Exploração e Produção

Petrobras prepara salto em produção nos EUA

Valor Econômico
26/03/2012 11:38
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No dia 25 de fevereiro a Petrobras começou a produzir petróleo no campo de Cascade, no Golfo do México americano, em um projeto com o qual estabeleceu uma série de recordes. Um mês depois do início da operação da BW Pioneer - primeira plataforma flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO) a operar em águas ultraprofundas do golfo -, a estatal brasileira já aumentou em 50% sua produção de petróleo nos Estados Unidos. Passou de 9 mil para 13,3 mil barris por dia. E isso porque em Cascade a Petrobras está extraindo cerca de 4,3 mil barris de óleo de um único poço, que tem vazão controlada propositalmente para testar o reservatório.

Pela política interna, a companhia não informa números futuros de produção. Mas a expectativa é de um aumento de cerca de 8 mil barris por dia, para 21,3 mil barris, até dezembro. Até lá, mais dois poços serão conectados à plataforma: outro em Cascade, projeto no qual a Petrobras tem 100%, e um no vizinho Chinook, onde a francesa Total tem 33%. Os três poços vão produzir com vazão controlada, de 4 mil barris/dia, aproximadamente.

Os dois campos serão explorados juntos no projeto, no qual a estatal tem participação total de 80%. Os investimentos somam US$ 1,9 bilhão somente na primeira fase, informa Jose Orlando Azevedo, presidente da Petrobras América. As plataformas do tipo FPSO são amplamente utilizadas na costa do Brasil, mas a Pioneer foi a primeira do tipo nos EUA, o que exigiu longas negociações e detalhamentos até a aprovação e licenciamento pelo Escritório de Administração, Regulamentação e Supervisão de Energia Oceânica dos Estados Unidos (Boemre, na sigla em inglês), conta Carlos Mastrangelo, especialista em plataformas da Petrobras. "Foi importante mostrar como a Petrobras lidava com esse tipo de operação no Brasil. Facilitou muito", afirma Mastrangelo.

Os planos de produção da estatal, assim como de toda a indústria, foram atrasados pela proibição de perfuração na área, depois do acidente no campo de Macondo, da BP, em 2010, que aumentou as exigências para a operação no país.

"A nova regulamentação não teve nenhum impacto sobre o dimensionamento de revestimentos e projetos de nossos poços. A Petrobras é muito cautelosa. Usa padrões de perfuração muito altos, e mesmo com a regulamentação mais estrita do governo americano depois de Macondo, a empresa se sentiu confortável, pois já adotava todas elas", diz Gustavo Amaral, vice-presidente de exploração e produção da Petrobras América.

Construída no estaleiro da Keppel em Cingapura, a BW Pioneer está distante 250 quilômetros da costa da Louisiana. Os equipamentos são os mais profundos em produção no mundo. Estão submersos a 2.515 metros de distância da plataforma, superando o recorde anterior do campo Perdido, também no golfo americano, onde a Shell (com Chevron e BP) produz em lâmina d´água de 2.450 metros. A profundidade do primeiro poço em Cascade é de 8 mil metros, superior ao recorde da estatal em Tupi, no pré-sal de Santos.

Cascade e Chinook estão em uma nova fronteira exploratória dos Estados Unidos. A perfuração de um poço completo na área custa entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. Os reservatórios ali se formaram entre 23 e 65 milhões de anos atrás, em um período geológico chamado terciário inferior. Essas novas áreas exigiam um esforço tal da indústria que, quando foram licitadas, em 1996, o então presidente Bill Clinton isentou as companhias que descobrissem óleo de pagar royalty até produzirem 86,5 milhões de barris em cada campo. Só depois serão cobrados 12,5%.

As dificuldades tecnológicas do projeto são um orgulho dos engenheiros da Petrobras. A Pioneer foi desenhada para enfrentar condições climáticas severas e pode ser desconectada em caso de um furacão, como o Katrina, que arrasou Flórida, Louisiana, Mississippi e Alabama em 2005, destruindo dezenas de plataformas no golfo e reduzindo em 24% a produção de petróleo na área.

Para fugir de situações como essa, a Pioneer tem ancoragem desconectável. O sistema de produção inclui uma tubulação rígida (risers) de quase 2,3 mil metros de extensão, sustentada por quatro bóias com 65 metros de comprimento e sete metros de diâmetro fabricadas na Finlândia. Cada uma delas pesa cerca de 350 toneladas.

As bóias ficam submersas e estabilizam os risers, além de servir de base para linhas flexíveis que saem de lá até a plataforma. Quando a FPSO é desconectada, as bóias ficam submersas e continuam segurando a tubulação. Na volta da embarcação, elas podem ser "pescadas". A BW Pioneer é capaz de armazenar 500 mil barris de petróleo que podem ser transferidos para dois navios-tanque construídos nos Estados Unidos pela Aker especialmente para o projeto. A tripulação dos dois navios foi treinada no Brasil, onde a Petrobras faz cerca de 600 transferências de óleo para navios desse tipo todo ano. Um gasoduto de 83 quilômetros foi construído para escoar o gás até a malha de gasodutos, já que é proibido queimar gás no país.

A Petrobras também tem participação em projetos exploratórios gigantes nos Estados Unidos, como os campos Stones (operado pela Shell) e Saint Malo (Chevron), também no terciário inferior; além de Tiber (BP) e do complexo de Hadrian (com Exxon e Anadarko). Questionado sobre o destino desses ativos, considerando os planos da companhia de obter US$ 13,6 bilhões com a venda de participações, Fernando Cunha, gerente executivo para Américas, África e Eurásia, diz que é cedo para saber o destino dos ativos nos EUA.
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