudança do transporte baseado em combustíveis fósseis para a mobilidade elétrica será fundamental nesse equilíbrio de forças. "No lado da demanda, vemos crescimento, mas vai depender no futuro do que esperamos em termos de eficiência de uso de combustíveis e mobilidade elétrica. No lado da oferta, será necessário decidir qual preço é alto o suficiente para que seja possível atender a demanda sem reduzir o consumo", disse.

O truque é haver equilíbrio. Sabemos que o preço não pode subir muito, porque senão vai haver uma aceleração da transição para veículos elétricos. Mas não pode cair tanto a ponto de prejudicar a oferta", completou.

Se hoje a Opep consegue, de certa forma, influenciar no equilíbrio de preços ao aumentar ou reduzir sua produção, esse cenário não deve ser mantido no longo prazo, quando outros países devem ganhar mais espaço no segmento. "No futuro, se a Opep subir muito o preço, vai alimentar a demanda contra o petróleo do próprio cartel", disse Schwartz.

Por enquanto, segundo Schwartz, Irã e Venezuela devem continuar em declínio de produção, ajudando a frear o crescimento da produção da Opep. No caso da Venezuela, mesmo que haja uma mudança de governo, tudo dependerá das regras que serão colocadas em vigor no país e se serão suficientes para tornar os investidores confiantes. "É preciso de algo que convença os investidores que, se houver uma administração nova favorável ao mercado, há segurança de que ela vai permanecer."

 

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Internacional
Nos Estados Unidos, Firjan participa do Brasil-U.S. Indu...
12/05/26
Pessoas
MODEC anuncia Yosuke Kosugi como novo CEO no Brasil
11/05/26
BOGE 2026
John Crane oferece manutenção preditiva por meio de solu...
11/05/26
Gás Natural
Compass realiza IPO na B3
11/05/26
Crise
Estreito de Ormuz, sustentabilidade e arbitragem serão d...
11/05/26
Indústria Naval
Ghenova lidera engenharia dos navios gaseiros da Ecovix ...
11/05/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana abre credenciamento de visitantes p...
11/05/26
Refino
Com 385 mil m³, RNEST bate recorde de produção de diesel...
11/05/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em baixa e amplia pressão sobre o ...
11/05/26
Energia Elétrica
Neoenergia renova mais três concessões e anuncia investi...
08/05/26
Sustentabilidade
Prêmio Firjan de Sustentabilidade: inscrições abertas at...
08/05/26
Cobertura OTC
ANP participa de uma das maiores conferências do mundo s...
08/05/26
Firjan
Voto pela inconstitucionalidade da lei dos royalties é o...
08/05/26
Mão de Obra
Censo 2026 vai mapear perfil socioeconômico de trabalhad...
07/05/26
Internacional
ANP e PPSA realizam evento exclusivo em Houston para pro...
07/05/26
Workshop
ANP faz workshop para dinamizar a exploração de petróleo...
07/05/26
Parceria
Halliburton e Shape Digital firmam colaboração estratégi...
06/05/26
ROG.e
ROG.e 2026 reunirá CEOs de TotalEnergies, Galp, TGS e Ry...
06/05/26
Oportunidade
CNPU 2025: ANP convoca candidatos de nível superior a se...
06/05/26
Combustíveis
Atualização: Extensão do prazo de flexibilização excepci...
06/05/26
Gestão
ANP publica Relatório de Gestão 2025
06/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23