Meio Ambiente

Petróleo na rota do meio ambiente

Petroleiras e siderúrgicas serão maiores investidoras em certificados de crédito de carbono, segundo o Banco Mundial. Previsão é de US$ 2 bilhões em investimentos entre 2008 e 2012.


27/05/2004 00:00
Visualizações: 1295
As companhias de petróleo deverão assumir, juntamente com as siderúrgicas, a condição de principais investidoras do chamado mercado de crédito de carbono, criado a partir do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto. O Banco Mundial (Bird) estima que deverão ser movimentados, por meio desse instrumento, cerca de US$ 2 bilhões entre 2008 e 2012, período no qual os países signatários do documento se comprometeram a alcançar uma meta de 5% de redução das emissões de CO-2.
O diretor de Meio Ambiente do Bird, Werner Kornex, acredita que, somente nos países da União Européia, dez empresas - de um universo de 5 mil - deverão concentrar cerca de 30% das obrigações de redução das emissões nos próximos anos. Desse total, a maior parte corresponderá a companhias de petróleo e siderúrgicas. Hoje, segundo estimativa do Banco Mundial, os créditos de carbono já movimentam de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões no mundo, por meio de projetos em países como Índia e Brasil - os líderes nesse segmento, respectivamente com 30% e 18% do total dos recursos aplicados.
Embora o Protocolo de Kyoto ainda não esteja ratificado devido à resistência de Estados Unidos e Rússia, dois dos maiores poluidores, várias empresas, entre as quais a Petrobras, já desenvolvem projetos com vistas ao enquadramento no MDL. Nesta quinta-feira (27/05), Kornex e a equipe do Bird teve mais uma reunião com a diretoria da Petrobras, com objetivo de formular um projeto que converta em créditos de carbono as emissões de CO-2 das refinarias da empresa.
Criado a partir do Protocolo de Kyoto, o MDL garante às empresas dos países poluidores a oportunidade de descontar os investimentos em projetos de desenvolvimento sustentável de suas metas de emissões de C0-2. Destinados aos países emergentes como o Brasil, que estão enquadrados na categoria de menos poluidores, os investimentos são trocados por uma espécie de título emitido por certificadoras internacionais credenciadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), instituição que patrocinou o Protocolo de Kyoto.
De posse desse título, denominado certificado de crédito de carbono, os grupos investidores podem não só reduzir suas metas, como também, no futuro, comercializar os papéis em uma espécie de mercado secundário de certificados, ainda em fase de implantação. O objetivo desse mecanismo é criar um incentivo econômico para cumprimento das metas previstas pelo Protocolo de Kyoto, por meio de oportunidades de investimentos para grandes empresas poluidoras.
Em tese, ganhariam não só os países emergentes, que se beneficiariam dos recursos investidos em projetos de desenvolvimento sustentável, mas também os grandes grupos empresariais e o próprio meio ambiente. Embora os investimentos sejam direcionados a países emergentes, e não para as regiões castigadas pelas indústrias poluidoras, os benefícios são capitalizados por todo o planeta, uma vez que a camada de ozônio é uma só.
Segundo o diretor do Bird, há um potencial de geração de 13 milhões de toneladas em créditos de carbono nos próximos anos. Entre 2008 e 2012, segundo ele, Brasil, Índia e China deverão responder por praticamente 80% dos US$ 2 bilhões de investimentos previstos. Especialista em MDL da certificadora norueguesa DNV (Det Norske Veritas), Michael Lehmann afirma que o Brasil largou na frente nesse novo mercado. O Bird, acrescenta Kornex, tem ajudado a estruturar atualmente dez projetos no país.
Principal compradora de certificados de créditos de carbono do mundo, o Banco Mundial dispõe, atualmente, de US$ 500 milhões em fundos para investimentos neste segmento. O objetivo da instituição, segundo Kornex, é viabilizar investimentos em projetos que tenham não só um objetivo ambiental, mas principalmente social.
O executivo do Bird  e Lehmann participaram no Rio, nesta quinta-feira, de um workshop sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, promovido pela DNV, a primeira certificadora credenciada pela ONU para validar projetos do MDL.
 
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Investimentos
Retomada dos investimentos da Petrobras no Amazonas
27/05/26
BOGE 2026
BRAVA Energia marca presença no Bahia Oil & Gas Energy 2...
27/05/26
IBP
Brasil pode ampliar protagonismo como fornecedor global ...
27/05/26
Etanol de milho
Etanol de milho avança no país e muda a dinâmica de merc...
27/05/26
Parceria
Grupo Bravante anuncia associação à Abeemar e reforça co...
27/05/26
Firjan
No Dia da Indústria 2026, Firjan anuncia medidas para im...
27/05/26
Negócio
Vallourec conquista importantes contratos de line pipe c...
25/05/26
Bahia
Desenvolvimento Econômico impulsiona industrialização e ...
25/05/26
BOGE 2026
John Crane lança Performance Plus™ para otimizar manuten...
25/05/26
BOGE 2026
Começa nesta quarta (27) o maior evento de petróleo e gá...
25/05/26
BOGE 2026
Com produção em alta, independentes lideram debates na B...
25/05/26
Combustível
Etanol fecha a semana em recuperação moderada, mas merca...
25/05/26
ANP
Workshop debate dinamização da exploração de petróleo e ...
22/05/26
BOGE 2026
ANP participa do Bahia Oil & Gas Energy 2026, em Salvador
22/05/26
Etanol
Com aumento na oferta, preço do etanol acelera queda e a...
22/05/26
Negócio
NUCLEP celebra 46 anos com a assinatura de novo contrato...
22/05/26
Energia Elétrica
ANEEL homologa leilões de reserva de capacidade na forma...
22/05/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP abre 6º ciclo para concessão e 4º...
22/05/26
Saúde, Segurança e Meio Ambiente
IBP debate impactos da revisão da NR-1 sobre saúde menta...
21/05/26
Energia elétrica
TAESA anuncia a aquisição de cinco concessões de transmi...
21/05/26
Meio Ambiente
WCA completa primeiro ano ampliando debates sobre mercad...
21/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25