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Petróleo ajuda Rio a driblar a crise

Jornal do Commercio
25/05/2009 03:44
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O bom desempenho do setor de petróleo ajuda a indústria do Estado do Rio de Janeiro a resistir à crise internacional, de acordo com a diretora de Desenvolvimento Econômico da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Luciana de Sá. Ela afirmou que a indústria de petróleo permanece aquecida e não é tão influenciada pelo aperto econômico.

 


“A indústria do Rio de Janeiro tem dois aspectos importantes, duas âncoras neste momento de crise. Por um lado, a extração de petróleo tem peso muito grande, que corresponde a 20% de toda a produção do estado. Além disso, o setor demanda uma extensa cadeia de fornecedores. Este segmento está menos sujeito às movimentações conjunturais e faz com que o Rio tenha sentido menos a crise que outros estados. Outro fator é que o Rio concentra a indústria criativa, com lazer, turismo e arte, que está segurando bem seu desempenho”, disse a economista.

 


Segundo Luciana, estes não foram as únicas áreas da indústria que estão sentindo menos os impactos da crise. “Temos ainda setores que não foram tão afetados, pois são menos dependentes de crédito, como os setores de alimentos, cosméticos e produtos químicos. Estes setores estão bem, embora com menor participação na indústria fluminense.”

 


Luciana de Sá apontou ainda os setores que, acompanhando a tendência nacional, reduziram o ritmo de produção após o quarto trimestre do ano passado. “O Rio tem representação setorial variada, apesar da força do petróleo. Entre os muitos setores, alguns estão sendo prejudicados pela crise. A siderurgia, que é a segunda maior força do estado, foi bem mal neste período. O segmento de veículos, com presença no sul fluminense, também registrou queda de produção. As indústrias têxtil, de material elétrico e de papel e celulose também foram afetadas.”

 


Em março (últimos dados disponíveis), o índice de produção industrial do Estado do Rio de Janeiro ajustado sazonalmente avançou 5,4% frente a fevereiro, emitindo sinais de recuperação da economia fluminense desde o recrudescimento da crise internacional em setembro do ano passado. Apesar deste crescimento ter sido o maior dentre os treze estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a atividade produtiva local encontra-se no mesmo nível observado em 2007, decorrente do declínio acumulado nos últimos cinco meses (14,6%).

 


A indústria extrativa mineral acelerou 17,9% no terceiro mês deste ano, atingindo o pico histórico de seu índice no Estado. Contribuíram os recordes diário (2,04 milhões de barris) e mensal (1,99 milhões barris por dia) de produção de petróleo, impulsionada pelo crescimento da exploração na Bacia de Campos, localizada no litoral Norte Fluminense. No confronto anual, a expansão local de 12,8% foi a maior dentre os sete estados pesquisados neste segmento.

 


A pesquisa de Indicadores Industriais da Firjan revelou recuperação do nível da atividade industrial do Estado do Rio de Janeiro em março. Depois de quatro quedas consecutivas, as vendas reais expandiram-se 15,6% sobre fevereiro e 1,5% na comparação com igual mês do ano anterior.

 


Para a diretora, apesar dos bons resultados, ainda é cedo para dizer que o pior já passou. “Março foi um mês bom, com muitos indicadores positivos, mas foi isolado. As incertezas no cenário internacional são muitas e nos impedem de fazer previsões. Temos que entrar em processo de recuperação já no segundo semestre deste ano, mas é muito difícil saber quando esta crise vai acabar. Ainda há muitas incertezas e estamos conversando com as empresas para descobrir se o pior já passou”, afirmou.

 


Luciana elogiou a postura do governo de Sérgio Cabral que está se esforçando para combater a crise internacional no estado. “O governo do estado deu incentivo aos investimentos, com a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para compra de máquinas e equipamentos. A medida foi importante, pois o crescimento só se sustenta com investimento. Além disso, o ICMS é muito alto, nossa carga tributária como um todo é muito alta.”

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