Golfo do México

Petrobras vai reduzir investimentos nos EUA

Jornal do Commercio
08/05/2009 04:07
Visualizações: 475

Prestes a iniciar sua primeira produção de petróleo em águas profundas no Golfo do México, a Petrobras prepara um programa de desinvestimento em suas operações exploratórias nos Estados Unidos. A ideia é se desfazer das concessões de explorações em águas rasas, para focar esforços e capital na busca por reservas em águas profundas ou ultraprofundas.

 


“A estratégia da companhia vem mudando nesses últimos anos”, disse o presidente da Petrobras Américas, Orlando Azevedo, destacando que a crise financeira e a queda do preço do petróleo aprofundaram as mudanças. “Se tenho que gastar dinheiro para perfurar um poço, prefiro gastar onde tenho expertise”, afirmou o executivo, referindo-se às águas mais profundas.

 

A Petrobras foi uma das companhias mais ativas em leilões de áreas exploratórias promovidos nos últimos anos pelo Minerals Management Service (MMS), o órgão regulador do petróleo nos Estados Unidos, e hoje conta com cerca de 230 blocos exploratórios na porção americana do Golfo do México.

 

Azevedo diz que ainda não há definição sobre quantos blocos serão vendidos nem qual o prazo para a conclusão do processo. As negociações serão feitas de acordo com o interesse do mercado pelas concessões.

 

A legislação americana permite que o concessionário fique até dez anos com um bloco, mesmo que não realize investimentos na área. No Brasil, ao contrário, o investimento em exploração é definido nas ofertas feitas pelas empresas nos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

 

Segundo o presidente da Petrobrás Américas, a empresa planeja manter em sua carteira blocos em águas rasas que tiverem descobertas de petróleo. A redução do portfólio nos Estados Unidos foi discutida durante a elaboração do plano estratégico da companhia para o período 2009-2012, que optou por um foco maior nos negócios brasileiros, principalmente no pré-sal.

 

Há, na direção da empresa, uma impressão de que o crescimento das atividades no Golfo do México foi feito de maneira afobada e sem muitos critérios. Diante da crise econômica, a percepção é que não vale gastar dinheiro em projetos não prioritários.

 

A Petrobras esteve sempre entre as principais compradoras nos leilões realizados pela MMS. No último, foi a empresa que ficou com maior número de blocos: 22. Azevedo diz que nesse caso, porém, o objetivo foi cercar as áreas onde tem descobertas em águas profundas ou ultraprofundas.

 

A estratégia, muito usada pela empresa nos leilões brasileiros, deve nortear a participação da estatal nas futuras licitações americanas. As águas rasas do Golfo do México garantem hoje à estatal brasileira uma produção de 5,3 mil barris de petróleo por dia, volume equivalente apenas 30% do extraído pelo poço pioneiro do pré-sal, no campo de Jubarte, por exemplo.

 

Nos Estados Unidos, o primeiro projeto de produção em águas profundas da estatal, Cascade-Chinook, terá uma capacidade inicial de 80 mil barris por dia, podendo ganhar outra plataforma de 150 mil barris por dia na fase final de desenvolvimento. O projeto, com reservas até agora identificadas de 300 milhões de barris de petróleo, é uma parceria com a americana Devon e a francesa Total e inicia as operações no segundo semestre deste ano.

 

O diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, aposta na capitalização da Petrobrás por meio da transferência para a estatal de parte das reservas de petróleo hoje nas mãos da União, como uma forma de viabilizar os investimentos no pré-sal.

 

Isso facilitaria a busca por novos financiamentos sem elevar demais a dívida da empresa e garantiria a manutenção do “grau de investimento” classificação máxima obtida pela Petrobrás junto às agências internacionais de avaliação de risco.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de janeiro para...
26/03/26
IBEM26
Práticas ESG do setor de energias renováveis são destaqu...
26/03/26
IBEM26
Jerônimo Rodrigues destaca potencial da Bahia na transiç...
26/03/26
Bacia de Campos
Petrobras irá investir R$ 25,4 milhões em novos projetos...
26/03/26
IBEM26
ABPIP destaca papel dos produtores independentes na inte...
25/03/26
Workshop
Governo de Sergipe e FGV Energia debatem futuro do offsh...
25/03/26
iBEM26
Bahia Gás aposta em gás natural e biometano para impulsi...
25/03/26
iBEM26
iBEM 2026 começa em Salvador com debates sobre segurança...
25/03/26
Indústria Naval
BR Offshore lança pedra fundamental de complexo logístic...
24/03/26
Resultado
Constellation Oil Services registra EBITDA ajustado de U...
24/03/26
Bacia de Campos
Equinor inicia campanha de perfuração do projeto Raia
24/03/26
Macaé Energy
Atlas Copco Rental tem participação destaque na Macaé En...
24/03/26
Energia Eólica
Equinor fortalece portfólio de energia no Brasil
23/03/26
Macaé Energy
LAAM Offshore fortalece presença estratégica no Macaé En...
23/03/26
IBEM26
iBEM 2026 reúne especialistas e discute futuro da energia
23/03/26
Crise
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona cus...
20/03/26
P&D
Pesquisadores da Coppe desenvolvem técnica inovadora par...
20/03/26
Leilão
TBG avalia como positivo resultado do LRCAP 2026 e desta...
20/03/26
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23